Pensando em Sapos, Incêndios e Pedaços


O que sapos, incêndios e pedaços tem em comum?

Existem três lições importantíssimas a serem aprendidas e praticadas para que sejamos de fato do bem e reconhecidos como servos de Deus. Essas atitudes trazem benefícios para as pessoas que nos rodeiam, mas com o tempo aprendemos que os maiores beneficiados somos nós mesmos, quando as praticamos. Essas três lições fazem toda a diferença na nossa vida, e destacam quem são os mais sábios e amadurecidos.

Engolir sapos

Embora o termo seja repulsivo, significa: "Quando se tem a capacidade de suportar desavenças, escutar barbaridades, xingamentos, ofensas e palavrões, mas aquietar-se sem revidar." (https://www.dicionarioinformal.com.br/engolir+sapo/ adaptado). Isso não é tarefa fácil, pois lidamos com nosso próprio "eu", nossos sentimentos e valores fundamentais, como a dignidade e o respeito próprio. Mas "engolir sapos" nos ajuda a vencer o egoísmo, afastar as desavenças e contradições, ainda que isso nos faça parecer fracos. No entanto, como diz Paulo: "Quando sou fraco, então é que sou forte!" Vale a pena ser esse tipo de fraco, perante os padrões de uma sociedade violenta e perniciosa. Porque na realidade quem assim age é forte, pacificador, tem controle de suas próprias emoções e reações. Engolir sapos nos capacita a olhar a situação como que fora dela e não permitir que a raiva e as neuras de outros nos atinjam e nos governem. Engolir sapos não é ser covarde, mas sábio e controlado. Depois que passar o pior momento, poderemos conversar com as pessoas e nos sentiremos muito bem, em paz e sem a culpa e a dor que o descontrole e as discussões causam.

"Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. Façam todo o possível para viver em paz com todos. Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: "Minha é a vingança; Eu retribuirei", diz o Senhor. Pelo contrário: "Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele". Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem." (Rm 12:17-21).

Apagar incêndios

Essa ação é fruto de corações pacificadores, pois os incêndios podem destruir casas, famílias, vidas. É preciso verificar cuidadosamente se não há nenhuma fagulha, pois essas se não apagadas poderão incendiar tudo. "Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva!" (Tiago 3:5). Apagar incêndios requer uma boa dose de paciência e sabedoria, pois os incendiários nem sempre querem colaborar, pelo contrário, muitos são contumazes e usam de muita perspicácia. Mas como é bom poder apagar o incêndio no início, porque quando ele pode se tornar grande e tomar conta da situação, e nesse caso os danos são muito maiores, muito mais dolorosos, e em alguns casos até irreversíveis. Portanto, pessoas do bem são bombeiros e não incendiários. Não alimentam o fogo com gasolina, mas jorram águas vivas que fluem do seu interior (João 7:38).

"Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus." (Mt 5:9).

Ajuntar pedaços

Essa expressão significa exatamente reunir forças para restaurar vidas que estão desestruturadas, despedaçadas. O que causa o despedaçamento? Problemas e diferenças conjugais, desentendimentos, mágoas, iras, palavras ofensivas, infidelidades, adultérios, traumas, dores, violência, ofensas, vícios, bebedices, drogas, mentiras, egoísmos, traições, frustrações, decepções, sonhos que não deram certo. Muitas vezes o desemprego causa toda uma avalanche de crises e problemas, desorientação, insegurança e a sensação de que nada vai dar certo. As enfermidades e tragédias da vida também nos estraçalham, nos deixando totalmente quebrados e esmiuçados. Quantas vezes confiamos em alguém que "puxou nosso tapete" e nos derrubou. Em alguns casos até já sabíamos que havia uma cota, uma porcentagem de risco, mas mesmo assim depositamos nossa confiança em parentes, amigos e irmãos que simplesmente nos viraram as costas. É nessas horas que precisamos ajuntar os nossos pedaços espalhados pelo chão, como um vaso quebrado, e nos levantar. Não podemos deixar que os problemas nos destruam, precisamos ser reconstruídos, restaurados. E assim poderemos ajudar outros também a se recomporem e se levantarem das cinzas e do pó.

"Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós. De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo." (2 Co 4:7-10).


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