A EDUCAÇÃO SEXUAL DOS FILHOS

Por: Sergio Leoto

O desenvolvimento da sexualidade das meninas, em parte não difere tanto dos meninos. Quando criança, ambos possuem uma curiosidade e interesse pelo corpo do outro, pois começam a observar as diferenças entre meninas e meninos, e acontecem as identificações com os órgãos genitais.

Na tentativa de preservarem a “inocência” infantil, muitos adultos ainda recorrem às explicações mágicas, que são mentiras, colocando fantasias no pensamento da criança. Até bem pouco tempo, dizia-se às crianças que elas teriam sido trazidas pela cegonha, ou ainda brotado de uma flor, etc. Hoje, sabemos que não há necessidade de mentir às crianças, mesmo porque elas são muito mais espertas, recebem informações de várias fontes, portanto, estas "fantasias" só servirão para desconfiarem dos adultos.

O assunto sobre sexo deve ser introduzido espontaneamente, à medida que seus filhos questionarem sobre o assunto. O melhor a fazer é falar a verdade, introduzindo neste momento palavras científicas (vagina, pênis, seio, nádegas, etc.) evitando assim termos chulos, malícia e palavras de duplo sentido.

É interessante notar que, apesar de muitas famílias tratarem o assunto de maneira velada e fantasiosa, não são raras as vezes que se rendem à graça de suas crianças, que dançam freneticamente de forma erotizada e sensual, ao som de músicas de diversos grupos populares, cujas letras primam pelo duplo sentido. Ou então, vestem as meninas com roupas que imitam mulheres adultas e trazem uma conotação sensual. Para a criança, essas danças e vestimentas não possuem um apelo sexual, mas para o adulto que a observa, já tem outro significado.

Mais um aspecto da fase infantil a exploração do próprio corpo. Nos meninos, pode ocorrer a ereção peniana, durante a exploração corporal, como também no momento da amamentação, pois a sensação de cuidado da mãe combinada com as mensagens transmitidas ao cérebro pelos terminais nervosos da boca, são interpretadas como sensações de prazer, e assim, ativam reflexos neurológicos e musculares. Também pode ocorrer em outras situações, como na troca de fralda, nas brincadeiras, etc. Isso não se restringe só aos meninos. Da mesma forma ocorre a lubrificação vaginal nas meninas. É importante saber que a criança é pequena demais para ter consciência do fato. Não ocorre uma excitação erotizada, como a um adolescente ou adulto cheio de testosterona.

A maneira como os pais reagem à observação desses reflexos, faz parte do primeiro aprendizado sexual. Por exemplo, os pais que ficam chocados, repreendem ou zombem, poderão transmitir embaraço para a criança que nem sabe o que está acontecendo, mas ao reagir de modo mais calmo transmitirão segurança. É preciso oferecer várias opções de entretenimento, para que a criança aproveite sua fase infantil da melhor forma possível e deixe sua sexualidade desabrochar naturalmente, na hora certa.


A orientação é vital para que a criança sinta-se protegida. Os pais devem, nesse sentido, desestimularem a sexualidade precoce orientando as crianças de modo coerente com as Escrituras. Com naturalidade, porém com princípios. 

Buscar programas interessantes que estejam de acordo com a sua faixa etária, comprar CDs infantis e roupas que estejam de acordo com sua idade são medidas que, se não evitam tudo (uma vez que seus filhos vivem entre outras crianças), ajudam a formar uma educação sexual mais adequada. Uma fase importante na sexualidade infantil é a intimidade entre pais e filhos. Os cuidados, os banho, a amamentação, os abraços, carinho e afagos, fazem com que sua afetividade se desenvolva num clima de aceitação, contribuindo para que no futuro não tenha dificuldades na formação de relações íntimas.

O exemplo dos pais é muito importante. Ver os pais conversando, se respeitando, trocando carinhos e abraços, traz um crescimento emocional sadio. Inclusive, deve-se aproveitar este contexto de afetividade e ensinar o quanto é bom dar e receber carinho, que Deus se alegra quando fazemos isso. Pois assim, como nos amamos, Ele também nos ama. 


Já, ver os pais brigando a toda hora, pode ter exatamente o efeito oposto. Traz uma visão negativa do que seja intimidade e a pessoa de Deus. Chega a adolescência, e com ela os hormônios, que possibilitam a descoberta do prazer e o interesse pelo sexo oposto. Há uma explosão emocional e torna-se difícil conter os impulsos, que em muitos casos levam à prática das primeiras relações sexuais.

Nossas filhas quando pequenas brincavam de casinha, com bonecas, ouviam histórias com príncipes e princesas e finais felizes. Com tudo isso na imaginação, esperam finalmente encontrar o príncipe que as tornará felizes para sempre. Mas a realidade é outra. É preciso ir á luta e enfrentar os dilemas da adolescência. Lidar com seu corpo, os desejos, o sexo oposto, com as escolhas entre o certo e o errado.  Além da pressão da turma, os apelos dos meios de comunicação de massa (novelas, comerciais, filmes, revistas, músicas, internet, etc.), torna-se um desafio.

A adolescente descobre que através da sensualidade, consegue ter o interesse dos garotos. Então começa a usar roupas que destacam sua silhueta, com decotes “mais profundos do que o vale da sombra da morte”. A moda, ajuda a destacar o corpo com calças de cintura baixa e agarradas, as blusas curtas e justas, que fazem qualquer “irmãozinho”, por mais santo que seja arrepiar-se todo. Alguns até dizem maliciosamente: “fulano (a) é crente, mas também é quente”. 


Esses são alguns argumentos que usamos em nossas palestras à juventude. Exortando-os, a usar seu corpo em honra e que glorifique a Deus, esta é Sua vontade, pois somos templos do Espírito Santo.

Um argumento que damos como exemplo para as garotas, é fazer o teste do espelho: colocando-se na frente dele, com a roupa que vai sair e perguntar: “E aí Jesus, gostou?” Se não houver dúvidas sobre a forma que está vestida, provavelmente, Jesus iria gostar.

Um ambiente saudável na família, onde o sexo é tratado como uma benção e um presente dado por Deus, as situações de tentação e escolhas acontecerão sem tantas dificuldades, e não será tão difícil fugir do pecado.

O mais importante, é que os pais dêem uma orientação sexual mais bíblica do que baseada em culturas e dogmas. Ninguém tem a obrigação de saber tudo. Mas deve estar bem consciente do seu papel na formação da sexualidade dos filhos. 


Um tema assim tão amplo e ao mesmo tempo complexo, exige dos pais um bom preparo. Freqüentar cursos, ouvir especialistas, ler bons livros, são algumas sugestões para transmitir de forma simples e bíblica aos filhas, princípios sobre sexualidade. Assim no futuro, poderão ser servos de Deus, sexualmente saudáveis, felizes e que amam a Deus.
 

Visite o site do autor em www.sergioemagalileoto.com.br.

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