A ORAÇÃO DE ANA

Por: Rev. Paulo Sergio da Silva 
3ª IPB de Barretos / SP
Reunião de Oração 13.07.10


TEXTO BÁSICO: 1 Samuel 1:1-18
"1  Houve um homem de Ramataim-Zofim, da região montanhosa de Efraim, cujo nome era Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliú, filho de Toú, filho de Zufe, efraimita. 2  Tinha ele duas mulheres: uma se chamava Ana, e a outra, Penina; Penina tinha filhos; Ana, porém, não os tinha. 3  Este homem subia da sua cidade de ano em ano a adorar e a sacrificar ao SENHOR dos Exércitos, em Siló. Estavam ali os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, como sacerdotes do SENHOR. 4  No dia em que Elcana oferecia o seu sacrifício, dava ele porções deste a Penina, sua mulher, e a todos os seus filhos e filhas. 5  A Ana, porém, dava porção dupla, porque ele a amava, ainda mesmo que o SENHOR a houvesse deixado estéril. 6  A sua rival a provocava excessivamente para a irritar, porquanto o SENHOR lhe havia cerrado a madre. 7  E assim o fazia ele de ano em ano; e, todas as vezes que Ana subia à Casa do SENHOR, a outra a irritava; pelo que chorava e não comia. 8  Então, Elcana, seu marido, lhe disse: Ana, por que choras? E por que não comes? E por que estás de coração triste? Não te sou eu melhor do que dez filhos? 9  Após terem comido e bebido em Siló, estando Eli, o sacerdote, assentado numa cadeira, junto a um pilar do templo do SENHOR, 10  levantou-se Ana, e, com amargura de alma, orou ao SENHOR, e chorou abundantemente. 11  E fez um voto, dizendo: SENHOR dos Exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao SENHOR o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha. 12  Demorando-se ela no orar perante o SENHOR, passou Eli a observar-lhe o movimento dos lábios, 13  porquanto Ana só no coração falava; seus lábios se moviam, porém não se lhe ouvia voz nenhuma; por isso, Eli a teve por embriagada 14  e lhe disse: Até quando estarás tu embriagada? Aparta de ti esse vinho! 15  Porém Ana respondeu: Não, senhor meu! Eu sou mulher atribulada de espírito; não bebi nem vinho nem bebida forte; porém venho derramando a minha alma perante o SENHOR. 16  Não tenhas, pois, a tua serva por filha de Belial; porque pelo excesso da minha ansiedade e da minha aflição é que tenho falado até agora. 17  Então, lhe respondeu Eli: Vai-te em paz, e o Deus de Israel te conceda a petição que lhe fizeste. 18  E disse ela: Ache a tua serva mercê diante de ti. Assim, a mulher se foi seu caminho e comeu, e o seu semblante já não era triste."

Certamente o exemplo de Ana é um dos mais marcantes na Bíblia, em demonstração de fé mesmo em meio às mais duras provas. Essa mulher passava por diversas tribulações:

- Esterilidade (vs. 2b; 6b) que era considerada uma maldição naquele contexto;
- Rivalidade e humilhação (vs. 6a) porque Penina, a outra esposa de Elcana tinha filhos, Ana não. Mas Elcana demonstrava mais amor por Ana (vs. 5) o que despertava ciúmes.
- Irritação (vs. 7b);
- Amargura de alma (vs. 10);
- Tribulação de espírito (vs. 15);
- Ansiedade e aflição (vs. 16);
- A sua tristeza era tanta que ela chorava e não comia (vs. 7b).

Naqueles dias não havia nenhuma possibilidade de fertilização ou tratamentos contra a esterilidade. Deus era a única saída para Ana. Infelizmente, em diversas situações, parece que nos esquecemos que sem o Senhor nada podemos fazer (João 15:5b) e nos apoiamos em nós mesmos, deixamos de orar, nos tornamos auto-suficientes.

Ana orou mesmo em meio a tudo isso: tribulação, amargura, humilhação, provocação, ansiedade e aflição. O seu testemunho nos chama a atenção devido à sua grandiosa fé. Essa fé poderosa gerou nela tudo que ela necessitava para continuar na presença de Deus:

- Fidelidade – apesar de todas as suas dificuldades e sofrimentos, Ana subia para adorar (vs. 3,7; Hebreus 10:25). Quantos que por muito menos abandonaram a Igreja;
- Perseverança – ela insistiu, não desanimou, não parou de orar e adorar a Deus (vs. 10-13). Ir à Igreja só de "corpo presente" não adianta nada, é preciso buscar ao Senhor em espírito e em verdade (Jeremias 29:13);
- Quebrantamento – Ana não orava mecanicamente, mas derramava-se perante Deus (vs. 10);
- Clamor – Ana clamava perante Deus (vs. 10; Jeremias 33:3);
- Fez um voto a Deus – muitos há que pensam ser essa uma prática não bíblica e praticada apenas pelos católicos, mas eis aqui uma base bíblica (vs. 11). É necessário entender bem o assunto:
•    não se trata de barganha, Deus responde do jeito que Ele quiser e se Ele quiser;
•    não se deve fazer votos se não houver possibilidade do cumprimento dos mesmos, é melhor não votar do que votar e não cumprir. Deus não se agrada de votos de tolos (Eclesiastes 5:4).
- Gastou tempo na presença de Deus – a Bíblia diz que Ana demorou-se na oração (vs. 12a). Quantas vezes vamos orar com tanta pressa que passamos só um pouco de tempo na presença do Senhor. Precisamos gastar o nosso tempo no que é mais importante.
- Humildade – mesmo passando por tantas lutas, quando confundida pelo sacerdote que pensou que ela estava embriagada, Ana não se indispôs, mas permaneceu na humildade (vs. 13-16).
- Consolação – após tudo isso Ana foi consolada pelo Senhor, o seu semblante não era mais de tristeza. Ela foi para sua casa e comeu (vs. 18). Assim também o Senhor faz na vida de cada um de nós, quando clamamos a Ele com sinceridade de coração (João 14:16).

Aprendemos que:
- Mesmo em meio às maiores lutas jamais podemos parar de orar;
- Deus é a solução para todos os nossos problemas, creiamos, pois nada é impossível para Ele;
- Devemos buscar o quebrantamento do Senhor, pois Ele não despreza (Salmos 51:17);
- Eli e seus filhos são o exemplo da religiosidade vazia, amaldiçoados por Deus todos morreram;
- Ana é o exemplo da religiosidade viva, dirigida pelo Espírito Santo e agradável a Deus.
- Para permanecermos na presença do Senhor em oração, precisamos nos manter em humildade.
- Cumpramos nossos votos, independente de qualquer situação (26-28).

- Quando estivermos amargurados e tristes, por qualquer situação que estivermos passando, busquemos o lugar de quebrantamento diante de Deus. Ele nos consolará e fortalecerá. Isso vale muito mais do que qualquer outro tipo de desabafo.

S.D.G.

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