O NATAL E O SENHORIO DE CRISTO

Por: Rev. Paulo Sergio da Silva
24.12.10 Culto Especial de Natal
3ª IPB de Barretos / SP


TEXTO BÁSICO – LUCAS 1:26-38

INTRODUÇÃO
Por quê comemoramos o Natal em 25 de dezembro? Não existe nenhuma referência bíblica para comemorarmos esse dia. Então por que assim fazemos? Fazemos por causa da tradição histórica e pelo significado que esse dia tem para nós. O dia em si não é diferente dos demais, é um dia como outro qualquer. Mas, o significado que ele traz em si o torna diferente. Essa é uma parte da história da Igreja que permaneceu através dos séculos. Nós guardamos esse dia porque é uma excelente oportunidade para falarmos e testemunharmos acerca do nascimento de Cristo às pessoas, especialmente em nossas casas, famílias, etc. (Confira aqui mais informações acerca da origem dessa data).

EXPLICAÇÃO

Deus tem uma obra a realizar e Ele quer usar seus vasos, Maria se dispôs como uma serva exemplar. Ela achou graça diante de Deus (28,30), por causa do privilégio que é ser usado por Ele. Maria não é especial em si mesma, mas por causa da obra de Deus na vida dela. Maria não deve ser venerada, ela é somente uma serva (38), como qualquer um de nós, servos e servas de Deus.

Natal para ser Natal precisa ser um dia dedicado à comunhão, fraternidade, amor, etc., de acordo com a vontade do Senhor do Natal, que é Jesus. Se Cristo não estiver presente, então não é Natal de verdade, é uma festividade como outra qualquer. Para nós, a comemoração do Natal tem a ver com a proclamação da pessoa central desse dia, que é Jesus Cristo, e o nosso posicionamento diante de quem Ele é.

ARGUMENTAÇÃO
A leitura desse texto nos leva justamente a esses dois pontos: as virtudes de Cristo e o nosso posicionamento diante dEle.

1 - AS VIRTUDES DE CRISTO
O texto nos apresenta essas virtudes em três aspectos.

1.1 – O Seu nome: “Jesus Cristo” (31)
Notemos que o nome do Senhor Jesus foi dado pelo próprio Deus. O anjo é somente um mensageiro do Senhor. O significado do nome do Senhor revela-nos também acerca de Suas virtudes e atributos.
Jesus = gr. Salvador; hb. Josué
Cristo = gr. Ungido; hb. Messias. “O Cristo” quer dizer “o Ungido”. Significa que Ele é o Ungido de Deus para realizar a Sua gloriosa obra.
O entendimento desses termos traz para nós grandiosa paz, pois somos dEle, fomos comprados por Ele, vivemos para Ele.

1.2 – Filho do Altíssimo (32a,35)
Essa expressão aparece duas vezes no texto que foi lido, e liga diretamente a pessoa dEle como sendo oriundo do Pai Celeste. Ele não é filho de José, Ele é Filho do Altíssimo. José assumiu a paternidade terrena, mas Jesus não é filho legítimo dele, Jesus é Filho do Deus Altíssimo.

Lembremos sempre que na vinda de Jesus, Deus O estava enviando para padecer em nosso lugar na Cruz do Calvário. Natal é Cristo vindo ao mundo com este objetivo. Deus nos amou de um modo tão extremo que deu o Seu próprio Filho para nos salvar (conforme João 3:16 e tantos outros textos).

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Em João 3:16 encontramos outro elemento que deve ser considerado: Ele é o Filho UNIGÊNITO do Pai, isto é, Ele é o único Filho legítimo que Deus tem e que compartilha da Sua divindade. Ele é gerado do Pai, a Confissão de Fé de Westminster afirma que Ele é eternamente gerado do Pai, isto é, Ele já existia na eternidade antes do Seu nascimento, Ele é eterno, Ele é o Deus Filho, Filho do Deus Pai. A maior prova do amor de Deus não está em bens materiais ou em qualquer coisa desse mundo, mas no fato de que Ele se dispôs enviar o Seu próprio Filho para vir a este mundo. Essa é a maior prova de amor.

1.3 – Ele reina (32b,33,37)
O Senhor Jesus é o nosso Rei, Ele reina de eternidade a eternidade, tudo está sob o Seu poder que é absoluto. Todas as coisas estão debaixo de Sua eterna autoridade. Precisamos confiar em Seu poder e autoridade para vivermos na Sua vontade.
•    O trono de Davi = reinado temporal / Israel (32b). Significa que enquanto aqui esteve Ele reinou como Rei do Israel terreno. Ainda que não reconhecido e respeitado por todos, Ele é o Rei de Israel.
•    Reinado eterno sobre tudo e todos para sempre (33). O texto diz que o Seu reinado não terá fim, isso significa que é eterno. Ele reina de eternidade a eternidade sobre toda a vastidão do universo. Até os fios de cabelos de nossas cabeças estão todos contados. Será que existe algo difícil para Ele?
•    Soberania (37). Jesus é Deus encarnado, Ele é soberano, não há impossíveis para Ele. Assim como Isabel concebeu na velhice, para Ele não há impossíveis. Não existem sonhos frustrados que Ele não possa reviver; não existem problemas insolúveis, ou situações difíceis para Ele. Para Ele não existem impossíveis.

2 - NOSSO POSICIONAMENTO
Se servimos e cremos em um Senhor tão poderoso como o Senhor Jesus (e não outro igual a Ele, só Ele é Jesus Cristo, somente ele é o nosso Salvador Ungido); precisamos nos posicionar através de atitudes que revelam nosso compromisso com Deus. Obs.: ao observarmos o testemunho de Maria estamos apenas verificando como ela agiu diante de seus desafios. Podemos aprender não só com ela, mas também com o testemunho de Pedro, Paulo, João, etc.
 

2.1 – Não temer, mas confiar (30) Os desafios estão diante de nós, sabemos qual é a vontade de Deus, é preciso ter fé e coragem para não desistir. Maria poderia ter desistido ou duvidado, essas reações são filhas do medo, da insegurança, da incredulidade. A missão dela não foi nada fácil. A começar pelo testemunho, ela poderia ser tida por uma pessoa infiel a Deus, uma mulher promíscua. A pena era a morte por apedrejamento! Mas ela não temeu, ela confiou! E Deus a abençoou. Assim também não devemos temer quaisquer que sejam as circunstâncias, porque o Senhor Jesus está conosco, nada nos faltará, o inimigo não pode nos tocar, é o Senhor quem nos protege e livra de todo mal. E ainda que andemos pelo vale da sombra da morte, o Senhor sempre estará conosco.

2.2 – Ser fiel a Deus (34)
Maria era uma serva fiel a Deus, não podemos abrir mão dos princípios para realizar a obra de Deus. Ela não tinha homem algum, ela era virgem, pura, fiel a Deus. A Igreja moderna está em crise, crise de identidade, crise de caráter. Vivemos dias de crise moral, em que a sexualidade tornou-se algo tão banal como dar um passeio. As pessoas praticam o ato sexual como se os seus corpos não tivessem nenhum respeito ou valor. Não foi para isso que Deus nos fez. Em um mundo tão conturbado precisamos ser fiéis. Maria era fiel a Deus, por isso ela questionou. Não é problema questionar, desde que seja por fidelidade a Deus.

2.3 – Crer na virtude do Espírito Santo (35)
Ele foi o agente da encarnação de Cristo, Ele executou e executa os impossíveis porque Ele é a Terceira Pessoa da Trindade, o Deus Espírito Santo. A Bíblia nos manda buscarmos ser cheios dEle, e nos submetermos a Ele. Sem Ele é impossível realizarmos a obra de Deus na Terra. O que Deus fez ali foi um grandioso milagre: Jesus foi concebido no ventre de uma mulher por obra do Espírito Santo. Vivemos dias em que uns não crêem mais em milagres, e outros só pensam em milagres. O Espírito Santo foi derramado sobre a Igreja no Pentecostes, e Ele é o Deus Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Trindade. Ele é o agente da salvação, é Ele quem comunica fé ao coração do homem. É Ele também quem nos concede o arrependimento. Ele quem opera em nós o querer e o realizar. É Ele quem nos liberta no jugo do pecado, e nos santifica. Precisamos crer na virtude, no poder que emana do Espírito Santo.

2.4 – Submissão à vontade de Deus (38)

Maria nos dá o exemplo de submissão, devemos imitá-la aqui também. Maria já não questionou mais nada, mas disse que se cumprisse nela a vontade do Senhor. A insubmissão humana faz oposição à vontade de Deus. Somos insubmissos por natureza, precisamos nos submeter à Deus. Maria dispôs o seu corpo para que se cumprisse nela a vontade de Deus. Não podemos viver um tipo de fé teórica, etérea. A fé cristã é prática! A partir do momento em que nos submetemos a Deus, certamente vamos nos incomodar com o que estiver errado, vamos tentar ajudar, vamos fazer alguma coisa para que a obra de Deus se realize. A nossa omissão é sinal de insubmissão, rebeldia. Precisamos romper as cadeias da preguiça, do desânimo, e do comodismo, se de fato desejamos nos submeter à Deus.
Maria reagiu positivamente diante de sua missão, não podemos nos enfraquecer diante da missão que o Senhor nos Deus. Submetamo-nos a Ele!
 

CONCLUSÃO Hoje é véspera de Natal, que dia glorioso foi aquele! Anjos anunciaram a vinda do Messias, uma estrela os guiou até a casa onde Ele estava. Ele nasceu em uma manjedoura, porque não havia lugar para Ele. Ele foi servido por anjos, honrado por reis, seguido e adorado por homens. Tudo isso marcou a vinda do filho de Deus.

Mas, o que nós temos feito neste Natal? Qual é a nossa preocupação nesse momento? Será a Ceia? Ou os presentes?

Vamos dar uma pausa, pensar e orar a respeito dessa mensagem. Que Cristo seja para você tudo que Ele de fato é:
- Salvador Ungido;
- Filho do Altíssimo;
- Rei soberano.

E que o seu (nosso) posicionamento diante de tamanha majestade, seja semelhante ao de Maria:
- Não temas, crê somente! Tenha coragem e fé diante dos problemas da vida;
- Seja fiel a Deus, consagre-se a Ele, tenha uma vida reta e santa diante dEle;
- Creia no poder do Espírito Santo, não se esqueça que Ele é Deus;
- Submeta-se à vontade de Deus, cumpra a sua missão na face da Terra.

Um Feliz Natal, e que Deus te abençoe!

SOLI DEO GLORIA!!!

Material de apoio:
ABA – A Bíblia Anotada;
PEB – Pequena Enciclopédia Bíblica.

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