A Teologia do Pacto das Obras
“E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” Gênesis 2 16 e 17.
O Pacto das Obras – O Fundamento da Justiça e a Necessidade de Cristo
A Teologia do Pacto das Obras nos ajuda a compreender a ordenança soberana original de Deus com a humanidade e como ele aponta para a obra vicária de Jesus.
I. Introdução: O que é o Pacto das Obras?
* Definição. É o pacto que Deus fez com Adão, como representante (federal / cabeça) de toda humanidade, prometendo vida eterna mediante a condição de obediência perfeita e pessoal.
* Terminologia. Também chamado de Pacto da Vida, Pacto da Criação ou Pacto Legal.
* A lógica reformada. Deus não deve nada à criatura por natureza. Para que o homem alcançasse a bem-aventurança eterna, Deus voluntariamente Se "rebaixou" através de um pacto (condescendência voluntária).
* Referência confessional. Confissão de Fé de Westminster, Capítulo VII, Seção I.
Tão grande é a distância entre Deus e a criatura, que embora as criaturas racionais Lhe devam obediência como ao Seu Criador, nunca poderiam fruir nada dEle como bem-aventurança e recompensa, senão por alguma voluntária condescendência da parte de Deus, a qual foi Ele servido significar por meio de um pacto. Jó 9 32 e 33; Salmos 113 5 e 6; Atos 17 24 e 25; Lucas 17 10.
II. Fundamentação Bíblica
O termo "pacto" pode não aparecer explicitamente em Gênesis 2, mas todos os seus elementos jurídicos estão lá:
1. As Partes: Deus (o Senhor Soberano) e Adão (o súdito e representante "federal" da humanidade).
2. A Condição: obediência total.
* Gênesis 2 16 e 17. O mandamento de não comer da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal testava a submissão de Adão à vontade revelada de Deus.
* Gálatas 3 12 "O homem que fizer estas coisas por elas viverá", e Levítico 18 5.
3. A promessa pelo cumprimento do p5acto: VIDA! Simbolizada pela Árvore da Vida. A vida oferecida não era apenas a manutenção da existência, mas a confirmação em um estado de glória imutável.
4. A penalidade pelo descumprimento do Pacto: MORTE! "No dia em que dela comeres, certamente morrerás". Morte física, espiritual (separação de Deus) e eterna (castigo eterno).
5. Prova Profética do Pacto: Oseias 6 7: "Mas eles transgrediram a aliança (pacto), como Adão; eles se portaram aleivosamente contra Mim". Este texto confirma que o arranjo no Éden era, de fato, um pacto.
III. Desenvolvimento Histórico e Confessional
Como essa doutrina se consolidou na Igreja:
* Agostinho vs. Pelágio. A base surgiu na defesa de Agostinho sobre o pecado original e a queda de Adão como cabeça da raça humana.
* A Reforma Protestante. Embora Calvino usasse o conceito, a sistematização ocorreu com a "Teologia Federal" no século XVII (Ursinus, Turretini, Cocceius).
* As Confissões:
Catecismo Maior de Westminster, Pergunta 20, ensina que Deus deu a Adão uma Lei como pacto de vida.
20. Qual foi a providência de Deus para com o homem no estado em que ele foi criado?
A providência de Deus para com o homem no estado em que ele foi criado consistiu em colocá-lo no Paraíso, designando-o para o cultivar, dando-lhe liberdade para comer do fruto da terra; pondo as criaturas sob o seu domínio; e ordenando o matrimônio para o seu auxílio; em conceder-lhe comunhão com Deus, instituindo o dia de descanso, entrando em um pacto de vida com ele, sob a condição de obediência pessoal, perfeita e perpetua, da qual a Árvore da Vida era um penhor, e proibindo-lhe comer da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, sob pena de morte. Gênesis 1 28; 21 15 16 e 26; 3 8; 2 3, Êxodo 20 11; Gálatas 3 12; Gênesis 2 9, 16 e 17.
Cânones de Dort: Reforçam a incapacidade humana após a quebra deste pacto.
Ponto Chave: A importância da Representação Federal. Adão não agiu como um indivíduo isolado, mas como o "Cabeça" da humanidade. Quando ele caiu, nós caímos nele (Romanos 5 12 e 19).
IV. Conclusão - O Pacto das Obras e o Evangelho
Muitos perguntam: "O Pacto das Obras acabou após a queda?" A resposta reformada é NÃO!
1. A exigência continua. Deus não baixou Seu padrão. A justiça ainda exige obediência perfeita para a vida.
2. O Segundo Adão (Cristo). Jesus veio para cumprir o Pacto das Obras que nós quebramos.
* Obediência Ativa. Cristo viveu a vida perfeita que Adão deveria ter vivido (Mateus 3 15).
* Obediência Passiva. Cristo pagou a pena de morte exigida pelo Pacto (Gálatas 3 13).
3. Aplicação. Nós somos salvos pelo Pacto da Graça, mas a base desse benefício é que Cristo guardou o Pacto das Obras em nosso lugar. A justiça dEle nos é imputada.
4. Destaque: A diferença entre "Lei" e "Pacto". A Lei é a exigência; o Pacto é o compromisso de Deus em dar a vida mediante essa Lei.
5. Citação Final: "O que Adão perdeu por sua desobediência, o Segundo Adão recuperou por Sua obediência". (Conceito clássico de puritanos como John Owen).
SOLI DEO GLORIA!!!
Bibliografia reformada:
- Confissão de Fé de Westminster (Capítulo VII).
- Teologia Sistemática – Louis Berkhof: Parte II, Capítulo 1.
- O Cristo dos Pactos – O. Palmer Robertson.
- Cristo e a Teologia do Pacto – Cornelis P. Venema.
- Monergismo - Teologia do Pacto.
IPB IV Centenário 19/04/26
psvs

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