ESCRAVOS DO PECADO

Por: Rev. Paulo Sergio da Silva
3ª IPB de Barretos / SP
Pastoral boletim 09.10.11


“Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado.” João 8:34.

Devemos dar especial atenção para o modo como Jesus, ostensivamente, confrontava os Seus seguidores com respeito à sua identidade espiritual. Creio que Ele continua confrontando. Esse texto não se refere ao pecado que habita em nossa natureza humana. “Se dissermos que não temos pecado, a nós mesmos nos enganamos e a verdade não está em nós” (1 Jo 1:8).

Escravos de Deus ou do pecado. Jesus se referia ao modelo da religiosidade praticada pelos fariseus, notória pela ausência do temor de Deus. Quem é escravo (servo) do pecado, obviamente não é servo de Deus. Notemos que nos originais bíblicos, a palavra “servo” equivale literalmente à palavra “escravo”. Não soa bem aos nossos ouvidos ocidentais sermos chamados de “escravos de Deus”, mas é isso mesmo que somos. Porém, o nosso Deus é tão bondoso e misericordioso, que nos recebe e nos ama como filhos. Mas é sempre bom relembrarmos quem éramos (escravos do pecado) e quem somos hoje (servos / escravos / filhos de Deus). Esse exercício nos remeterá à uma vida de mais piedade e obediência a Ele.

Filhos de Deus ou filhos do diabo? Jesus foi inquirido por pessoas, que se sentiam no direito de serem filhos de Deus, por causa da descendência abraâmica. Porém, eles não criam em Jesus e até procuravam matá-lo (vs.37). Jesus lhes afirmou corajosamente, que na verdade, eles eram filhos do diabo (vs.44). Aqueles homens tinham uma grave crise de identidade, pois acreditavam ser o não eram. Pensavam que eram filhos de Deus por causa da descendência de Abraão (DNA). Mas isso não os podia salvar, pois a salvação nos é dada por Deus, através de Sua graça, que opera mediante a fé (Ef 2:8). Na verdade eles eram filhos (e escravos) do arqui-inimigo de Deus. Será que isso ainda acontece hoje? É possível alguém pensar que é salvo e estar fadado ao inferno? Será que existem “filhos do diabo” na Igrejas? Veja Mt 7:16-23; 25:12,41).


Algumas características dos escravos do pecado no Salmo 1

Sl 1:1 – suas idéias (conselhos), estilo de vida (caminho), ajuntamentos (roda), conversas infames (escarnecedores).
Sl 1:4 – semelhança à palha = lixo; não tem mais fruto, o que sobrou da sega; inconstância na vida (levados pelo vento); serão lançados no fogo.
Sl 1:5-6 – não perseveram na Igreja, e serão destruídos no Dia do Juízo de Deus. O caminho deles é caminho de morte.

Algumas características dos escravos do pecado no Evangelho de João

Jo 5:40 – não desejam ir a Cristo (Igreja, oração, louvor); rejeitam a vida que Cristo oferece (estilo de vida e vida eterna / salvação).
Jo 5:42 – não tem em si o amor de Deus, que é o sinal real de que somos filhos de Deus (1 Co 13; 1 Jo 4:7-8).
Jo 5:44 – a vida deles é pautada pela incredulidade e soberba (Pv 16:18; Is 2:11; Tg 4:6; 1 Pe 5:5).
Jo 8:44 – filiação diabólica que é marcada pela mentira, ódio, homicídio (1 Jo 2:11; 3:15; 4:20).

Algumas características dos escravos do pecado na Primeira Carta de João – contrastes entre os escravos do pecado (ep) e os verdadeiros servos de Deus (sD)

1 Jo 2:4-5
ep – falsa religiosidade, mentira, vida de pecados (mau testemunho).
sD – guarda da palavra de Deus, aperfeiçoamento do amor de Deus, ser reconhecido como filho de Deus (bom testemunho).

1 Jo 2:9-11
ep – falta de amor, ódio, vida de trevas, cegueira espiritual, chegando a duvidar da própria salvação (mau testemunho, esfriamento, desânimo).
sD – amor aos irmãos (perdão, restauração, humildade), vida na luz, sem escândalos (bom testemunho).

1 Jo 2:12-15
sD - comunhão com Deus (perdão de pecados); intimidade com Deus (conhecê-Lo); vitória sobre o maligno (diabo); ser forte (no Senhor); a permanência da Palavra de Deus em sua vida.
ep – amor ao mundo, ausência do amor do Pai (Jo 12:31; 14:30; 16:11; Ef 2:2).

Compare e avalie-se
Jo 8:34 – os escravos do pecado.
Jo 8:30-32 – os discípulos de Cristo.

Conclusão


Creio ser essencial para o crescimento e fortalecimento na fé, que cada um avalie a sua condição espiritual diante de Deus, para que ninguém caia no mesmo engano que aqueles homens cairam.

Não somos mais escravos do pecado, se de fato somos servos de Deus. Não somos perfeitos, mas não podemos permitir que o pecado nos governe. Não podemos aceitar o pecado, mas devemos amar o pecador com o amor de Cristo. Não devemos exigir de nós mais do que Deus exige, mas também não podemos subestimar o poder do pecado e a força que ele pode exercer em nós para nos destruir. Busquemos este equilíbrio santo.

Deus te abençoe e te guarde!

S.D.G.


Material usado anteriormente na Reunião de oração de 27/09/11.

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