A Quarta Palavra da Cruz - Desamparado Por Amor




“Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?” Mateus 27 46.

As palavras da Cruz de Cristo revelam o Seu altruísmo, o amor ágape e a Sua compaixão. Elas revelam a essência da missão de Cristo, o amor incondicional de Deus e a vitória sobre o pecado e a morte. Elas transformaram o sofrimento do Messias em um momento de revelação, misericórdia e perdão.

Nessa, que é a quatro palavra, vemos o sofrimento de Cristo, o DEUS-HOMEM, Sua vitória e triunfo na Cruz, e Seu sacrifício perfeito. Perfeitamente homem Ele sofreu emocional e fisicamente como ninguém. Perfeitamente Deus Ele sofreu espiritualmente o peso, a culpa, a penalidade e a dor de nossos pecados.

Relembre o que fizeram com Jesus, na trajetória que Ele percorreu até a Cruz:

- Traído por Judas Iscariodes e preso de madrugada, quando estava orando no Jardim do Getsêmani, na companhia de Seus discípulos (mas eles não conseguiram manter-se acordados, Mt 26 40). 
- Julgado injustamente por judeus e romanos.
- Condenado à morte por crucificação.
- Crucificado com dois ladrões. 

Antes da crucificação foi surrado ostensivamente pelos soldados romanos. Ele estava muito ferido, machucado, com vários cortes pelo corpo, dilacerado e sangrando. Quando O chicotearam, partes de sua pele e de sua carne foram arrancadas, porque o chicote usado pelos soldados tinha pedaços de ossos e metais nas pontas. Ele sofria terríveis dores. Ele foi ultrajado, humilhado, zombado. Para completar a Sua dor, colocaram nEle uma coroa de espinhos pontiagudos que se encravaram em Sua cabeça fazendo-O sangrar e sofrer ainda mais.

Relembrando as três primeiras palavras:

1ª palavra - “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” – Intercessor.
2ª palavra - “Em verdade te digo que hoje estarás Comigo no Paraíso” – Salvador.
3ª palavra - “Mulher, eis aí o teu filho” ... “Eis aí tua mãe” – Provedor.

A quarta palavra faz parte do bloco das palavras finais da Cruz de Cristo. Jesus já estava crucificado há cerca de três horas, desde o meio-dia até esse horário que era a hora nona, ou seja, 15h00 no nosso fuso horário. 

Misteriosamente houve trevas nesse período das 12 às 15 horas. Que trevas seriam essas? Teria Deus permitido aos homens visualizarem o que ocorria ali no mundo espiritual? Seriam essas trevas a negridão e o horror dos pecados lançados sobre Ele? 

Sofrendo Seus últimos momentos na Cruz, Ele demonstrou em Sua natureza humana, um misto de dor e aflição, ao sentir-Se desamparado por aquEle que jamais O deixara desde a eternidade. Conforme profetizado nas palavras dos Salmos 22 1 Ele disse:

“Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?” Mateus 27 46b.

Aqui temos uma citação de Salmos 22 1 em sua forma aramaica (exceto que "Eloi" em Marcos 15 34, foi reconvertido aqui para o hebraico "Eli"). Este clamor reflete o abandono experimentado por Jesus ao tomar sobre Si os nossos pecados (2 Coríntios 5 21). (A Bíblia Anotada).

Logo em seguida Lhe deram a beber vinagre em uma esponja, cumprindo-se também o que fora profetizado nos Salmos 69 21. 

"Por alimento me deram fel e na minha sede me deram a beber vinagre."

Segundo alguns estudiosos, o fel, ou vinagre, serviria como um tipo de anestésico. 

O fel pode referir-se a ervas amargas. Mc 15 23 menciona a mirra. A combinação de mirra com vinho é geralmente entendida por comentaristas modernos como sendo narcótica. Por isso Jesus recusou, uma vez que ele queria estar totalmente consciente. A oferta do fel em Mc 27 48, porém, não foi um gesto de compaixão, mas um tormento adicional, como citado em Sl 69 21, que é aqui cumprido. A sede de Jesus deveria ter sido muito grande, mas o fel era intragável. (Bíblia de Estudo de Genebra).

A dor que Ele sentiu é inimaginável, pois não era somente uma dor física. Se assim fosse já seria a dor mais terrível que um ser humano suportou, porém era a minha e a sua dor, aquela era a nossa Cruz, nossa coroa. Ali estava todo o peso dos nossos pecados; e Ele tudo sofreu, tudo suportou, tudo pagou por amor a nós.

Jesus estava totalmente desamparado, humilhado, e agora Ele sentiu uma dor que ainda não havia sentido e que jamais sentirá: a dor do desamparo Divino. 

Amparo = apoio, defesa, presença, proteção. Então, por que o Pai o desamparou? Por que O deixou? Por que Ele precisou ser deixado tão só naquela Cruz? Conforme Isaías 59 1 e 2 os pecados nos separam de Deus. Jesus não cometeu pecado nenhum, mas ali na Cruz Ele levou e suportou o peso da culpa, da condenação e da ira de Deus sobre o pecado. NOSSO pecado!

Sabemos que Deus não O defendeu e até Se retirou dEle, porque Ele levava sobre Si naquela Cruz, todo o nosso pecado, toda a nossa iniquidade. E se Deus interviesse e O livrasse daquela Cruz maldita, todo o plano de Deus para salvar o Seu povo estaria acabado.

Em Mt 26 53 e 54 quando Jesus foi preso Ele mesmo disse:

“Ou pensas tu que Eu não poderia agora orar a Meu Pai, e que Ele não Me daria mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?”

E também em João 10 17 e 18 Ele já havia dito: 

“Por isto o Pai Me ama, porque dou a Minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de Mim, mas Eu de Mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de Meu Pai.”

Ali se cumpria o que está escrito em Isaías 53 5:

“Mas Ele foi traspassado pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas Suas pisaduras fomos sarados.”

Obs: pisaduras = contusões, ferimentos.

Deus é santíssimo, e nesse momento, o Deus Pai afastou-Se dEle porque Deus não poderia contemplar o nosso pecado que estava sobre Ele.


1 – Jesus suportou a pior das dores, o pior sofrimento, que foi estar separado do Pai Celeste

Como vimos, o grito desolado de Jesus é o cumprimento de Salmos 22 1, mostrando a profundidade do sofrimento que Ele experimentava ao sentir-Se separado de Seu Pai. Posteriormente, os Apóstolos perceberam que Jesus estava suportando o horror da ira do juízo de Deus sobre o pecado. Este foi, de todos, o mais agonizante dos sofrimentos daquEle cujo relacionamento com o Pai era perfeito em amor desde a eternidade. (Bíblia de Estudo de Genebra).

Jesus é ao mesmo tempo perfeitamente Homem, e perfeitamente Deus. Ele traz em Si duas naturezas, a divina e a humana. Como Deus que Ele é, sabia de sua missão e a obra que tinha sobre Si. Mas como Homem, sofreu amargamente aqueles momentos na Cruz, onde o tempo parecia que não queria passar. Se o inferno é estar separado de Deus, então Jesus sofreu horrores infernais naquele momento, pois o Pai Se ausentou dEle, o Pai virou o Seu rosto e não olhava mais para Ele naquele momento de profunda dor e solidão. Não que o Pai Se agradasse disso, mas foi por amor que Ele assim o fez, conforme conhecemos o que está revelado em João 3:16. E Jesus passou por isso em nosso lugar, pois agora, jamais o Pai nos abandona, Ele sempre está conosco através do sacrifício de Jesus.


2 – Jesus não Se rebelou contra o Pai, mas confiou em Seu plano eterno e em Seu amor

Mesmo estando sob tamanho sofrimento e desamparado, mesmo sofrendo terrivelmente dores e horrores espirituais, Ele disse: “DEUS MEU, DEUS MEU”!!!

Jesus não deixou o Pai, Ele disse: “Deus MEU, Deus MEU”. Mesmo sofrendo o maior de todos os sofrimentos que alguém sofreu, e até sentindo-Se desamparado como Ele estava, mesmo estando só e aflito, em meio às trevas que cobriram a Terra, e pregado na nossa Cruz, Ele ainda se referiu a Deus dessa forma: “Deus MEU”, ou seja: “Tu és o MEU Deus”. Ele sabia que depois de tudo aquilo que Ele estava passando, que depois de Seu sofrimento Ele iria ressuscitar e seria recebido na glória celestial. Apesar de tudo que passou Ele não desistiu, não Se rebelou, não Se irou contra aquEle que permitia todo Seu sofrimento, pois Ele sabia que havia um objetivo naquilo tudo, e que todo aquele sofrimento era necessário para que se cumprisse o plano eterno da salvação de Deus para todo o Seu povo. Ele creu que Deus era suficiente para sustenta-lo.


Conclusão

Jesus honrou ao Pai. Como encaramos a questão da honra em nossos dias? Honrar a Deus é não se rebelar, não abandonar a fé, não se vender, mas ter caráter e integridade.

Entendamos essa dimensão do amor do Pai, que sacrificou o próprio Filho para nos salvar. Não se trata de fábulas ou mitos, esse é um amor real e verdadeiro. Qual é a nossa resposta a esse amor?

Abracemos firmemente a nossa salvação e a nossa comunhão com Deus. Ela é mais preciosa do que ouro, vale mais do que tudo em nossas vidas. Busquemos ter um relacionamento mais vivo e abundante com o Senhor.

Nós jamais seremos desamparados como Ele foi. Jesus passou por tudo isso para nos livrar. Alegremos e regozijemo-nos nEle!

Estejamos alertas para as consequências nefastas para quem não abraçar esse amor, para quem se desviar pelo caminho. 

“Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos. Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio de anjos, e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram.” Hebreus 2 1 a 3.

Ainda que passemos por provações, creiamos na realidade de que Deus é o nosso Deus. Não o abandonemos JAMAIS, mas falemos com Ele como Jesus falou, “Deus Meu, Deus Meu!”.


SDG - Soli Deo Gloria!!!

Material de apoio: A Bíblia Anotada; Bíblia de Genebra.

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