A Caverna de Elias
“Levantou-se, pois,
comeu e bebeu; e, com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e
quarenta noites até Horebe, o monte de Deus. Ali, entrou numa caverna, onde passou a noite; e eis que lhe veio a Palavra do SENHOR e lhe disse: Que fazes aqui, Elias?” 1 Reis 19:8-9.
A história e os acontecimentos vividos pelo profeta Elias ao mesmo tempo foram fantásticas, mas intensas. Havia tanto pecado em Israel, tanta idolatria e paganismo, tanto sofrimento e dor, que apesar dele ter saído vitorioso depois do embate contra os profetas de baal, pode ter tido uma crise emocional e espiritual, um momento de fraqueza. É o que observamos ao vê-lo fugindo de Jezabel e indo esconder-se em uma caverna no Monte Horebe, o monte de Deus (1 Rs 19:8). Isso pode ter ocorrido com ele SIM, haja visto que ele era um ser humano como nós (Tg 5:17). E quem de nós jamais experimentou a fraqueza e o desânimo? Apesar de que muitos são muito mais sensíveis, outros passaram por lutas e tribulações muito mais severas, a nossa identificação com Elias naquela caverna é muito forte, e é sobre isso que falaremos aqui nesse momento. Tentaremos dissecar o que aconteceu com Elias e como o Senhor o conduziu para fora daquela situação tão tenebrosa, similar em suas manifestações com um dos maiores males do nosso século: a DEPRESSÃO.
Mas antes de prosseguirmos vejamos uma reflexão sobre o Mito da Caverna de Platão, em resumo. Faremos essa análise tendo a famosa obra filosófica sob o prisma de uma simples analogia, metáfora, teoria, ideia ou pensamento.
O que é o "Mito da Caverna"?
O Mito da Caverna, também conhecido como “Alegoria da Caverna” é uma
passagem do livro “A República” do filósofo grego Platão escrito por volta de 380 a.C., é mais uma
alegoria do que propriamente um mito. É considerada uma das mais
importantes alegorias da história da Filosofia. Através desta metáfora
é possível conhecer uma importante teoria platônica: como, através do
conhecimento, é possível captar a existência do mundo sensível, conhecido através dos sentidos; e do mundo inteligível, conhecido
somente através da razão.
O Mito da Caverna fala sobre prisioneiros desde o nascimento, que vivem presos em correntes numa caverna e que passam todo tempo olhando para a parede do fundo que é iluminada pela luz gerada por uma fogueira. Nesta parede são projetadas sombras de estátuas representando pessoas, animais, plantas e objetos, mostrando cenas e situações do dia-a-dia. Os prisioneiros ficam dando nomes às imagens (sombras), analisando e julgando as situações.
Vamos imaginar que um dos prisioneiros pudesse sair das correntes e explorar o interior da caverna e o mundo externo. Entraria em contato com a realidade e perceberia que passou a vida toda analisando e julgando apenas imagens projetadas nas paredes. Ao sair da caverna e entrar em contato com o mundo real ficaria encantado com os seres de verdade, a natureza, os animais e etc. Voltaria para dentro da caverna para passar todo conhecimento adquirido do lado de fora para seus colegas ainda presos. Porém, seria ridicularizado ao contar tudo o que viu e sentiu, pois seus colegas só conseguem acreditar na realidade que enxergam nas paredes iluminadas da caverna. Os prisioneiros o chamariam de louco, ameaçando-o caso não parasse de falar daquelas ideias consideradas absurdas.O que Platão quis dizer com isso?Os seres humanos têm uma visão distorcida da realidade. Nesse mito, os prisioneiros somos nós que enxergamos e acreditamos apenas em imagens criadas pela cultura, conceitos e informações que recebemos durante a vida. A caverna simboliza o mundo, pois nos apresenta imagens que não representam a realidade. Só é possível conhecer a realidade, quando nos libertamos destas influências culturais e sociais, ou seja, quando saímos da caverna.” (Sua Pesquisa).
De certo modo o Mito da Caverna nos remete a cavernas emocionais da mente e da alma, locais onde muitas vezes ficamos presos e não conseguimos sair. Olhando não para a luz do dia diretamente, mas para sombras que estão dentro das nossas paredes interiores, passamos a ter uma visão distorcida do mundo, da realidade, de nós mesmos e do próprio Deus.
A depressão é um dos maiores males de nossos dias. O número de pessoas sofrendo desse mal é incontável. Precisamos entender o que é a depressão, e buscar recursos na Palavra de Deus para não mistificá-la, mas vencê-la.
Pensando no Mito da Caverna de Platão, e na história de Elias,
indagamos: o que acontece quando alguém desce rapidamente de uma grande
vitória a um vale de decepção e tristeza? Como compreender as subidas e
descidas emocionais pelas quais passamos? Até que ponto isso é normal?
Quando se detecta um estado de enfermidade? Até quando é aceitável "fugir" da
realidade isolando-se e escondendo-se?
Os capítulos anteriores revelam que Elias obtivera uma vitória
estrondosa contra os profetas de baal, no entanto no texto lido ele diz
“basta” (vs.4).
Medo, decepção e cansaço se apoderaram de Elias. Ele estava
notoriamente esgotado, estafado e estressado, se sentindo no “fundo do
poço”.
“Não parece ser o mesmo homem descrito no último capítulo (1 Rs 18:18-19,
36-38). Mas Deus, longe de o rejeitar e repreender, sabendo do fardo que ele carregava, enviou Seus anjos para
ministrarem conforto ao Seu servo esgotado. Elias era um herói da fé,
mas também era um vaso de barro. (2 Co 4:7; Tg 5:17).” (BVN).
O fato é que Elias estava em um profundo estado de depressão, que é
algo tangível tanto no aspecto emocional, físico, social e espiritual.
Analisaremos nessa mensagem: a depressão, seus sinais, causas e como
vencê-la. Tendo como base a história de Elias, enfatizaremos no
terceiro item, como vencer a depressão do ponto de vista espiritual,
isto é, a partir de um encontro com Deus.
1 – Detectando a depressão
Vamos analisar alguns sinais da depressão, mas é necessário entender
que nem sempre esses sintomas são necessariamente sinais de que alguém
está doente. Todos nós podemos passar por fases difíceis que
caracterizarão um estágio de depressão leve, e isso é normal na vida
humana. O que não é normal é viver SEMPRE assim, ou escalando e ficando cada vez pior. Obs.: alguns desses
sinais servem para detectar a depressão, mas também a promovem gerando
um círculo vicioso que precisa ser quebrado.
1.1 – Desânimo. Elias estava visivelmente desanimado com toda aquela
situação. Curiosamente ele vinha de um tempo de muito ânimo, vitórias e
encorajamento (ver 1 Rs 18). Vivemos uma época caracterizada pelo
desânimo. Isso é notório nas Igrejas sérias, pois as que comercializam
a fé e as que promovem festas estão sempre cheias, mas muitas IGREJAS
que anunciam a Verdade como ela é, passam por um tempo de esfriamento e
desânimo de muitos de seus membros. Isso nos chama a atenção, pois é
algo sintomático e que pode ser enquadrado na apostasia prevista por
Jesus em Mt 24:12 e em 1 Ts 2:3 e 1 Tm 4:1.
1.2 – Cansaço extremo. O cansaço emocional e psicológico são notórios
no depressivo, mas podem se tornar cansaço físico mesmo. É o que a psicologia classifica como somatização.
"A manifestação física de conflitos emocionais ou psiquiátricos, como ansiedade e depressão, onde a mente transforma estresse em sintomas corporais reais (dores, taquicardia, problemas gastrointestinais) sem causa orgânica aparente. É um transtorno que exige acompanhamento médico e psicológico para tratar a raiz emocional." (GMN).
Elias se deitou no
deserto debaixo de uma pequena árvore, na verdade um arbusto. O peso e o cansaço eram tão intensos que ele se entregou e dormiu. Mas Deus lhe mandou um anjo, ele acordou e dormiu de novo. Então o Senhor
mandou que o anjo lhe chamasse novamente e só aí ele recobrou suas forças
e caminhou de novo (1 Rs 19:4-6).
1.3 – Desejo de morrer. Elias em seu pior momento, em estado de
depressão profunda, chegou a pedir para si morte (1 Rs 19:4b). Há um
sentimento de desistência e derrota (“basta”, isto é “chega, não dá
mais!”). Porém, sejam quais forem os problemas, com Deus sempre dá
para continuar, pois Ele nos fortalece e dá vitória sobre esse sentimento de perda e tragédia.
1.4 – Isolacionismo / ostracismo (deserto, caverna). Como se não bastasse o
isolamento do deserto, ao chegar em Horebe, ele entrou em uma caverna
(1 Rs 19:9a). O isolamento por um certo tempo é até salutar, mas o que
se nota no texto é algo sintomático, note que ele caminhou quarenta
dias e quarenta noites no meio do deserto, até chegar nessa caverna.
Ele não desistiu de seu desejo e ficar só, mas insistiu sobremaneira
andando dia após dia, noite após noite naquele deserto.
O isolacionismo
traz consigo vários perigos comparados com os perigos de um deserto e
de uma caverna no meio do nada: serpentes e escorpiões, precipícios,
penhascos, fome e sede, ladrões e salteadores, e por fim, alguma fera
poderia estar escondida naquela caverna. Mas a obstinação de Elias era
tanta que ele não se importou com esses riscos. Ele não queria voltar.
1.5 – Autopiedade, autocomiseração. Não se pode confundir a autopiedade
com o amor próprio. Autopiedade seria então, amor próprio em excesso. É
aquele sujeito que tanto se ama que tem pena até de si mesmo. É lógico
que o amar alguém nos leva a ter pena, ou dó, de tal pessoa quando ela
sofre; o problema está no exagero. Elias teve tanta dó de si mesmo, que
chegou a pensar que somente ele havia permanecido fiel a Deus (1 Rs
19:10,14).
1.6 – Justiça própria. Ninguém precisa falar para Deus o que fez de
bom, pois Ele já sabe disso. O correto é darmos glória a Ele por tudo
que Ele nos permitiu fazer, e pedir perdão pelos erros cometidos. O que
vemos no texto é um homem enfraquecido que reclama para si algum
direito pelo trabalho realizado, e que se sente injustiçado pelas
perseguições e sofrimentos que passou (1 Rs 19:10,14 “tenho sido MUITO
zeloso”).
1.7 – Pensar que Deus não é justo conosco. As palavras de Elias revelam
outro fato presente no pensamento da maioria dos depressivos: Deus é o
culpado! Observando o texto em paralelo com diversos atendimentos a
pessoas depressivas, notamos essa vera semelhança: existe na mente de
muitos “Elias”, a ideia de que Deus os traiu, que o Senhor teria sido
injusto com eles, ou que o Todo-Poderoso, que é Santo, Santo Santo,
Onisciente, Onipotente e Onipresente, seja omisso para com a Sua
própria Lei. Pode parecer excesso, mas é o que há no fundo, no fundo,
desse pensamento. A resposta de Deus é precisa: Elias estava enganado,
pois o Senhor havia preservado sete mil crentes fiéis que não se curvaram a baal
(1 Rs 19:18).
2 – Causas da depressão
Analisaremos de forma rápida apenas alguns elementos que podem causar a
depressão. Lembre-se do que já foi dito, que a depressão tem várias
causas, e níveis a serem avaliados. Nos embasaremos no texto para
verificar apenas alguns deles.
2.1 – Excesso de trabalho. Uma das causas do stress, esgotamento e
depressão, é o excesso de trabalho sem o tempo adequado de descanso e
lazer. O homem moderno vive sem tempo para a família, para o descanso e
muitas vezes não tem tempo nem para Deus, ou para a Igreja. Se
examinarmos o contexto de Elias, poderemos concordar que ele vinha
fazendo horas extras há muito tempo.
2.2 – Tensão emocional. Essa sem dúvida é uma das grandes causas da
depressão. Viver sob pressão não é fácil, e muitos adoecem por causa do
ambiente carregado no trabalho, escola, trânsito, lar, e infelizmente
até Igrejas podem se tornar um campo de batalha, onde os pensamentos
divergentes são álibis para guerra e confrontação, desprezo e
humilhação. Certamente isso acabará mal! Elias viveu um tempo de
vitória, mas sob uma pressão emocional inimaginável, basta pensarmos
nas cenas de 1 Rs 18:24-29. Ele falou com Deus acerca das ameaças de
Jezabel (1 Rs 19:2-3;10b,14b), o texto dá a entender que ele temeu
Jezabel. Ele que lutara contra 450 homens, se deixou dominar pelo medo
de uma mulher. Isso é resultado de toda aquela pressão emocional.
2.3 – Morte e violência. O homem moderno convive com a violência, basta
ligar a TV e nos deparamos com guerras e rumores de guerras. Seja nos
países em guerra, Oriente Médio, guerra do tráfico, ladrões, altos índices de estupros, sequestros, violência
no trânsito, etc., vivemos em um mundo violento, a morte está em toda
parte. Isso causa em nós um profundo sentimento de impotência, nos
sentimos vulneráveis e indefesos diante de tanta maldade humana.
Naqueles dias o povo judeu passava por um tempo de enfraquecimento
religioso promovido por Acabe e Jezabel que eram adoradores de baal, considerado uma divindade.
“O supremo deus dos cananeus, responsável pela
germinação e crescimento da lavoura, o aumento dos rebanhos e a
fecundidade das famílias. Em tempos de seca e de peste,
sacrificavam-lhe vítimas humanas para apaziguar a sua ira (2 Rs 16:3;
21:6). Nesses holocaustos, a família geralmente oferecia o primogênito,
a vítima sendo queimada viva. No tempo de Acabe e Jezabel, o culto a
baal permeou a maior parte da nação (1 Rs 18:22; Rm 11:4).” (PEB).
Diante de todo esse ambiente de guerra, Elias ordenou a morte dos
profetas de baal, foram 450 execuções (1 Rs 18:40). Elias viu muito
sangue derramado, e ele próprio lutou em defesa de Israel.
Além disso tudo, há muito que se refletir sobre outras causas da
depressão: PATOLOGIAS, tragédias, abandono, solidão, desemprego, enfermidades, etc.
Porém, veremos a seguir, como se livrar da depressão, como vencer esse
gigante que tem derrubado tantas vidas.
3 – Vencendo a depressão
Depressão tem cura, há como vencer esse grande inimigo, se necessário
até através de um tratamento específico, medicamentos e terapias
médicas. Mas existe um meio de se vencer a depressão que todos devem
buscar praticar para vencê-la, seja em que nível estiver.
3.1 – Ouvir a voz de Deus. “E eis que lhe veio a palavra do Senhor,
dizendo: Que fazes aqui, Elias?” 1 Rs 19:9b. Os deprimidos têm a
tendência de se afastarem de Deus e se rebelarem contra Ele, cometendo
o erro de colocar a culpa de seus problemas em Deus. Nessa hora parece
até que Deus é o inimigo. Seria esse, ainda que em parte, o sentimento
de Elias? (1 Rs 19). Mas, graças a Deus, Elias ainda ouvia a voz de
Deus. Ainda que confuso, triste, deprimido, desistindo, não suportando
o fardo, ele ouviu a voz do Senhor. O Pai Celestial, em Sua infinita
graça foi ao encontro de Seu servo, e ele ouviu a voz do Senhor. Apesar
de estar em um momento tão complicado, Elias ainda tinha o seu coração
aberto ao Senhor, é isso que precisamos desenvolver em nossa caminhada,
não perder de vista o nosso foco que é Deus. Deus revelou-Se a Elias,
mas Elias tinha o seu coração aberto para ouvir a voz de Deus.
A crise
não pode nos afastar de Deus, o momento difícil não pode nos separar
dEle, pelo contrário, pode servir para nos aproximar mais de Deus, como
uma mola propulsora, um trampolim. Concordo com Charles Caldwell Ryrie
ao afirmar que Elias estava fugindo, buscando um lugar para esconder-se
(ABA). Mas ao mesmo creio que ele buscava um lugar para ficar a sós com
Deus, não qualquer lugar, mas “o monte Horebe (isto é, o monte Sinai),
o local original da revelação de Deus a Moisés” (BEG). Elias buscava
ter um encontro com Deus. A depressão não o impediu, mas o impulsionou.
Ainda que estando dentro da caverna, num ambiente escuro e tenebroso,
Elias ouviu a voz do Senhor, quando Este falou com ele. Para vencer a
depressão é necessário estar atento à voz de Deus, em leitura e
meditação constante em a Sua Palavra, buscando a Sua face com o coração
aberto para ouvir e pronto para obedecer.
3.2 – Temer a Deus.
“E ao ouvi-la, Elias cobriu o rosto com a capa e,
saindo, pôs-se à entrada da caverna.” 1 Rs 19:13a.
A caverna representa
o lugar de solidão, é um lugar escuro onde podem se esconder animais
peçonhentos, como cobras, escorpiões, etc., ou até animais selvagens e
ferozes. Metaforicamente entendemos que a caverna pode ser um lugar emocional ou físico, mas é perigoso e hostil, onde a depressão pode se agravar. Mas pode também ser
o lugar da visitação de Deus, pois Ele jamais desampara os Seus, mesmo
quando estes entram em cavernas. Qual é a sua caverna?
E quando Deus
falou com Elias, este ouvindo a voz do Senhor, saiu da caverna com o
rosto coberto com a seu manto, em sinal de temor e respeito ao Senhor, que lhe falara. Esse temor a Deus é um bom sinal, é sinal de
fé. Quando uma pessoa perder o senso de respeito e temor a Deus, pode
ser um sinal de rebeldia, fruto da incredulidade de quem não ouve a voz
que vem do alto. Para vencer a depressão é necessário viver sob o temor
de Deus, sabendo que Ele É e sempre será bom, misericordioso, amoroso,
mas também justo e santo, o Deus de Quem não se zomba, que É fogo
consumidor, que dá a vida e que tira a vida, que pode matar o corpo e
fazer a alma perecer no inferno, mas que pode salvar a alma e dar-lhe
vida eterna na glória. Esse é o nosso Deus! O temor de Deus nos mantém
firmes.
3.3 – Conhecer a Deus.
“¹¹ Disse-lhe Deus: Sai e põe-te neste monte perante o Senhor. Eis que passava o Senhor; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante do Senhor, porém o Senhor não estava no vento; depois do vento, um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto; ¹² depois do terremoto, um fogo, mas o Senhor não estava no fogo; e, depois do fogo, um cicio tranquilo e suave” 1 Rs 19:11-12.
Elias
conhecia o poder de Deus. Ele viu quando Deus derramou fogo sobre o
altar e consumiu o sacrifício, o altar e a água que havia em volta (1
Rs 18:38). Ele conhecia o poder do Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Mas
naquele momento, Deus revelou-se em um “cicio tranquilo e suave”, uma brisa leve, um ventinho.
O
conhecimento de Deus é fruto de uma vida a Seus pés. Ninguém pode
conhecer a Deus rapidamente, ou totalmente. Conhecemos a Deus em parte,
na medida em que Ele nos permite conhece-Lo, e na medida que O buscamos
e nos entregamos a Ele. Mas esse conhecimento é algo muito íntimo que se
desenvolve em nossos corações. Elias conhecia o Deus que derrama fogo
dos Céus, mas também reconheceu quando Deus manifestou-se de um modo
tão tranquilo e doce. Ele não desprezou aquele sussurro calmo e suave,
pensando ser cousa de somenos. Pelo contrário, Elias confiou nEle, por
conhecer a Deus soube que era Deus que estava ali, e se dispôs a
obedecer-Lhe.
3.4 – Obedecer a Deus.
“Disse-lhe Deus: Sai e põe-te neste monte perante o Senhor” 1 Rs 19:11a.
O que o Senhor disse a Elias?
Mandou que ele saísse da caverna. Não era para ficar naquela escuridão,
mas para sair e estar perante o Senhor. Observe a diferença, da
escuridão da caverna, do ostracismo, do lugar escuro e triste, para um
lugar algo e cheio da luz da presença de Deus. E Elias obedeceu, não
resistiu, não relutou, não deixou que as trevas do medo, dúvidas e sentimento de derrota o
destruíssem, mas saiu daquela caverna e colocou-se diante da luz do
Senhor.
Na maioria das vezes os que sofrem de depressão sabem o que
precisam fazer para sair desse labirinto de dor e sofrimento, mas
relutam em obedecer. As causas da depressão, em muitos casos tem origem
em algo que se fez e se persiste em fazer. A revolta e desobediência à voz de
Deus, que é tranquila e suave, pode afundar a pessoa nesse
lamaçal da depressão. A depressão não dá um passe livre para a revolta e o ódio, é preciso ouvir a voz de Deus e agir.
Elias estava assim, se afastando, se
distanciando, se revoltando, se escondendo, se afundando no escuro da
caverna. Mas quando o Senhor mandou que ele saísse, Elias obedeceu. E
em seguida o Senhor lhe deu mais ordens (vs.15-18), e Elias obedeceu.
Obedecer à vontade de Deus é o passo final que nos livra em definitivo
das garras da depressão. O que Deus tem falado com vc? O que lhe falta
fazer em obediência à vontade de Deus?
Conclusão
O mito da caverna nos ajuda a compreender em partes o que aconteceu com
Elias, e o que pode acontecer com qualquer pessoa. O que fazer então?
• Não ficar na caverna, ela pode até ter o seu valor
como o momento de estar a sós com Deus, mas entenda que ali não é o seu
lugar, você precisa sair dela. Vença o vitimismo, saia da caverna para viver, servir a Deus e ser feliz.
• Fale com Deus, se exponha, abra de verdade o seu coração. Mesmo que possa parecer ridículo ou
estranho falar certas coisas para Deus. Se exponha a Ele, peça a Sua
ajuda!
• Ouça a Sua voz (leia a Bíblia).
• Obedeça-O pela fé. Ele vai te ouvir, vai te orientar e te ajudar a sair da caverna.
• Nunca pense que Deus te abandonou, Ele jamais nos desampara. Elias
chegou a pensar que estava só, mas Deus havia preservado 7.000 pessoas
que não haviam se corrompido, e que oravam incessantemente.
• Não caia no ostracismo, sempre que necessário busque ajuda externa. Pode ser alguém da família, o pastor ou algum conselheiro capacitado, e até ajuda médica em casos mais extremos.
Deus te abençoe e te guarde!
SDG - Somente a Deus glória!!!
Referências:
BVN – Bíblia Vida Nova
ABA – A Bíblia Anotada
BEG – Bíblia de Estudo de Genebra
NTLH – Nova Tradução na Linguagem de Hoje.
BVN – Bíblia Vida Nova
ABA – A Bíblia Anotada
BEG – Bíblia de Estudo de Genebra
NTLH – Nova Tradução na Linguagem de Hoje.
PSVS
IPB Brasilândia 18/10/15
IPB Brasilândia 18/10/15
IPB IV Centenário 31/05/26


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