CELEBREMOS A REFORMA!


Por: Rev. Paulo Sergio da Silva
IPB de Vila Gerti, S.C.Sul / SP
Culto de Louvor 03.11.13


“Pois não me envergonho do Evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no Evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.” Romanos 1:16-17.

"Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé." Habacuque 2:4.

"E é evidente que, pela Lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé." Gálatas 3:11.

"Todavia, o Meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não Se compraz a Minha alma." Hebreus 10:38.




 
Celebrar é festejar, comemorar! Celebrar a reforma é vive-la. O dia 31 de outubro é para nós uma data especial, o dia em que comemoramos a REFORMA PROTESTANTE. A partir desse dia, no ano de 1517, há 496 anos, aprouve ao Senhor redimir a Sua Igreja de um caminho de morte e destruição iminente. Louvado seja o Senhor que É zeloso e fiel com a Sua obra, e com o Seu povo. A idolatria e o paganismo haviam invadido a Igreja através de doutrinas e costumes estranhos ao Evangelho; a Noiva de Cristo estava totalmente descaracterizada daquele princípio simples e puro que fora instituído pelo Senhor em Atos 2. Foi então que o Senhor levantou o monge agostiniano e professor de teologia, Martinho Lutero, que afixou à porta da Igreja de Wittenberg, na Alemanha, as suas célebres 95 Teses, convidando a comunidade acadêmica local para um debate público sobre a venda das indulgências e outras questões controvertidas. Desde então, o dia 31 de outubro de 1517 tem permanecido na consciência evangélica como um símbolo fundamental do seu movimento. 
 

As 95 Teses de Martinho Lutero


Todavia, por mais decisivo e marcante que tenha sido, esse acontecimento pertence ao passado. Há muitos evangélicos que sonham com uma volta aos tempos da Reforma, ou da Igreja Primitiva. Porém, o fato é que os acontecimentos, circunstâncias e personagens passam inexoravelmente; somente as ideias e os ideais permanecem, e são eles, acima de tudo, que devem ocupar a nossa atenção.
 

A Igreja de Wittenberg, Alemanha

OS REFORMADORES
Lutero (1483 - 1546) escreveu as 95 teses e as afixou na Igreja de Wittenberg, na Alemanha, em 31 de outubro de 1517.
Guilherme Farel (1489 - 1565) foi um dos instigadores da reforma.
João Calvino (1509 - 1564) personagem chave desse movimento, influenciou (e ainda influencia) todo o mundo ocidental com seus escritos.
Teodoro de Beza (1513 - 1605) foi reitor da Academia de Genebra.
João Knox (1513 - 1572) foi o fundador do presbiterianismo na Escócia.
 


Ao comemorarmos mais um aniversário da Reforma, de que maneira podemos celebrar a obra dos desbravadores evangélicos do século XVI? De que modo podemos honrar o Deus dos reformadores, nós que vivemos no início do século XXI? Uma das respostas é: conhecendo e encarnando as convicções que nortearam as suas vidas e os seus labores.

OS 5 SOLAS - Declaração de Cambridge, Massachusetts, 1996
Este é um dos maiores símbolos da Reforma, pois exprime todo o pensamento dos reformadores, e é a base da fé reformada, a nossa fé.

SOLA SCRIPTURA – Jo 5:39; Rm 15:4
Reafirmamos as Escrituras como inerrantes e fonte única de revelação divina escrita, única para constranger a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado. Negamos que qualquer credo, concílio ou indivíduo possa constranger a consciência de um crente, que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação.

SOLUS CHRISTUS – Jo 3:16
Reafirmamos que nossa salvação é realizada unicamente pela obra mediatória do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e Sua expiação por si só são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai. Negamos que o evangelho esteja sendo pregado se a obra substitutiva de Cristo não estiver sendo declarada, e a fé em Cristo e Sua obra não estiver sendo invocada.

SOLA GRATIA – Ef 2:8-10
Reafirmamos que na salvação somos resgatados da ira de Deus unicamente pela Sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, soltando-nos de nossa servidão ao pecado e erguendo-nos da morte espiritual à vida espiritual. Negamos que a salvação seja em qualquer sentido obra humana. Os métodos, técnicas ou estratégias humanas por si só não podem realizar essa transformação. A fé não é produzida por natureza não-regenerada.

SOLA FIDE – Ef 2:8; Rm 5:1
Reafirmamos que a justificação é somente pela graça, somente por intermédio da fé, somente por causa de Cristo. Na justificação a retidão de Cristo nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus.

Negamos que a justificação se baseie em qualquer mérito que em nós possa ser achado, ou com base numa infusão da justiça de Cristo em nós; ou que uma instituição que reivindique ser Igreja, mas negue ou condene o "Sola Fide" possa ser reconhecida como Igreja legítima.

SOLI DEO GLORIA – Lc 4:8

Reafirmamos que, como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para a glória de Deus e devemos glorificá-Lo sempre. Devemos viver nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para Sua glória somente.
Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a autoestima e a auto realização se tornem opções alternativas ao evangelho.

 

 
A REFORMA ONTEM E HOJE
O Rev. Alderi de Souza Matos destaca três pontos notáveis para a compreensão do pensamento reformado, e a necessidade de trazermos sua prática para o nosso contexto, hoje, Igreja do Século XXI.

1 – QUEM É DEUS

É notável o lugar que os reformadores deram ao Deus trino em seu pensamento e ação. Apesar dos fatores políticos, sociais e econômicos envolvidos na Reforma, o seu ímpeto mais central veio da profunda experiência religiosa de líderes como Lutero e Calvino. A sua visão da graça e da glória de Deus, mediada pelas Escrituras, levou-os a colocá-Lo no centro de suas vidas e a rejeitar tudo aquilo que pudesse obscurecer a Sua Majestade como o Senhor do Universo, da vida e da redenção.

2 – O QUE É A IGREJA

Há que considerar o seu entendimento da Igreja como comunidade de adoração, comunhão e serviço. A Igreja não era para eles uma estrutura ou instituição, mas o conjunto dos fiéis que se reúnem para exaltar a Deus, estudar a Sua Palavra e celebrar a Sua salvação. A Igreja existe para efetuar a obra do testemunho e serviço, dentro e fora do templo.

3 – A IGREJA FORA DA IGREJA
 
Finalmente, os reformadores nos inspiram em seu entendimento da sociedade. Rompendo com a dicotomia entre sagrado e secular, os líderes da Reforma e seus seguidores insistiram no fato de que toda a vida pertence a Deus e deve refletir o Seu Senhorio. Com seu trabalho e exemplo, o cristão deve esforçar-se para que os valores do Reino permeiem todas as áreas da coletividade.

CONCLUSÃO
Que sejam essas as nossas preocupações ao lembrarmos novamente os eventos e personagens dos quais somos herdeiros. Celebrar a Reforma não é só lembrar uma vez ao ano, de um evento histórico, ocorrido há quase meio milênio. Isso faz parte e é superimportante. Mas Celebrar a Reforma é viver dentro desses princípios de fé, conduta e culto, dentro da Igreja e fora dela.

 

 
Que Deus nos abençoe!




Material de apoio:
Os Cinco Solas – A Declaração de Cambridge,
A Reforma Ontem e Hoje - Rev. Alderi de Souza Matos.


SDG – A DEUS TODA GLÓRIA!!!

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