PROFISSÃO: PASTOR

Por: Rev. Paulo Sergio da Silva 

Estou indignado!!! Estou re-descobrindo o quanto a nossa função é desvalorizada nesse país. Tudo porque estou tentando obter um financiamento, e não estou conseguindo. Não que eu tenha o nome sujo na praça, graças a Deus meu nome é mais alvo que a neve (rssss); também não é porque não tenha renda suficiente, porque o valor solicitado está dentro do meu limite, e também não sou louco de querer dar um "salto maior do que as pernas" possam alcançar. As dificuldades começam quando cita-se na ficha cadastral a profissão do dito cujo: PASTOR!!!

A minha ficha cadastral já passou por duas financeiras e não foi aprovada, em ambos os casos a resposta foi: não damos financiamento para pastores. No momento está em análise em uma terceira financeira. Mas ainda não "joguei a toalha", como se diz nas lutas de box, quanto há desistência. Continuo orando e aguardando no Senhor a resposta. Mas como é humilhante ter que ouvir certas coisas!!

Também tive algumas experiências curiosas. Numa delas o vendedor me disse que dos pastores que passaram por aquela loja comprando carros, que ele se lembre eu sou o pastor mais mal remunerado, e que alguns "colegas" ganham muito mais que eu (Jesus amado!). Nesse caso, para muitos hoje em dia, ser pastor é sinônimo de ter uma profissão rentável, onde ganha-se muito dinheiro.

Me recordei de uma outra situação que passei há uns dez anos atrás, quando fui tentar abrir crediário em uma conhecida loja de roupas, e quando me identifiquei como pastor, ouvi um sonoro "não damos crédito para pastores". Eu questionei a funcionária da loja e pedi para falar com o gerente. Disse a ele que isso estava errado, uma vez que eu tinha o nome limpo, que isso era discriminação. Resultado: ele me deu um crédito de cerca de R$ 60.000,00 para compras a prazo (misericórdia!). Certamente isso foi um meio de tentar me ridicularizar, dentro dessa imagem que todo pastor ganha muito bem.

Fiquei sabendo também que há pastores comprando carros de luxo em nome de suas igrejas. Em nome da instituição eles obtem grandes descontos e saem andando de carrão numa boa, beneficiando-se de uma lei que concede descontos para instituições, não para esse tipo de uso, mas com o fim de que as igrejas possam adquirir uma Perua Kombi, por exemplo, para um tipo de uso humanitário.

Também fiquei sabendo que muitos pastores que tentam obter financiamento não conseguem porque estão "atolados" em dívidas e com o nome sujo no SPC e Serasa. Infelizmente isso não é novidade, nem choca mais ninguém. Aqui pastor é sinônimo de caloteiro, mau pagador, gente desajustada, com problemas, e que não sabe administrar o que tem. Talvez em nome da prosperidade queiram viver em num nível social e econômico que não é deles, querem sempre mais e do melhor. Carro popular não serve, tem que ser o mais caro, talvez até o importado, top de linha. Que ridículo, tem pastor dizendo que o burrinho que Jesus usou seria comparável a um carro de luxo em nossos dias.

Em uma outra conversa o gerente da loja me disse: "Pastor, não esquenta a cabeça, a gente entende como é difícil para vocês, pastôres, nessas horas os justos pagam pelo erro dos culpados". Eu lhe disse: "É verdade meu amigo, assim como há maus pastores, certamente também há maus eletricistas, maus pedreiros, maus vendedores e maus gerentes de loja". Ele concordou comigo.

Uma outra constatação é que quanto menos tempo passamos em um campo (cidade) mais difícil é obter algum tipo de financiamento. Como diz o ditado: "pedra que muito rola não cria limo".

Fiquei pensando nos missionários e nos pastores com ministério itinerante, os chamados pastores evangelistas. Nas palavras do apóstolo Paulo: "...até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos." 1 Coríntios 4:13b. A história se repete, porém agora somos chamados de lixo, ou escória, devido a tantos e tantos vigaristas que se auto-denominam "pastores" e dão calote, tem o nome sujo, e causam má impressão sobre aqueles que desejam cumprir seu ministério com honra e seriedade.

Essa talvez seja a razão porque tantos abandonam o ministério pastoral, devido à pressão que sofremos em nossa dignidade pelo fato de sermos pastores de almas, e por causa disso, sermos tão humilhados diante da sociedade. Os pastores estão em um grupo não confiável, para efeito de crédito, o mesmo grupo em que estão políticos, por exemplo. Infelizmente não somos vistos como pessoas individualmente, e sim como um grupo, uma classe, que infelizmente, é tida como uma classe de homens desonestos. Para quem deixou tudo para ser pastor, isso é muito complicado de se administrar. É necessário ter muita convicção do chamado para permanecer firme nessa obra sem esmorecer.

Que Deus nos ajude e nos conceda graça para permancermos firmes no ministério para o qual fomos chamados, sem vacilar em tempo algum. Se Jesus que jamais pecou, foi perseguido e humilhado, quanto mais nós, pecadores e imperfeitos. Esse é um daqueles "sofrimentos" e privações que temos que passar para que possamos cumprir o nosso ministério e o chamado que recebemos de nosso Senhor.

Vale a pena passar por isso de cabeça erguida.
  
"Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus. Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome."
1 Pedro 4:14-16.

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