ASPECTOS GERAIS DO CHAMADO MISSIONÁRIO NO CHAMADO DE JEREMIAS

IPB de Vila Gerti - S.C.Sul / SP
EBD 12.06.11 

Texto Jeremias 1:1-10
1  Palavras de Jeremias, filho de Hilquias, um dos sacerdotes que estavam em Anatote, na terra de Benjamim; 2  a ele veio a palavra do SENHOR, nos dias de Josias, filho de Amom e rei de Judá, no décimo terceiro ano do seu reinado; 3  e também nos dias de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, até ao fim do ano undécimo de Zedequias, filho de Josias, rei de Judá, e ainda até ao quinto mês do exílio de Jerusalém. 4  A mim me veio, pois, a palavra do SENHOR, dizendo: 5  Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações. 6  Então, lhe disse eu: ah! SENHOR Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança. 7  Mas o SENHOR me disse: Não digas: Não passo de uma criança; porque a todos a quem eu te enviar irás; e tudo quanto eu te mandar falarás. 8  Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o SENHOR. 9  Depois, estendeu o SENHOR a mão, tocou-me na boca e o SENHOR me disse: Eis que ponho na tua boca as minhas palavras. 10  Olha que hoje te constituo sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares e derribares, para destruíres e arruinares e também para edificares e para plantares.

Parte 1 - Quanto ao preâmbulo do chamado

Geralmente quando pensamos na vocação ou chamado missionário de Deus, pensamos que é necessário um grande estrondo. Pensamos que Deus irá aparecer no céu com um grande despertador tocando e nos dizendo está na hora, vamos trabalhar por mim. Aguardamos experiências mirabolantes para termos certeza de que fomos chamados ou não. Porém, dentro da perspectiva de Deus, o chamado missionário, como o chamado regenerador, vem por meio da sua própria Palavra. Foi assim com os profetas, discípulos, apóstolos e com todos que ele chamou.

A - vem por meio da Palavra do SENHOR v.1-3
No período teofânico ele mesmo chamou por meio da sua palavra, audível e específica, à Noé, Abraão, Jacó, Moisés...; no período profético ele chamou por meio da sua palavra, recebida por sonho ou visões, a todos que foram usados por Ele, inclusive Jeremias (Jr 1.2,4); nos dias de Jesus o próprio Deus encarnado, o próprio Verbo (logos) chamou por meio de sua palavra, audível e irresistível, a todos os seus discípulos; e hoje, após o período revelacional Ele chama por meio da sua Palavra escrita a todos os que ele já regenerou, também por meio de pregação da sua Palavra (1Pe2.9). Na verdade, todos nós já fomos chamados para a obra missionária, pois, o chamado de Deus, também nessa premissa, é a aplicação da sua eleição.

B - é a aplicação da eleição divina v. 4-5a
Isso fica claro no chamado de Jeremias quando Deus diz: “Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei,” . Deus não nos chama porque se afeiçoa com nossa personalidade e nossos atos, ou nosso perfil de liderança ou coisa do tipo como se dissesse: “Este rapaz ou esta moça é perfeita para a obra que quero realizar no Sudão...” Não! Ele em sua soberania e eternidade já havia determinado a minha e a vossa vocação.

C - visa um fim determinado (profeta às nações ) v. 5b
Mais uma vez, a vocação de Jeremias exemplifica, veja o final do verso 5: “e te constituí profetas às nações”. Antes de tudo, Deus já havia traçado e determinado a vocação de Jeremias e isso acontece com cada um de nós. Porém, apesar da determinação divina, eu em minha “livre agência”, sou responsável pela minha postura diante do chamado explícito da Palavra de Deus. Chamado para servir, para proclamar as virtudes daquele que me tirou das trevas e me trouxe para a luz. Logo, sou responsável pela minha resposta ao chamado de Deus.


Parte 2 - Quanto a reação humana

E é comum uma reação de repúdio ao chamado de Deus. Na nossa “incapacidade” procuramos de modo lógico tornar Deus “incapaz” demonstrando que seu chamado, baseado na eleição, soberano e realizado na eternidade não foi uma boa escolha. Nos contrapomos ao chamado de Deus.

A - Contraposição v. 6a
Na maior da ingenuidade dizemos: “ah! SENHOR Deus!”, como se tivéssemos alguma coisa mais importante que nos impedisse de realizar o chamado. É do tipo quando alguém nos convida para uma atividade e fazemos cara de “puxa vida!” e apresentamos nossa justificativa e explicação, as vezes até mesmo culpando aquele que está convidando: “se você tivesse falado antes, ou, agora não tem jeito, talvez em outra oportunidade, mas não fique chateado, um dia vai dar certo, você vai ver”. Moisés, Isaías, Jeremias são exemplo disso.

B - Justificativa v. 6b
Nossa convicção de que estamos nos desculpando bem é tão grande que apresentamos logicamente o que nos justifica em não aceitar ou contrapor. Jeremias disse: “Eis que não sei falar,”, e nessa linha de raciocínio inventamos várias justificativas e apresentamos para Deus, na certeza que Ele vai entender que falhou ou que não fez uma boa escolha. E antes, que o próprio Deus nos interrompa o raciocínio, imediatamente explicamos o motivo justificado.

C - Explicação v. 6c
“porque não passo de uma criança”. Ufah! Espero que com minha cara de “puxa vida!”, minha justificativa real corroborada pela explicação lógica, Deus entenda e me deixe fora dessa. Na nossa cabeça todas as nossas justificativas e explicações são válidas e algo realmente importante, ao ponto de Deus nos liberar da missão. No próprio ministério terreno de Jesus, vimos a utilização dessa técnica persuasiva por parte do homem e em resposta Cristo afirma: “Se alguém vem a mim, e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.”, e as exigências continuam como certamente você conhece (Lc 14.25-33; 9.23-27). Deus não aceita nossa postura de contraposição, nossa justificativa mesmo com as melhores das explicações, porque Ele nos conhece a todos.


Parte 3 - Quanto a posição de Deus (atributos)

Ele, mesmo em sua bondade, nos confronta e diz: “Não digas” como se olhasse bem em nossos olhos e nos desmascarasse. E a base desse desmascarar de Deus está em seus atributos incomunicáveis.

A - Onisciência v. 7a (sabe tudo e nos conhece)
“Não digas...” pois Eu sei de tudo e conheço a todos, Sou onisciente! Sei dos seus sonhos, suas limitações, seus temores, suas dificuldades e vou supri-los à medida da sua obediência.

B - Onipotência v. 7b (soberano e comanda nossa vida)
Pois, sobre mim está todo o poder e Eu comando tudo e todos para realizar da minha vontade decretiva e soberana. Por isso, “Não digas...”, obedeça!

C - Onipresença v. 8 (esta diante de todos e anda conosco)
Obedeça sabendo de que Eu estou diante de todos e ando contigo para te livrar. Confie!

Parte 4 - Quanto a ação de Deus (providência) 


Deste modo, após sermos desmascarados, devemos obedecer e confiar em Deus, pois, Ele não nos deixará e nos conduzirá como prometeu à Jeremias, aos discípulos e conseqüentemente a nós.

A - capacitação v. 9 (dando dons)
Sua companhia e sua proteção serão demonstrados em sua atuação sobre nós, em primeiro lugar nos capacitando para a obra que nos chamou, ou seja, nos dando dons para execução do ministério. Isso fica claro quando o verso 9 de Jeremias cap. 1 declara: “Depois, estendeu o SENHOR a mão, tocou-me na boca e o SENHOR me disse: Eis que ponho na tua boca as minhas palavras.”

B - Ordenação 10a (dando autoridade/poder)
Em segundo lugar vemos a ação de Deus sobre nós, dando-nos autoridade e poder, através da nossa ordenação: “Olha que hoje te constituo sobre as nações e sobre os reinos,”. Estas palavras demonstram que diante da ordem dada o Senhor outorgou autoridade para realizar a missão e poder para realizá-la com vigor, sem temor dos homens e do mal.

C - enviando 10b (dando instruções)
E em terceiro lugar, Deus age delimitando milimetricamente as instruções. Ele não nos chama, não nos capacita, nem nos dá autoridade para realizarmos algo que não sabemos ou a mercê da nossa criatividade decaída, Ele nos dá suas instruções: “...para destruíres e arruinares e também edificares e para plantares.”. Deus nós chama para glorificá-lo e nos assegura que o ministério é bastante variado.

Conclusão 


Fazemos parte de uma geração privilegiada, pois enquanto que em determinados momentos da história, Deus tinha pessoas específicas para realização da sua missão, em nossos tempos, todos somos sacerdotes, servindo ao Deus Santo, pelo novo caminho aberto pelo nosso Sumo sacerdote, Cristo Jesus. Hoje pesa sobre todos os crentes o chamado para sermos missionários, constituídos sobre as nações e sobre os reinos. Não existe justificativa ou explicação convincente, pois, Deus nos promete sua companhia constante, seu atuar protetor e libertador. Deus não nos chama para um missão inconseqüente, Ele tem tudo planejado e estará sempre ao nosso lado, para inclusive, nos auxiliar no cumprimento da missão determinada. Estejamos prontos para obedecer o que nos cabe na execução da missão. Sejamos missionários até o fim!

Soli Deo Gloria.


Autor: Rev. Everton Matheus (material usado com permissão do autor).
Obs.: o autor é pastor presbiteriano, servindo ao Senhor no Senegal pela APMT.
Fonte: APMT Senegal.

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