PLANEJAMENTO EM MISSÕES - ATO RESPONSÁVEL OU FALTA DE FÉ?

Por: Rev. Everton Matheus

“No céu há alegria quando um pecador se arrepende. Mas tenho certeza de que também há alegria com a alocação correta dos recursos para a missão, as metas, os resultados”. Peter F. Drucker.

Existe uma crença destoada dentro da praxe cristã de nossos dias. Refiro-me ao repúdio do “planejamento para questões futuras”.

Firmado numa pretensão espiritual, o crente se isenta muitas vezes da responsabilidade, da organização, do racional, como forma de indicar sua dependência do Espírito Santo e de que não se preocupa, nem vive ansioso. Interpretam que o ensino registrado em Mateus 6.25-34, proíbe o discípulo de planejar o futuro e de até mesmo pensar sobre ele. Isto não confere com a essência de Deus e principalmente com seus ensinos direcionados aos crentes.

No texto de Mateus a ênfase não deve recair sobre a proibição de pensar no futuro, ou de se planejar a respeito do mesmo, mas sim, sobre o “andar ansioso” em relação a ele. A ansiedade, a preocupação excessiva são proibidas, não o planejamento.

Noé planejou, em obediência, a construção da arca; José do Egito planejou os procedimentos para poupar nos anos de fartura; Salomão, planejou e ensinou planejar de acordo com a sabedoria que recebeu do Senhor; e, o próprio Cristo nos disse para assentar, calcular, verificar, e planejar nossas ações como requisito para sermos seus discípulos (Lc 14.28-32). Planejar não é proibido; proibido é não acreditar que Deus age sobre nosso planejamento e não confiar que o mesmo Deus agirá em nós, por nós e através de nós na realização do planejado.

Quando focamos Missões não podemos perder esse princípio. Devemos estar atentos aos ensinos bíblicos. No livro de Atos dos Apóstolos encontramos a Igreja Primitiva, debaixo da atuação do Espírito Santo, planejando seus atos missionários, definindo metas e estratégias e reformulando quando necessário, tudo sob a ação de Deus (At13.1-3; 14.25-27; 15.6,22,27-29), o mesmo vemos explicitamente em Paulo, o apóstolo dos gentios (Rm 15.22-28).

Sabemos que a obra missionária é urgente e que necessita de trabalhadores a serem enviados à todas as partes de nossa nação e do mundo, mas, não podemos fazer tal obra sem planejamento, sem primeiro assentar, calcular, verificar. Isso não é falta de fé e sim um ato responsável, de obediência, de nossa parte. Nosso planejamento não impedirá a ação soberana de Deus através de seu Santo Espírito, e nós estaremos dispostos a reavaliar e reestruturar o planejamento quando o Senhor em sua direção providencial nos mostrar que assim devemos fazer. O que não pode acontecer é confundirmos paixão pelas almas com um obra missionária baseada na paixão e não na razão.

Os recursos humanos e financeiros são poucos e precisamos utilizá-los bem. Não há tempo para enviarmos alguém para o campo, simplesmente porque este alguém teve um sonho ou, não consegue campo em igrejas, ou porque “rodou” o globo terrestre e pôs o dedo em algum lugar e pronto. Não podemos negligenciar a cultura para onde pretendemos enviar alguém. Não podemos enviar missionários simplesmente para um país que não temos um trabalho, pelo simples fato de não termos um trabalho. Missões sem planejamento, não é Missão de Deus. É viagem turística, fuga pessoal, busca de um reconhecimento como mártir, mas não é missão de Deus.

O próprio plano de salvação foi milimetricamente planejado por Deus. Qual o porquê então, de não planejarmos milimetricamente nossa ação missionária? Por que como “boca de Deus”, para dizer sim ou não àqueles que nos procuram como agência para serem enviados, não focamos primeiramente nosso planejamento missionário, que foi dirigido por Deus? Por que não apresentamos a necessidade do planejamento ao invés de corrermos atrás de um projeto novo sem estudos? Tanto as agências missionárias, como a igreja e seus membros precisam parar de jogar em cima de Deus uma responsabilidade que já pesa sobre nós. A obra missionária não permite mais prejuízos com projetos do tipo “se for de Deus prosperará”, este princípio é de Gamaliel e não do cristianismo. Hoje é tempo, sob direção do Espírito Santo, de projetos planejados e calculados após pesquisa do campo.

Logo, precisamos quebrar o paradigma do chamado missionário baseado no subjetivismo. O chamado de Deus é objetivo e claro para todo cristão autêntico e Ele nos chama para servir, sob a liderança de uma igreja organizada ou agência instituída que fala em nome Dele. Se o seu sonho veio de Deus, Ele usará Sua igreja ou agência para confirma-lo, de acordo com o planejamento missionário proposto e dirigido por Ele mesmo. Creia nisso e esteja disposta a obedecer.

O Rev. Everton Matheus, Ministro Presbiteriano, é pastor titular da IPB de Matão / SP e membro da APMT/IPB (Agência Presbiteriana de Missões Transculturais da Igreja Presbiteriana do Brasil), preparando-se para servir no Senegal a partir de 2011 trabalhando no desenvolvimento do projeto Mbour. Visite o site APMT Senegal e saiba mais.


Extraído de APMT Senegal. 

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