A Restauração do Culto ao Senhor


Monte Carmelo, Israel, hoje

"[...] Elias restaurou o altar do Senhor, que estava em ruínas." 1 Reis 18:30.


Estudo bíblico e sermão

1 Reis 18:20-40


Parte 1 - estudo bíblico

Para se entender bem o contexto da passagem lida é preciso compreender acerca da divisão das doze tribos de Israel. A divisão ocorreu após a morte de Salomão e passaram a formar dois reinos: um formado por Judá e Benjamim, chamado “Reino do Sul” e teve Jerusalém como capital; e outro formado pelas dez tribos restantes (Rúben, Issacar, Zebulom, Dã, Naftali, Gade, Aser, Efraim, Simeão e Manassés) chamado “Reino do Norte”, e Samaria foi sua capital. Obs.: sobre a localização geográfica da tribo de Simeão, ela estava localizada dentro do reino de Judá conforme Josué 19:1-9. 

Em 930 a.C., com a morte de Salomão, o seu filho Roboão se tornou rei em Israel. O texto bíblico mostra o descontentamento que havia se acumulado entre as tribos do norte, pelas excessivas cargas tributárias impostas ao povo durante o reinado de Salomão (1 Rs 12:3-4). Porém, em vez de atender às justas reclamações do povo, Roboão preferiu seguir o conselho dos seus conselheiros mais jovens e respondeu-lhes com desprezo e altivez (1 Rs 12:6-15). 

Diante disso, as tribos do norte, lideradas por Jeroboão, se revoltaram contra as tribos do sul. A consequência disso foi a instauração do reino de Judá no sul, com sua capital em Jerusalém, enquanto que no norte as tribos agrupadas em torno de Jeroboão formaram o reino de Israel. Os dois reinos existiram como estados independentes por pouco tempo. Dois séculos mais tarde, por volta do ano 721 a.C., Israel caiu sob a dominação assíria e, cerca de um século e meio depois, em 586 a.C., Judá caiu sob o poder do império neobabilônico.

O Primeiro livro dos Reis narra as circunstâncias em que se deu a ruptura da unidade nacional. De modo paralelo, o livro traz as histórias de Judá e Israel, separadas para sempre e incapazes de superar sua hostilidade mútua. Os reis de um e outro reino aparecem alternadamente seguindo a respectiva ordem dinástica. (A Bíblia de Genebra).

Parece que o inimigo tentava a todo custo destruir a descendência de Davi, de onde viria o Messias, pois houveram vários desdobramentos após essa divisão entre os reinos do norte e do sul, conforme relatado abaixo.

A situação política de Israel sempre padeceu de grande instabilidade. Nos seus pouco mais de dois séculos de existência, o reino teve nove dinastias, num total de dezenove reis, muitos dos quais chegaram ao trono por meios violentos. Em Judá, ao contrário, os reis que foram se sucedendo ao longo dos três séculos e meios de permanência do reino eram todos descendentes de Davi, com exceção da rainha Atalia, filha de Acabe e Jezabel, reino de Israel (norte), conhecida por sua crueldade e promoção do culto a Baal. Casou-se com Jeorão, rei de Judá (sul), selando uma união diplomática entre Israel e Judá. Porém, após a morte de seu filho Acazias, tendo usurpado o trono, conseguiu manter-se nele durante cerca de seis anos (842-837 a.C.). Ela assassinou a descendência real de Davi para assumir o trono, com exceção de Joás, que ficou escondido numa câmara interior da Casa do Senhor. Atalia foi deposta e executada após seis anos por ordem do sumo sacerdote Joiada (2 Rs 11:1-3). (A Bíblia de Genebra).

Após essa visão um pouco mais abrangente acerca da divisão do povo de Deus em dois reinos, sul e norte, procuraremos focar um pouco mais a nossa visão nas tribos do norte, entre o ano 930 a.C. o ano da divisão, e o ano 853 a.C. que marca o final do reinado do rei Acabe, no reino do norte, Israel. 

Desde a separação dos dois reinos, Israel teve maus reis:

1 - Jeroboão (930-909 a.C.) - um pagão - 1 Rs 12:25-14:20.

- 1 Rs 12:28 fez dois bezerros de ouro para Israel os adorar. Ele quis superar Arão tinha feito um bezerro.

- 1 Rs 13:1-32 o encontro como homem de Deus. Essa é uma parte singular e merece uma atenção especial numa mensagem. Note alguns pontos interessantes da história desse profeta que são muito relevantes acerca da nossa própria jornada de serviço a Deus. (1) Deus o mandou para uma missão um tanto quanto perigosa e ele não sentiu medo. (2) Ele cumpriu a missão conforme Deus ordenara e Deus coroou essa missão com um milagre. (3) Ele obedeceu a primeira e a segunda ordem de Deus, que era voltar por um outro caminho, mas num determinado ponto do caminho ele resolveu parar e sentar debaixo de uma árvore, isso me foi fatal. (4) Do nada aparece um profeta velho e diz para ele que um anjo dera instruções para ele voltar e se alimentar naquele lugar. Porém havia uma ordem contrária da parte de Deus que não era para ele comer e nem beber água ali. Esse foi o segundo grande erro daquele profeta: desobedeceu a Deus, voltando atrás no seu caminho, comeu e bebeu onde Deus ordenara não fazer isso. (5) No momento em que ele comeu o Senhor o avisou que ele não voltaria para casa. Ao seguir em frente o seu caminho de volta para Judá, o Senhor enviou um leão que o matou. Quando o profeta velho soube que o homem de Deus havia morrido foi até o local e encontrou o leão e o jumento deitados ao lado do cadáver. O leão não devorou o corpo do profeta e não destroçou o jumento. O velho profeta pegou o corpo daquele homem de Deus, o sepultou e pediu a seus filhos que quando ele morresse queria ser sepultado junto aos ossos daquele que verdadeiramente era um homem de Deus.

- 1 Rs 13:33-34 Jeroboão elevou pessoas ao sacerdócio aleatoriamente. Esse sacerdócio não era nada direcionado ao louvor de Deus e sim ao paganismo. Tanto que o Senhor resolveu eliminar a sua casa, ou seja, a sua descendência (1 Rs 14:6-11). 

Lugares altos 1 Rs 13:33. “Ou seja, nos santuários no alto das colinas. Ao entrarem na terra de Canaã, os israelitas deveriam ter abolido todos os altos dos cananeus (Nm 33:52; Dt 7:5; 12:3) e construído seus próprios centros de culto ou altares em locais aprovados por Deus (Ex 20:24; Jz 6:24; 13:19; 1 Sm 7:17; 9:12-13). Essa adoração em certos locais sancionados seria considerada aceitável até o tempo em que o santuário central, do qual Dt 12 trata em detalhes, fosse construído. Veja CFW 21.1. (A Bíblia de Genebra).


2 - Nadabe (909-908 a.C.) - fez o que era mau e seguiu os caminhos de seu pai Jeroboão - 1 Rs 15:25-31.


3 - Baasa (908-886 a.C.) - assassinou Nadabe e usurpou o trono matando toda a descendência de Jeroboão (1 Rs 13:34; 1 Rs 14:6-11). Fez o que era mau e andou nos caminhos de Jeroboão - 1 Rs 15:27-30, 33-34.


4 - Elá (886-885 a.C.) - foi morto por seu servo Zinri - 1 Rs 16:8-9.


5 - Zinri (885 a.C.) - matou todos os descendentes de Baasa e também irritou o Senhor com seus ídolos - 1 Rs 16:10-20.


6 - Tibni (885-880 a.C.) - reinou dividindo o reino com Onri, mas morreu - 1 Rs 16:21-22.


7 - Onri (885-874 a.C.) - foi um dos reis mais importantes de Israel. Fortaleceu o reino por meio de alianças e conquistas e fez de Samaria a capital de Israel. Fez pior do que todos antes dele (1 Rs 16:25) - 1 Rs 16:23-28. 


8 - Acabe (874-853 a.C.) - tentou unificar os elementos israelitas e cananeus, o que pôs em risco a aliança com Deus. Acabe foi o 7º rei de Israel (aprox. 874-853 a.C.), filho de Onri, conhecido na Bíblia por ser um monarca politicamente forte, mas espiritualmente infiel. Sob forte influência de sua esposa Jezabel, ele promoveu ativamente o culto a Baal e perseguiu profetas, entrando em conflito direto com Elias. Governou com sucesso militar contra a Síria, mas teve um reinado marcado pela idolatria e injustiças. (1 Rs 16:29-22:40).


Conclusão

A idolatria do pecado está a um passo de distância.

O neo paganismo (diabo, demônios) está adentrando muitas igrejas.

Músicas, doutrinas, usos e costumes, objetos, símbolos, etc.

A vida de pecado também é idolatria, das bravas.

A nossa luta não é contra o sangue e a carne (Efésios 6:12)

O altar do Senhor precisa ser mantido de pé, em restauração constante (sermão).


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A Restauração do Culto ao Senhor

1 Reis 18:20-40

Parte 2 - sermão


Como vimos anteriormente, o ambiente em Israel no período de Elias era muito hostil e até perigoso para os servos do Deus vivo. O paganismo e a adoração a baal (demônios) haviam crescido absurdamente em Israel e o remanescente fiel sofria as agruras e a perseguição de uma nação desviada da Verdade. 

Isso ocorreu mais explicitamente a partir da divisão entre as tribos do norte e as do sul, mas penso que a admiração pelas trevas já estava dentro daqueles que se submeteram à religião oficial imposta e declarada a partir de Jeroboão. Pois esse é o método que o inimigo sempre usa para enganar os incautos e fracos na fé: a atração e admiração pelas coisas más, depois da sua prática. Aí está o laço do diabo, livre-se dele.

Mas foi no reinado de Acabe que Elias apareceu, isso está registrado a partir do capítulo 17:1.

Elias foi um profeta do Antigo Testamento que tinha a missão de chamar o povo de Israel ao arrependimento e combater a idolatria. Ele ficou conhecido por desafiar os profetas de Baal, onde Deus mostrou seu poder ao enviar fogo do céu, e por subir ao céu sem morrer. A história de Elias está registrada em 1 Reis 17 a 2 Reis 2, com menções em outros livros, como Malaquias e no Novo Testamento. (Bíblia On).

Nessa mensagem veremos o que podemos aprender e destacar acerca dos fatos ocorridos no Monte Carmelo entre Elias e os profetas de baal, o que isso tem a ver conosco hoje na igreja do século 21, e o que podemos aprender sobre a vontade de Deus em nossas vidas individualmente e como igreja.


1 - Coragem para não aceitar, mas confrontar o mal (vs.20-29)

Elias não se deixou vencer pelo medo ou pela covardia. Diante da situação caótica estabelecida em Israel ele cumpriu as ordens do Senhor e confrontou o sistema de pecado com a palavra de Deus. O medo de confrontar o mal é pecaminoso perante Deus, pois aquele que sabe do erro e não faz nada não somente está deixando o seu irmão cair na ira de Deus, mas torna-se cúmplice no mesmo pecado e obviamente também se torna réu diante do tribunal eterno (Rm 1:32).

O que fazer?

- Falar com as pessoas e expor o erro, não para humilhar, mas para orientar.

- Seguir as orientações de Mt 18:15-20

- Lutar pela obra e honrar o nome do Senhor 1 Sm 2:30b.

- Silêncio se transforma em aprovação e cumplicidade Rm 1:32


2 - Organizar e orientar o culto ao Senhor (vs.30-35)

- Restauração do altar do Senhor (vs.30)

- Organização, orientação (31-33)

- Submissão (vs.34-35)


3 - Clamar e esperar o agir de Deus (vs.36-38)

- Essa oração tem o reconhecimento sincero de quem Deus é e quem se é perante Ele (vs.36)

- Essa oração tem o clamor objetivo pela intervenção de Deus, isso é invocação ao Soberano Senhor (vs.37)

- Essa oração tem a resposta do Senhor (vs.38)


Conclusão

Deus sempre age em resposta à oração e ao clamor sincero e cheio de fé.

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