UM EXCELENTE MINISTRO

IPB de Vila Gerti, S.C.Sul / SP
EBD 20 e 27.01.13


TEXTO BÁSICO – 1 TIMÓTEO 4:6-16

TEXTOS DE APOIO
O bom combate – 1 Tm 1.
O ministro e o culto público – 1 Tm 2.
Presbíteros e Diáconos – 1 Tm 3.
O bom Ministro de Cristo – 1 Tm 4.
O Ministério Pastoral – 1 Tm 5.
Ministério motivado por lucro – 1 Tm 6.
O Ministério desprendido – 1 Pe 5:1-4.

INTRODUÇÃO
“Não vendemos para pastor!” Estes eram os dizeres de uma placa afixada em uma loja na cidade de São Paulo, especializada na venda de instrumentos musicais. Seria cômico, se não fosse trágico. Nós vivemos dias tão difíceis para o Evangelho, que até mesmo os líderes cristãos estão em descrédito. Uma pesquisa recente diz que líderes religiosos estão entre as três classes brasileiras em maior descrédito diante da população. Como detectar um verdadeiro ministro de Deus? Quais são as características de um BOM ministro de Cristo Jesus? Isto é o que veremos nesta lição.

Você já se viu em uma situação de constrangimento pelo fato de ser crente? Como reagiu a isso?

1 – CONTEXTO
Timóteo era um discípulo de Paulo, e como tal, foi treinado por ele. As duas cartas endereçadas a Timóteo que temos na Escritura Sagrada refletem esse treinamento. Em nosso texto básico, temos uma descrição de um servo de Cristo Jesus. Isso se torna claro nas palavras iniciais: “Expondo essas cousas serás bom Ministro de Cristo Jesus” (vs.6).

Em primeiro lugar, e importante considerar o fato de que a palavra “ministro”, usada nesse versículo, não se refere apenas a pessoas que exercem um ofício ordenado no âmbito da Igreja. Quando lemos essa palavra é comum pensarmos de imediato no Pastor. É verdade que o Pastor é um Ministro, mas essa palavra possui sentido mais abrangente. Seu significado é de “servo”, ou “aquele que serve”, de modo que ela não se aplica unicamente aos servos ordenados e sim a todos que se dedicam na causa de Cristo, ou seja, todos os cristãos.

Paulo diz a Timóteo que cultivando essas características ele haveria não apenas de ser Ministro, mas de ser um bom Ministro. A ideia desse adjetivo é a de “excelência”. Desse modo se pode dizer que o objetivo de Paulo nesse breve texto, é ensinar a Timóteo a ser um Ministro excelente.

A quem o termo “bom Ministro” (vs.6) se refere?

2 – EXORTAÇÃO (vs.6)
Em 1 Timóteo 4:1-5, Paulo havia falado sobre a apostasia e o falso ensino que proliferavam na Igreja, e apresentou a verdade negada por esse falso ensino. É nesse contexto que ele diz a Timóteo: “Expondo estas coisas serás bom Ministro de Cristo Jesus” (vs.6). A expressão estas coisas é uma referência à verdade de Deus em oposição ao erro e à mentira. Isso nos leva à conclusão de que uma das características do bom Ministro e que ele adverte as pessoas quanto ao erro e à mentira.

Esse primeiro ponto é suficiente para mostrar que o conceito de “bom Ministro”, exposto pelo Apóstolo Paulo, é consideravelmente diferente do conceito contemporâneo. Em muitos casos, diz-se que bons Ministros são aqueles que pastoreiam sem tocar em problemas doutrinários (morais e éticos também), e acomodam todas as tendências debaixo do mesmo “guarda-chuva”. Mas Paulo mostra que o bom Ministro de Cristo é aquele que não negocia a verdade de Deus, e que adverte em relação ao erro, onde ele estiver. Denunciar o erro não é fácil. Muitas vezes isso traz incompreensões e prejuízos pessoais, mas essa é uma marca de todo aquele que deseja ser bom ministro de Cristo, além de ser um dever de todo cristão.

Qual é a primeira característica do bom Ministro de Cristo? Quais consequências ela traz?

3 – PREPARO NA PALAVRA (vs.6,13,15)
A segunda característica de um servo excelente e o fato dele se esmerar no estudo da Palavra de Deus. Na Segunda Carta a Timóteo, Paulo também afirma que a Palavra de Deus é essencial ao Ministro de Cristo: “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” (2 Tm 3:16-17).

O conhecimento da Escritura Sagrada é a condição mais básica para um Ministério bem sucedido. É verdade que há muitas virtudes que podem ser úteis ao Ministro, mas porque o Ministério consiste na aplicação da Palavra às diversas situações, nenhuma virtude substitui o preparo bíblico. Por isso, a orientação de Paulo a Timóteo: “Procura apresentar-te a Deus, aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a Palavra da Verdade.” (2 Tm 2:15).

Também é verdade que cada Ministro tem estilo e visão ministerial com características individuais, mas o conhecimento das Escrituras é essencial a todos, indistintamente. O conhecimento deve ser constantemente buscado e aprimorado, através da leitura de bons livros, cursos de especialização, mestrado e até doutorado, dependendo das condições e aptidões de cada Pastor. No entanto, NADA poderá substituir a leitura direta e simples da Palavra de Deus. A comunhão constante com esse Livro Santo, a piedade e a vida de oração, é o que sustém o Ministro do Sagrado Ministério.

Para falar do preparo na Palavra, Paulo se utiliza de uma metáfora bastante esclarecedora: a alimentação. Ela aponta para a necessidade e para a continuidade do relacionamento do Ministro com a Palavra de Deus. Assim como um indivíduo necessita de alimento, também o Ministro necessita da Palavra. Assim como o indivíduo se alimenta diária e continuamente, também deve ser diário e contínuo o contato do Ministro com a Palavra de Deus.

Ressaltemos aqui que o verdadeiro conhecimento da Bíblia conduz à prática piedosa da vontade de Deus. De nada vale ao crente ser um poço de conhecimento, porém sem prática. Infelizmente é o que vemos em muitos contextos, onde o conhecimento sem a prática leva ao endurecimento de alma e coração, à uma frieza espiritual, à ausência de intimidade com Deus.


Qual é a segunda característica do bom ministro de Cristo (vs.6,13,15)? Que metáfora Paulo usa para descrevê-la (vs.6)? Por quê?

4 – DEDICAÇÃO À VERDADE E À PIEDADE (vs.7,16)

Se por um lado o ministro deve advertir as pessoas quanto ao erro e a mentira, por outro ele não deve praticar o erro e a mentira, mas a verdade. Fábulas profanas são histórias não reais, inventadas para se opor ao que é santo. Fábula de velha caduca era o modo da época de falar de uma história sem importância. A orientação bíblica é para que o Ministro não gaste suas energias com a mentira, mas as rejeite, e dedique-se ao conhecimento da verdade.

Muitas pessoas investem tanta energia em conhecer aquilo que contraria o Evangelho, que não conseguem se dedicar ao conhecimento da Palavra de Cristo. Isso é o que Paulo condena nesse versículo. O ministro de Cristo deve ser um perito no conhecimento da Palavra de Deus, pois ela é a espada do Espírito, por meio da qual toda mentira e engano devem ser eliminados.

O que significa exercitar-se na piedade (vs.7b)? Quais resultados esse exercício produz?


O Ministério, independente da frente de trabalho em que estivermos, não é apenas uma questão de princípio teórico. Ele é meio pelo qual servimos uns aos outros, sendo canais que distribuem a graça de Deus. Na linguagem de Pedro, somos “despenseiros da multiforme graça de Deus” (1 Pedro 4:10). Por isso, não é preciso apenas preparo intelectual, mas preparo integral. Eis a razão pela qual Paulo disse a Timóteo que cuidasse tanto de si mesmo quanto de seu ensino. Uma coisa jamais pode se dissociada da outra, pois uma das características de um Ministro excelente é a piedade. Piedade traduz a ideia de conformidade à vontade de Deus, a ideia de santidade.

É digno de nota o fato de Paulo atribuir a Timóteo o dever de se exercitar na piedade. A ideia é a de um esforço contínuo em direção à santidade. Trata-se do ato diário de mortificar a si mesmo, a fim de ser controlado pela vontade de Cristo Jesus. Em outros textos, Paulo enfatiza a necessidade de esforço para alcançar uma vida de santidade (2 Co 7:1; Fp 2:12).

A fim de incentivar Timóteo a se exercitar na piedade, Paulo traça um paralelo entre o exercício físico e o exercício espiritual (1 Tm 4:8-9). Willian Hendricksen resume em dois pontos o ensino de Paulo. Segundo ele, o que Paulo está dizendo é que:

4.1 – As bênçãos que procedem do exercício físico, por maiores que sejam, são definitivamente inferiores à recompensa que a vida piedosa promete. O primeiro, no melhor dos casos, promove a saúde, o vigor, e a beleza física. Essas coisas são maravilhosas, e devem ser apreciadas. O segundo, porém, promove a vida eterna.

4.2 – A esfera em que o exercício físico é de proveito é muito mais restrita do que aquela em que a vida eterna concede sua recompensa. O primeiro tem a ver com o aqui e agora; o segundo tem a ver com o aqui e agora, mas também atinge o além. (Comentário do Noto Testamento: 1 e 2 Timóteo e Tito, Cultura Cristã).

A importância desse tópico é ratificada pela expressão “fiel é esta Palavra e digna de inteira aceitação”, usada apenas quatro vezes nas Cartas Pastorais, para enfatizar a confiabilidade da Palavra de Deus em Suas promessas e exortações. O uso dessa expressão, nesse ponto, indica que Paulo desejava que Timóteo olhasse para ele de maneira especial. A disciplina espiritual é essencial àqueles que desejam ser bons Ministros de Cristo Jesus.

5 – TRABALHO (vs.10,14)
Embora o alvo do Ministério seja a eternidade, sua área de luta é neste mundo e inclui trabalho e dedicação. Outra característica de um Ministro excelente, portanto, é sua dedicação ao Ministério. O termo “labutar” aponta para a ideia de “cansaço”. O verbo traduzido por “esforçarmos” (agõnizõ) é o verbo grego do qual se origina o verbo “agonizar”, em português. Timóteo deveria saber que não há Ministério sem comprometimento com o trabalho. Por isso, ele não poderia ser negligente. Jesus Cristo deixou isso muito claro a Seus discípulos quando disse: “Se alguém quer vir após Mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-Me.” (Lucas 9:23).

Os servos de Deus, no passado, tiveram uma vida de intenso trabalho e deles foi exigida intensa dedicação. Pense no trabalho de Moisés, guiando o povo de Israel pelo deserto do Sinai, até a Terra Prometida. Pense no trabalho de Josué, dando continuidade à liderança de Moisés. Pense no trabalho de Neemias, na reconstrução dos muros de Jerusalém. Pense no trabalho de Jesus, caminhando pela Palestina do primeiro século, atendendo às pessoas e pregando o Evangelho do Reino de Deus. Pense no Apóstolo Paulo e em seu trabalho missionário entre os gentios e nas prisões. Enfim, não há Ministério Cristão sem trabalho árduo.

Ao mesmo tempo em que se aponta para o trabalho, Paulo aponta para a esperança de que os frutos do trabalho seriam vistos:

“Porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis” (vs.10).

6 – AUTORIDADE NO ENSINO E VIDA EXEMPLAR (vs.11-12)

Qual a importância da autoridade do Ministro no ensino? De onde essa autoridade é derivada?

A necessidade da autoridade no ensino do Ministro é uma constante no ensino de Paulo a Timóteo. Diferentes termos refletem isso: “prescreve” (1 Tm 5:7); “repreende” (1 Tm 5:20); “exorta” (1 Tm 6:17). Ao apontar para essa autoridade, ele não está defendendo um tipo de liderança autoritária; a Escritura orienta os líderes cristãos a que liderem não como dominadores do rebanho, mas como pastores (1 Pe 5:3). Assim, a exortação do apóstolo é para que os Ministros de Deus orientem, repreendam e guiem os seus conservos, em nome de Deus, com autoridade, chamando-os à sensatez.

Essa autoridade procede essencialmente de Cristo, que designa o Ministro ao trabalho, mas ela também é resultado de sua seriedade para com a Palavra de Deus e de sua vida se conformar com essa Palavra.

A credibilidade de um líder cristão e sua autoridade, dependem diretamente de uma vida exemplar. Timóteo era um jovem Ministro, e Paulo o orienta a adquirir o respeito de seus liderados (vs.12). “Ninguém despreze a tua mocidade”, não por meio de uma imposição autoritária, mas mediante uma vida padrão. Assim, a vida de Timóteo deveria ser modelo para os demais.

Um Ministro de Cristo deve poder dizer como o Apóstolo Paulo: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo.” (1 Co 11:1). O Ministro deve ser padrão no que diz (palavra), nas ações (procedimento), na prática da caridade (amor), na confiança em Deus (fé), e nas suas motivações cristãs (pureza).

O que indica que Timóteo parece ter atendido a estas orientações do apóstolo Paulo?

Timóteo parece ter ouvido as orientações de apostólicas. Isso pode ser visto na confiança que o próprio Apóstolo Paulo depositou no jovem Pastor. Sabemos que Timóteo foi solenemente ordenado Ministro mediante a imposição de mãos do Presbitério, do qual fazia parte o Apóstolo Paulo (1 Tm 1:6; 4:15). Além disso, Timóteo foi companheiro de Paulo em algumas de suas viagens missionárias, e foi algumas vezes enviado pelo Apóstolo para auxiliar algumas Igrejas, dentre elas as de Corinto e Filipos. A recomendação de Paulo a respeito de Timóteo, quando o enviou aos filipenses, resume-se nas seguintes palavras: “A ninguém tenho de igual sentimento que, sinceramente, cuide dos vossos interesses; pois todos eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus. E conheceis o seu caráter provado, pois serviu ao Evangelho, junto comigo, como filho ao pai.” (Fp 2:20-22).

CONCLUSÃO

Quais as características que identificam o bom Ministro de Cristo?

Apesar da crise contemporânea que acomete o cristianismo, a ponto de os líderes cristãos ocuparem o lugar de uma das classes mais desacreditadas da sociedade brasileira, é possível discernir entre os verdadeiros Ministros de Cristo Jesus e os lobos em pele de ovelha. A Escritura Sagrada afirma a existência de falsos ministros. Jesus orientou Seus discípulos com as seguintes palavras: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (Mt 7:15). Ao mesmo tempo, no entanto, ele não nos deixa sem orientação para discernirmos os verdadeiros Ministros de Cristo. Ministros excelentes são homens preparados na Palavra, que se dedicam à Palavra da Verdade de Deus, que moldam suas palavras e procedimentos por essa Palavra – a Bíblia Sagrada – de forma que têm autoridade para orientar e exortar o rebanho que lhes foi confiado.

APLICAÇÃO

As palavras de Paulo a Timóteo se aplicam de maneira especial aos líderes das Igrejas, mas não se limitam a eles. Todos os crentes são Ministros de Cristo, uma vez que o Senhor enviou todo o Seu povo a viver e pregar o Evangelho da Salvação. Portanto, todo o povo de Deus deve cultivar essas características e virtudes. Faça um autoexame, ore a Deus para que Ele conceda a você oportunidades de preparo. Leia a Bíblia, estude, medite, envolva-se com a oração, cultive bons amigos que o orientem na prática da Palavra de Deus. Frequente a sua Igreja, inclusive a EBD e os Estudos Bíblicos e Reuniões de Oração, participe de seu departamento, não só como ouvinte, mas tirando suas dúvidas, dando opinião, aprendendo e ensinando. Tenha coragem de dizer a verdade, não fuja da responsabilidade de pregar e exortar seus irmãos, quando eles estiverem trilhando caminhos tortuosos. Cultive o amor e a brandura necessários para a realização dessas tarefas em espírito e em verdade.

Considerando que a piedade deve ser exercitada, estabeleça um programa de treinamento pessoal, para que isso seja posto em prática.

Relacione características de sua vida que poderiam servir de exemplo para outras pessoas. Levando em conta os pontos que você encontrou, você considera que tem sido um bom exemplo, ou há muitas coisas ainda a serem trabalhadas?


Extraído e ampliado da Revista Expressão, “Cartas aos Líderes das Igrejas e Cartas Gerais”, Editora Cultura Cristã.

SOLI DEO GLORIA!!!

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