Predestinação e Missões - Como Conciliar?


“Muitos são chamados, mas poucos escolhidos” Mateus 20:16b.

Não raras vezes, aos falar de missões em Igrejas Presbiterianas pelo Brasil afora, ao enfatizar a necessidade de maior envolvimento missionário por parte do nosso povo, ouvi a pergunta: “Se Deus já predestinou, porque nos preocuparmos com a situação dos que ainda não ouviram falar do Evangelho?”, ou: “Se Deus já tem os Seus eleitos, por que evangelizar?”, ou ainda: “Se Deus predestinou, Ele não dará um jeito de salvá-los?” Predestinação e Missões seriam doutrinas antagônicas? Pelas perguntas levantadas acima, fica parecendo que não há como conciliar a situação. Ou nos tornamos bons arminianos se quisermos fazer missões, ou permanecemos como bons calvinistas e deixamos tudo para a Soberania de Deus. Será isso, entretanto, que a Bíblia nos apresenta? Temos que, de fato, escolher uma opção em detrimento da outra? É claro que não. 

Se observarmos o que a Bíblia nos diz, sem pré-concebimentos humanos, iremos perceber como o plano salvífico de Deus é completo. O que a Bíblia fala sobre predestinação? (1) A Bíblia deixa claro que as pessoas que se convertem foram as que Deus escolheu, elegeu previamente. “Não fostes vós que escolhestes a Mim, pelo contrário, Eu que escolhi a vós” (Jo 15:16a); “Muitos são chamados mas poucos escolhidos” (Mt 20:16); “Ele vos deu vida estando vós mortos em vossos delitos e pecados.” (Ef 2:1); “Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.” ( At 2:47b). (2) A Bíblia também declara que o Deus que escolhe, executa um plano eterno para os escolhidos, que vise a justificação dos eleitos, ou seja, a eleição é o passo inicial do plano de Deus. 

O Deus que escolhe também chama. Até aqui tudo bem, nada de novo, nenhum problema! A questão começa quando deixamos de atentar para o fato de que Deus não só tem um plano, mas também tem um método. E mais, Ele o revelou nas Escrituras. Qual o método de Deus para chamar os eleitos? Segundo o texto de Romanos 8:30, Deus não só escolheu um povo para si, mas também o chamou (do grego “kaleo”). Sem sombra de dúvidas, o método de Deus para chamar os eleitos é a pregação e a proclamação do Evangelho, as Boas Notícias. “A fé vem pela pregação, e a pregação pela Palavra de Cristo.” (Rm 10:17). Por isso mesmo o apóstolo Paulo, em sua carta aos Romanos, capítulo 10, ao apresentar e resumir todos os passos da atividade missionária, clama dizendo “Como ouvirão se não há quem pregue?”. Fora da proclamação das Boas Novas não há como os eleitos virem a Cristo. O Espírito Santo é Quem, pela Palavra, convence o mundo do pecado da justiça e do juízo, e os conduz a Cristo. 

Quando olhamos para o Livro de Atos, percebemos como os discípulos eram conscientes dessa doutrina bíblica, sem que isso os levasse a um “descanso” espiritual. O fato de saberem que Deus tinha um plano para a conversão dos eleitos não os impediu de também perceber que Deus só tinha um método para chama-los. Lucas nos diz que eles perseveravam na doutrina e na comunhão e, enquanto isso, o Senhor acrescentava à Igreja os que haviam de ser salvos (Atos 2:47). O Apóstolo Paulo foi um dos escritores do Novo Testamento que mais apresentou a doutrina da eleição, no entanto, foi um apaixonado por missões. Depois de mais de vinte anos de ministério desde Jerusalém, ainda desejava chegar até a Espanha. No final de sua vida, deu um conselho ao jovem pastor Timóteo: “Prega a Palavra, quer seja oportuno quer não” (2 Tm 4:2a). 
Concluindo, a doutrina da predestinação não pode ser usada como desculpa para não se fazer missões. 1º Porque é tarefa incumbida à Igreja a oferta gratuita do Evangelho a todos os povos. 2º Porque o método de Deus, a proclamação da Palavra, é um mandamento divino. Finalmente, porque a eleição nos motiva a proclamar, sabendo que em todas as partes da Terra em todos os tempos, Deus escolheu um povo para Si e que os eleitos responderão de fato ao chamado do Evangelho! 

Por: Norval Silva. 

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