NATAL É VIVER COM ESPERANÇA NUM MUNDO DE DESESPERO


“Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos” 2 Coríntios 4:8-9 (ler 2 Co 4:3-10).

O mundo tem se tornado cada vez mais um lugar de desespero, onde muitas pessoas buscam soluções para seus problemas, dilemas e lutas, em qualquer lugar, em qualquer pessoa, menos em Deus e em Sua Palavra. Comemora-se o Natal como uma data qualquer, e para tantos é motivo de dançar, beber, drogar-se e prostituir-se. É nesse período que muitos brigam, matam e tiram a própria vida. Basta ler os jornais. E sabe porque eles fazem isso? Porque não tem esperança. Esse é o Natal do mundo, um Natal sem Deus, sem Jesus, sem ESPERANÇA.

Quando Cristo se encarnou e veio ao mundo, Deus estava preparando o Caminho pelo qual a Sua Luz resplandeceria nos corações dos crentes, através da iluminação do “conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo” (vs.6). Assim, comemorar o Natal é muito mais do que festas, comidas ou presentes, Natal de verdade é celebrar a vinda de Jesus, o Salvador; Natal é esperança, paz, alegria, amor e salvação.

Precisamos anunciar aos perdidos que NATAL É VIVER COM ESPERANÇA NUM MUNDO DE DESESPERO. Sim, pois vivemos em meio a uma tensão constante entre a Luz e as trevas, o certo e o errado, o justo e o injusto, o santo e o profano. E precisamos sempre vigiar e depender da graça de Deus, pois o Evangelho de Deus não está encoberto para nós, e sim para os que se perdem é que Ele está encoberto. A Palavra de Deus nos revela que o diabo, que é o deus desse século, cegou o entendimento dos incrédulos (vs.3-4). Nós, no entanto, fomos iluminados, ou seja, recebemos de Deus a revelação da Verdade, a Sua Palavra, que é a Bíblia Sagrada. Foi para esse fim que Cristo veio, para que os que nEle creem não vivam nas trevas (Jo 12:46), mas recebem a luz da vida (Sl 56:13; Jo 8:12).

Receber essa revelação da graça de Deus é uma preciosidade eterna, desejável, de valor inestimável, insondável, excelsa, tremenda! É a maior riqueza que alguém pode receber! E Deus quis colocar esse tesouro em nós, Seus servos, meros “vasos de barro”, com o objetivo de deixar bem claro que a glória e a “excelência do poder”, é dEle, e não nossa (vs.7). Por isso reconhecemos que sem Ele nada somos, e O servimos com gratidão e alegria de coração, pois sabemos que Ele nos escolheu, chamou, libertou e nos guarda de todo mal. Assim vivemos neste mundo, crescendo nas misericórdias do Senhor, de glória em glória, de vitória em vitória.

As lutas certamente existem, até aí sem novidades. Jesus já nos disse que no mundo teremos aflições. Mas porque Ele veio ao mundo, nós temos esperança. Como você tem lidado e reagido nas horas difíceis da vida? Você sabe qual é o sentido verdadeiro do Natal? Lembre que Natal não é festa, comida, bebida, presentes, etc. Pode até ter tudo isso, mas NATAL É VIVER COM ESPERANÇA, porque Cristo É a nossa esperança. É isso que trata esse texto sagrado, quando o Apóstolo Paulo falou à Igreja de Corinto, que através da vinda de Cristo, Deus fez resplandecer a Sua Luz nos corações (vs.6), nos dando uma nova disposição para o enfrentamento das nossas lutas, sejam pessoais, familiares, emocionais, materiais, e acima de tudo, nossas lutas espirituais. Como você tem enfrentado as suas lutas?

Paulo fala de quatro situações pelas quais todos nós passamos, e em quatro pares de particípios antitéticos (opostos), ele descreve a sua experiência, e como a esperança se manifestou nos piores momentos. Veremos que ali, na hora da crise, na hora da dor, na hora em que o desespero quer tomar conta da situação e nos dominar, somos fortalecidos na esperança que vem de Deus, em Cristo Jesus.

1 – ATRIBULADOS, PORÉM NÃO ANGUSTIADOS (vs.8a)

“Atribulados”, no original grego “thlibo”, significa “pressionar”, “oprimir”, “afligir”. Passar por tribulações significa sermos pressionados, oprimidos ou afligidos por algo, ou alguma situação que poderia nos levar ao desespero. Nesse caso, a angústia é apresentada como o resultado do aumento dessa situação desesperadora. Quem tem esperança, a esperança que Cristo traz, não vive angustiado. Pode até ser atribulado, mas não angustiado.

A palavra “angustiado”, no original “stenochoreo” significa: “amontoar”, “confinar”, “restringir”, “esmagar”. Paulo, o Apóstolo dos gentios, passou por muitas tribulações, mas pôde dizer que não estava esmagado.

“Paulo estabelece uma distinção na intensidade, atribuindo ao segundo verbo que usou um sentido mais incisivo. É como estar “apertado em um lugar estreito, de onde não havia como escapar”, “pressionado para perder espaço; mas ainda lhe restava espaço.” (R.N.Champlin).

Poderemos passar por tribulações, mas a ESPERANÇA que flui da presença de Jesus não nos deixara chegar à angústia e ao desespero.

2 – PERPLEXOS, PORÉM NÃO DESANIMADOS (vs.8b)

O verbo usado aqui para definir “perplexo”, no original “aporeo”, significa “sentir-se desorientado”, “estar em dúvida”, “estar muito perturbado”.

A vida cristã pode ter seus momentos de dúvidas, suas circunstâncias prementes, que chegam até mesmo a testar a nossa fé. Especialmente quando nos sobrevêm algum desastre, quando um ente querido próximo falece, quando algo acontece sem explicação alguma. Nossa fé pode ficar debilitada, e até chegar a ser algo "não desejável". A experiência humana ensina-nos essa lição. Contudo, o tempo restaura para nós uma atitude mental "normal", digamos, para com a nossa própria fé, diante das circunstâncias usuais. Nossas fraquezas, como seres mortais que somos, é que causam isso; e todos somos sujeitos a tais momentos de dúvida e fraqueza, que podem nos levar até ao desespero. Mas entra em ação o Senhor Jesus Cristo, Ele É a nossa esperança, e não nos deixa chegar ao extremo do desânimo!

“Não desanimados”, aparece no original grego com mesma palavra usada na expressão anterior (“perplexo” = “aporeo”), exceto que há uma preposição intensificadora prefixada à essa palavra: “eksporeo”. Essa outra palavra significa: “estar em profundo desespero”, “desesperar da vida”, “encontrar-se em intensa dificuldade”.

Note que o significado no original é muito mais forte do que em português.

A perplexidade pode levar à dúvida e ao desespero, que podem avassalar completamente a alma humana, distanciando-nos de Deus. Algumas vezes somos quase avassalados, mas jamais somos testados acima das nossas forças. Por isso, ficamos perplexos, mas não “totalmente perplexos”. Estar sem confiança em Deus significa estar sem esperança.

“Naquele tempo, estáveis sem Cristo, (...) estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo Sangue de Cristo.” (Ef 2:12-13).

Para nós a luz pode parecer apagada, mas sempre haverá luz suficiente para por ela andarmos.

“Podemos ficar por um tempo, desorientados em nossos corações e mentes, mas não inteiramente; perplexos, mas não esmigalhados”. (R.N.Champlin).

3 – PERSEGUIDOS, PORÉM NÃO DESAMPARADOS (vs.9a)

A palavra “perseguidos”, no original significa “excluídos”, “expulsos”, “caçados”, e retrata bem o que Paulo havia passado na Ásia Menor, em Éfeso, quando ele havia sofrido uma ameaça mortal, e Paulo já havia passado por diversas outras situações semelhantes. Paulo foi atacado por indivíduos e por multidões, fizeram complôs contra ele, para o matar e destruir. No conhecido texto de 2 Co 11:23-30 Paulo faz um relato de algumas situações pelas quais ele havia passado:

“(...) em trabalhos, muito mais; muito mais em prisões; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um; fui três vezes fustigado com varas; uma vez, apedrejado; em naufrágio, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar; em jornadas, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez. Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as Igrejas. Quem enfraquece, que também eu não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu não me inflame? Se tenho de gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza.”

Paulo sabia muito bem o que era a perseguição. Nós no entanto não temos tido essa experiência, mas por vezes nos sentimos perseguidos pelo fato de sermos cristãos, perseguidos por causa do zelo e da observação da Palavra de Deus, perseguidos por causa dos falsos profetas e dos falsos crentes, perseguidos por sermos servos de Deus. Uma perseguição psicológica e social, que pode afetar a nossa vida emocional e espiritual, e que tem levado muitos a um estado de tristeza que é o próprio desespero.

“Não desamparados” significa no original: “não esquecidos”, “abandonados”, “deixados para trás”. Com frequência Paulo foi perseguido, chegando ao ponto dele suplicar a Deus que retirasse dele o “espinho da carne”, o que pode ser justamente as perseguições. Mas o Excelso Comandante nunca desampara Seus soldados, o Senhor cuidou de Paulo, e o Senhor cuida de cada um de nós, mesmo que sejamos perseguidos e soframos por causa da Palavra. Ele nunca Se esquece de nós, nunca nos abandona, jamais nos deixa para trás, mas está sempre conosco, nos fortalecendo a fé e a ESPERANÇA nEle, na certeza de que “dias melhores virão!”.

4 – ABATIDOS, PORÉM NÃO DESTRUÍDOS (vs.9b)

“Abatidos”, no grego “katabalo”, que significa “lançar por terra”, “derrubar”. Paulo havia perdido algumas batalhas, ele sofreu algumas derrotas, mas ele sabia que para ganha muitas vezes precisaria perder. Podemos ser abatidos diante de situações que fogem ao nosso controle; por pessoas que não tem integridade, honestidade e respeito; por enfermidades que nos assolam; por acidentes de percurso; ou por nós mesmos, pois somos pecadores. O nosso pecado e a nossa imperfeição podem nos abater e tentar nos levar ao desespero. Porém não poderão jamais nos destruir, porque temos uma esperança eterna, JESUS É A NOSSA ESPERANÇA! Por isso que Paulo diz “não destruídos”.

“Não destruídos”, no grego “apollumi”, que significa “arruinar”, “destruir”, e se encontra na voz passiva, isto é “ser arruinado”, “ser destruído”. Esse verbo também é usado para indicar “morrer”, “perecer”.

Podemos até passar por algum abatimento, uma queda, uma situação que fugiu ao nosso controle, porém não seremos destruídos em nossa fé, em nossa conduta, em nossa comunhão com o Eterno Deus, porque dEle provém a nossa ESPERANÇA.

O sentido do texto nesse caso sugere uma luta, guerra, batalha, onde o soldado pode até ser atingido por uma seta, um golpe que o fere e lança por terra, mas o Senhor promete que o justo não ficará prostrado, porque o Senhor o levanta e coloca de pé (Sl 37:24).

CONCLUSÃO

“O Apóstolo aqui pensa sobre si mesmo como um soldado atarefado, em luta com um adversário evidentemente mais vigoroso, e que a qualquer momento corre o perigo de ser derrotado, descreve a sua condição:
 

Em toda a direção pressionado duramente, mas não avassalado;
perplexo, mas não levado ao total desespero;
perseguido, mas não abandonado por Deus ao inimigo perseguidor;
derrubado como que por uma flecha; mas não destruído.”

Como você tem enfrentado suas lutas? Como tem enfrentado as situações difíceis da vida? Não se deixe vencer pelo desespero, busque em Deus renovar a sua esperança.

Esse é o sentido do Natal; alegria, fé, comunhão com Deus...

NATAL É VIVER COM ESPERANÇA NUM MUNDO DE DESESPERO.

Por: Rev. Paulo Sergio da Silva
IPB de Vila Gerti, S.C.Sul / SP
Culto de Louvor 08/12/13.

Material de apoio:
Bíblia de Estudo de Genebra
O Novo Testamento Comentado Versículo Por Versículo - R.N.Champlin (Ph.D.).


SDG – A DEUS TODA GLÓRIA!!!

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