O Rastejante Pecado da Bajulação



Está aí um assunto tão importante que não pode ser ignorado. Infelizmente os bajuladores estão por toda parte, inclusive no meio do povo de Deus! 

"Mais vale agradar a Deus do que a homens!"

"Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo Seu Reino: prega a Palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à Verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu Ministério." 2 Timóteo 4:1-5.

Soli Deo Gloria!!!



O Rastejante Pecado da Bajulação
Por: Jefferson Magno Costa

Na tradução da Bíblia mais usada entre os evangélicos brasileiros, a Almeida Revista e Corrigida, não existem as palavras "adulador" ou "bajulador", e sim "lisonjeador". O lisonjeador é o popular "puxa-saco".

Lisonjear é dirigir elogios interesseiros a alguém. O Dicionário Houaiss define lisonjear como “enaltecer com exagero, visando à obtenção de favores, privilégios”. Creio ser este um assunto muito oportuno de ser tratado com muita atenção em nossos dias, pois o que mais se vê hoje são pastores e outros líderes não-eclesiásticos cercados de bajuladores.

Quase todo ser humano é vulnerável ao comentário elogioso, e poucos sabem se defender dos bajuladores. O mega teólogo e grande pregador do evangelho, Aurélio Agostinho (354-430), pregando certa vez sobre os bajuladores, disse magistralmente: "Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem".

Todos nós estamos muito mais prontos para ouvir uma palavra de elogio, mesmo sendo mentirosa, do que cem palavras de exortação.
       
O rei Henrique IV, da França, resumiu essa nossa vulnerabilidade ao dizer: “Apanham-se mais moscas com uma colher de mel do que com vinte tonéis de vinagre”.
     
O livro de Provérbios nos dá uma importante informação sobre adulados e aduladores: “Aos generosos muitos o adulam, e todos são amigos do que dá presentes” (Pv 19:6, ARA). E o apóstolo Judas comenta porque os aduladores agem como agem: “...são aduladores dos outros, por motivos interesseiros” (Jd 16). 

O bajulador carrega o bajulado no colo ou nas costas

Na tradução Almeida Revista e Atualizada, da Bíblia, os lisonjeadores são chamados de "bajuladores" e "aduladores". Bajular vem da palavra latina bajulo, e significa “levar algo ou alguém no colo ou nas costas”. 
     
O curioso é que, na verdade, o bajulado é quem leva o bajulador nas costas. Manter bajuladores é caro. 

O fabulista francês La Fontaine dizia que “todo bajulador vive às custas de quem o escuta”. A bajulação é um comércio de mentiras que, pelo lado do bajulador, apóia-se no interesse, e pelo lado do bajulado, apóia-se na vaidade. 

Não devemos confiar em quem elogia tudo quanto dizemos ou fazemos. Essa pessoa geralmente é perniciosa, perigosa, e tem segundas intenções. Não é nossa amiga. 

Em 1 Tesssalonicenses 2:5, para não ser confundido com os bajuladores, Paulo declarou: “A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha”. Observe-se que Paulo teve o cuidado de destacar a essência da intenção dos bajuladores: "intuito ganancioso".

O livro de Provérbios avisa que “o homem que lisonjeia a seu próximo arma uma rede aos seus passos” (Pv 29:5), e que “a língua falsa aborrece aquele a quem ela tem maravilhado, e a boca lisonjeira opera a ruína” (Pv 26:28). Atenção para isso, digníssimo líderes, reverendíssimos pastores!

O bajulador agrada o bajulado festejando-o como fazem os cães

Adular é a forma portuguesa do vocábulo latino aduláre, e significa, etimologicamente, “o movimento que o cão faz com a calda ao se aproximar do dono” (Dicionário Houaiss). 

Três séculos antes do nascimento de Jesus Cristo, o filósofo grego Antístenes advertira: “Nada é tão perigoso como a adulação. O adulado sabe que o adulador mente, mas continua a lhe dar ouvidos”.

O salmista Davi diz no Salmo 12:2: “Cada um fala com falsidade ao seu próximo; falam com lábios lisonjeiros e coração dobrado”. O termo coração dobrado, ou dobre (Tg 1:8), significa, no original hebraico, “a pessoa que diz uma coisa, mas sente outra”.

Segundo podemos aprender no livro de Provérbios, a pessoa que tem coração dobre, tem também língua dobre (Pv 17:20), expressão que lembra muito bem a língua das cobras (animal traiçoeiro). 

No versículo seguinte, o salmista diz que “o Senhor cortará todos os lábios lisonjeiros” (Sl 12:3). Ora, quem tem os lábios cortados não pode esconder sua língua dobre. Ela ficará exposta a todos, denunciando a falsidade de quem a possui.

Davi fala também dos que buscam a Deus com insinceridade de coração: “Todavia, lisonjeiam-No com a boca e com a língua Lhe mentiam. Porque o seu coração não era reto para com Ele, nem foram fiéis ao Seu concerto” Sl 78:36. 

Mas qual seria a verdadeira intenção do bajulador? Salomão revela: “Trabalhar para ajuntar tesouro com a língua falsa” (Pv 21.6). E Isaías extrai dos próprios bajuladores uma surpreendente confissão reveladora de suas condutas mentirosas: “...pusemos a mentira por nosso refúgio, e debaixo da falsidade nos escondemos” (Is 28.15). 

Que o Deus de misericórdia nos guarde da amizade e da astúcia dos bajuladores.

Autor: Jefferson Magno Costa.


Consequências na Igreja

Está aí um assunto tão importante que não pode ser ignorado. Infelizmente os bajuladores estão por toda parte, inclusive no meio do povo de Deus. Os bajuladores enojam! Veja como são tratados os crentes ricos e mais abastados, aqueles que conseguiram crescer materialmente. Note também o tratamento dado por muitos a pastores e teólogos famosos, com maior número de diplomas ou maior influência. Agora compare com o tratamento dado aos pobres, simples e humildes. Sim, há uma notória discrepância em muitas IGREJAS, que as tornam semelhantes ao mundo nesse aspecto. Observe os tapetes vermelhos e os holofotes para os grandes teólogos e pregadores da mídia e dos grandes congressos, que nunca tem agenda para igrejas pequenas, que não sobem morros e nem vão às periferias. Alguns até já usaram (falsos) argumentos dizendo que pregam somente para mais de 1.000 pessoas, porque quanto mais ouvirem suas mensagens, mais almas serão alcançadas. Será que Jesus e os apóstolos erraram ao falar com pessoas pobres, simples, e a pequenos grupos de fiéis? Na verdade, suspeita-se que só pregam em grandes Igrejas visando grandes ofertas, até como um sinal de bajulação. Quanto uma Igreja de 50 a 100 membros daria de oferta para um pastor visitante? Cerca de R$ 100,00 para despesas de viagem. E uma igreja de 1.000 a 2.000 membros? R$ 1.000,00? R$ 2.000,00? E isso em um culto (!!!), ou seja, o irmão recebe esse valor para estar presente cerca de 2 horas. Não é algo discrepante? Sim, sinal de bajulação!

Note também como muitos deles gostam de ser tratados, e parece que até exigem isso, como se fossem os “deuses do olimpo”. Estes decidem e resolvem as coisas segundo o seu bel prazer, segundo a infâmia de seus corações fazem suas políticas sujas e não se importam se estão destruindo a obra de Cristo, ou se estão influenciando negativamente o povo de Deus. E por que fazem isso? Por causa daqueles que se recusam a bajula-los, mas os tratam de igual modo, como a qualquer pessoa, de igual para igual. E o pior de tudo é que os bajulados são aplaudidos e aclamados pelos bajuladores como se tudo isso fosse normal, como parte de um sistema humano, infernal e satânico! O argumento dos bajuladores, nesse caso, é que se “perderem” tal membro a Igreja sofreria com a ausência do dízimo daquele irmão rico. Parece que eles não percebem, mas desse modo estão adorando a “mamom”, não ao Senhor! Precisamos retornar às nossas origens, onde todos são iguais perante Deus, onde ser piedoso é mais importante do que ser poderoso. “Eis que estou à porta e bato”, diz o Senhor (Ap 3:20). 

Os bajuladores e os bajulados são tão espúrios que tendem a tentar manipular seus pastores, ou seja, se os pastores não bajularem os poderosos, serão prejudicados. Para isso utilizarão todo poder que tem sobre os bajuladores para conduzir decisões que terão efeito imediato sobre a vida e a família dos pastores. Assim, bajuladores e bajulados conjuminam-se em uma política demoníaca, e tão enganados estão que pensam estarem sendo usados por Deus, que a amizade deles é sublime e que seus laços, conveniências e acordos são abençoados por Deus. Mas o nosso “Deus não é de confusão”, “Deus é luz e não há nEle treva nenhuma”! 

Irmãos pastores, sejamos profetas de Deus, boca de Deus, não mercenários, não meros funcionários de uma máquina ideológica humana, nutrida e movida não pelo Espírito, mas por homens maus e cruéis! Não tenhamos medo, creiamos em Deus! O nosso futuro está nas mãos de Deus, e não nas mãos de homens. Ele cuidará de nós e nunca nos desamparará! “Mais vale agradar a Deus do que a homens!”

Creio que cada pastor, por conta de sua dignidade, deveria pensar seriamente em não depender exclusivamente da Igreja. São tempos difíceis. É melhor ser um pastor de tempo parcial do que viver sendo humilhado. É melhor levantar seu sustento e ser um pastor independente do que chegar aos limites máximos de uma vida emocional conturbada, que possa extrapolar e levar a uma doença ou crise depressiva. Não seria essa a causa de tantos suicídios ocorridos atualmente? Qual seria a pior coisa para se conviver do que em um ambiente constante de falta de respeito e dignidade?

"Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo Seu Reino: prega a Palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à Verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu Ministério." 2 Timóteo 4:1-5.

Paulo Sergio Visotcky da Silva
Soli Deo Gloria!!!

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