Pai, Perdoa-lhes Porque Não Sabem o Que Fazem


“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” Lucas 23:34.

Uma das maiores doutrinas da Bíblia é o perdão de Deus. Deus quis perdoar o Seu povo escolhido, e por isso enviou Jesus, Seu Filho Unigênito, para que morrer na Cruz, pagando ali o preço dos pecados, para que “todo aquele que nEle crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16b). A nossa contemplação da graça divina excede todo entendimento, pois como poderia aquEle que é “Santo, Santo, Santo” acolher em Seu coração pessoas tão imperfeitas como nós? Foi o Seu amor que nos proporcionou o Seu perdão. Através de Sua infinita graça é que pudemos ser alcançados por tão sublime e gracioso amor, manifestado de forma muito clara em Seu perdão. Se não fôssemos perdoados jamais O conheceríamos, não teríamos salvação e estaríamos condenados a passar nossa eternidade no inferno. Mas Deus quis nos perdoar, e nos concedeu o arrependimento de nossos pecados, nos convencendo pelo poder de seu Espírito, operando o Seu chamamento e vocação eficaz em nossos corações, nos assim dando o Seu perdão.

E foi na Cruz, em momentos tão dolorosos que nossa mente não consegue compreender, que Jesus demonstrou Seu infinito amor de um modo tão peculiar: perdoando até os Seus agressores e intercedendo por eles. O nosso Senhor, padecendo todo aquele sofrimento, dor e humilhação, deu-nos aqui três lições preciosas acerca do perdão: seu valor inestimável, Seu papel como Intercessor eterno, e Sua fidelidade nos cumprimento da Lei de Deus.

1 – O valor do perdão

É preciso ressaltar que o sofrimento de Jesus na Cruz foi muito mais além do que o sofrimento físico. Ali Ele foi traspassado por nossos pecados e iniquidades (Is 53:5). Havia um peso de condenação e maldição sobre Ele por causa de nossos pecados. É inimaginável a nós, seres humanos, compreender perfeitamente o que aconteceu ali. Tanto que até o Pai Se retirou e não olhou para Ele naquele momento, conforme está registrado em Mateus 27:46, quando Ele clamou: “Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?”

Foi na Cruz que Jesus perdoou Seus algozes, mesmo sofrendo tudo o que Ele sofreu. Ele foi traído, preso, julgado falsamente, chicoteado, cuspido, bateram nEle, foi humilhado ao extremo, crucificado, zombado, perfurado com uma lança e morto.

Quão diferente de nós... Ele perdoou aqueles que O feriram e O humilhavam. Em Mateus 27:27-31; 38-44 temos uma noção do que ele passava naquele exato momento.

Jesus humilhado antes da crucificação
“27 E logo os soldados do presidente, conduzindo Jesus à audiência, reuniram junto dEle toda a coorte.
28 E, despindo-O, O cobriram com uma capa de escarlate;
29 E, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-Lha na Cabeça, e em sua mão direita uma cana; e, ajoelhando diante dEle, O escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos judeus.
30 E, cuspindo nEle, tiraram-lhe a cana, e batiam-Lhe com ela na cabeça.
31 E, depois de O haverem escarnecido, tiraram-Lhe a capa, vestiram-Lhe as Suas vestes e O levaram para ser crucificado.”

E a resposta de Jesus foi: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.”

Jesus foi humilhado depois da crucificação
“38 E foram crucificados com Ele dois salteadores, um à direita, e outro à esquerda.
39 E os que passavam blasfemavam dEle, meneando as cabeças,
40 E dizendo: Tu, que destróis o templo, e em três dias o reedificas, salva-Te a Ti mesmo. Se és Filho de Deus, desce da Cruz.
41 E da mesma maneira também os príncipes dos sacerdotes, com os escribas, e anciãos, e fariseus, escarnecendo, diziam:
42 Salvou os outros, e a Si mesmo não pode salvar-Se. Se é o Rei de Israel, desça agora da Cruz, e crê-Lo-emos.
43 Confiou em Deus; livre-O agora, se O ama; porque disse: Sou Filho de Deus.
44 E o mesmo lhe lançaram também em rosto os salteadores que com ele estavam crucificados.”

E a resposta de Jesus foi: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.”

Precisamos aprender com o testemunho de Jesus acerca do perdão. Não podemos nos dar o direito de não perdoar quem quer que seja, pois Ele nos ensinou essa grande lição do perdão. Afinal Ele passou todo esse sofrimento para nos perdoar. E a Sua ordem é: “Perdoai, e sereis perdoados” Lucas 6:37.

2 – Jesus É o Intercessor eterno

Talvez você não saiba, mas naquele momento se cumpriu a profecia de Isaías 53:12 que diz:

“Por isso, Eu Lhe darei muitos como a Sua parte, e com os poderosos repartirá Ele o despojo, porquanto derramou a Sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre Si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.” Isaías 53:12.

Jesus intercedeu por Seus transgressores, mesmo sofrendo horrivelmente todo tipo de dor física, emocional, psicológica e espiritual, lembrando que o nível de espiritualidade de Jesus Deus é muito maior, pesado e sofrível do que o Jesus Homem. Ali estava o Homem e o Deus Jesus Cristo. Seu sofrimento foi tão terrível por causa dos nossos pecados e de todos os filhos de Deus de todas as épocas e gerações, desde a criação do mundo. Mesmo assim ele intercedeu por Seus transgressores. 

Mas a Bíblia nos e em diversos textos, que o Senhor Jesus é o nosso intercessor eterno, ou seja, Ele continua intercedendo por transgressores, pois é isso que somos. Fomos regenerados pela graça de Deus, mas inda somos pecadores e carecemos da intercessão dEle. Sem a Sua intercessão provavelmente já teríamos sido consumidos pela ira de Deus.

“Quem é que condena? Pois é Cristo Quem morreu, ou antes Quem ressuscitou dentre os mortos, o Qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.” Romanos 8:34.
“Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.” 1 João 2:1.

O exemplo de Jesus nos constrange a interceder também, uns pelos outros, e por aqueles que nos oprimirem, sejam eles crentes ou não. Somos tentados a ser seletivos, mas não temos o direito de orar somente pelas pessoas que amamos, que fazem parte da nossa lista de amigos mais chegados. Muitas vezes Deus permite que apareça uma “pedra em nosso sapato”, para que intercedamos mais, praticando assim o amor que Ele nos deu e ordenou praticar também. Temos o dever orar por todos, foi isso que o Senhor nos ensinou na Cruz e nos ordenou em Mateus 5:44, é o que vamos ver a seguir.

3 – Jesus cumpriu todos os mandamentos 

Lá na Cruz Jesus foi muito além das nossas perspectivas. O que seria de se esperar, humanamente falando, é que Ele intercedesse pelos eleitos somente, mas Ele intercedeu até pelos seus opressores, por aqueles que O maltratavam, e subjugando-O, blasfemando contra Ele e O maltratando. Jesus cumpriu o seu próprio mandamento de Mateus 5:44 conforme aprendemos:

“Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos Céus.” Mateus 5:44.

Jesus não é como muitos que aderiram àquela filosofia do “faça o que eu mando e não faça o que eu faço”. Muito pelo contrário, Ele cumpriu toda a Lei para nos dar exemplo de retidão, sabedoria, humildade, obediência e desenvoltura na fé, não uma fé de palavras vazias, mas uma fé prática, assumida com alegria e maturidade. Jesus cumpriu todos os requisitos da Lei, não deixou passar nem um pingo de i ou til, mas cumpriu TODA a Lei, até esse mandamento que Ele próprio instituiu esse acréscimo, ensinando-nos assim o que é guardar e observar a Lei de Deus.

Conclusão

Se considerarmos como justo e verdadeiro o testemunho de Cristo, temos pelo menos duas grandes lições a aprender aqui.

1 – Cristo intercede por nós
Notemos que Ele intercedeu por Seus próprios opressores, quanto mais O fará aos Seus próprios discípulos? Sim! É isso mesmo, apesar de sermos tão imperfeitos e frágeis o Senhor intercede por nós. Sabe o que isso significa? Que nada poderá nos separar dEle, nem o mundo, nem o inimigo, nem nossos defeitos, nem nós mesmos. Nós temos um intercessor, e só Ele pode interceder por nós diante do Pai (1 João 2:1-2).

2 – Precisamos praticar o Seu mandamento de Mateus 5:44.
Temos cumprido essa ordem que Ele nos deu? Temos sido seus imitadores? Não é fácil mas é uma ordem, e essa ordem precisa ser cumprida. Ele próprio a cumpriu para dar-nos o exemplo.

3 – Existe o pecado imperdoável conforme Mateus 12:31; Hebreus 6:4-6 e 1 João 5:16.
O pecado imperdoável é a negação do perdão de Deus. Não negue em hipótese alguma o perdão, pois assim diz a oração do Pai Nosso: “Perdoa as nossas dívidas assim como perdoamos os nossos devedores.” Quem não perdoa está negando receber o perdão de Deus.

Soli Deo Gloria!!!

IPNA Culto Vespertino 03/09/17
Rua Álvares Fagundes, 102, Americanópolis, São Paulo.

Comentários