VENCENDO OS DILEMAS DA VIDA


1 REIS 3:16-28

“E todo o Israel ouviu a sentença que o rei proferira, e temeu ao rei; porque viu que havia nele a sabedoria de Deus para fazer justiça.” 1 Reis 3:28.

A vida é cheia de dilemas. Dilema significa: “Necessidade de escolher entre duas saídas contraditórias e igualmente insatisfatórias. Alternativa em que não há opção satisfatória. Conjuntura difícil (sem saída conveniente). Argumento formado por duas proposições que se contradizem mutuamente.” (Google dicionários, Priberam Dicionário). Como resolver essas situações da maneira mais plausível e sábia? Você tem vencido os seus dilemas?

A história relatada nesse texto é impressionante, pois mostra um quadro único na Bíblia, de um dilema que certamente foi de difícil solução. Duas mulheres afirmavam que o bebê era delas, e buscaram no Rei Salomão uma saída para o dilema. Salomão pediu sabedoria a Deus (1 Rs 3:9) e Deus lhe concedeu (vs.12). E agora, o Rei Salomão, que nesse contexto tinha as atribuições de juiz também, ou seja, o que ele resolvesse seria feito, tinha que resolver este dilema. Foi então que ele, com tamanha sabedoria, mandou que lhe trouxessem uma espada e disse o inesperado: “Dividam o menino em duas partes e cada uma leva metade para casa”. A reação da mãe legítima foi imediata e linda de se pensar: “Ah! Senhor meu, dai-lhe o menino vivo e por modo nenhum o mateis” (vs.26a), enquanto a outra mulher dizia: “Nem meu nem teu; seja dividido” (vs.26b). Obviamente o menino não foi morto, e a primeira mulher foi identificada como a mãe da criança por causa do amor.

Veremos que este relato sagrado nos mostra três dilemas, e como eles foram solucionados. São como matrizes para a solução de nossos próprios dilemas pessoais. Gostaria de refletir com você, pois todos carecemos desse aprendizado para a solução de quaisquer dilemas que viermos a enfrentar.

1º dilema: VERDADE x MENTIRA

Salomão tinha diante de si uma grande mentira e uma grande verdade, afinal a criança só poderia ter uma mãe. Ele lidava com uma mulher mentirosa, porém havia também ali uma mãe em desespero, só de pensar em perder seu filhinho e lutando por ele. No momento em que a vida da criança foi colocada em jogo, a verdade se manifestou através do amor materno, “porque o amor materno se aguçou por seu filho” (vs.26a). Ficou notória a que aquela que abria mão da guarda da criança era a mãe verdadeira, e a mentira da falsa mãe foi desmascarada.

Se você está se sentindo injustiçado por uma mentira fique calmo, a verdade nem sempre está à vista, mas um dia aparece. E quando a verdade aparecer, a mentira e quem mentiu, também aparecerão. 

“Pois nada está oculto, senão para ser manifesto; e nada se faz escondido, senão para ser revelado.” Marcos 4:22.

Alguns ditados de sabedoria popular logo surgem quando o assunto é verdade / mentira. “A mentira tem pernas curtas”, isto é logo aparece, não ficará escondida por muito tempo. “Onde passa um boi, passa uma boiada”, referindo-se ao hábito / vício de mentir, e à jurisprudência que esse hábito pode gerar. “Mais vale uma amarga verdade, do que uma doce mentira”, pois há momentos em que a verdade dói, mas ainda assim é melhor. Triste fato é que a mentira se acampa até em Igrejas e lares que professam a fé em Deus. Há muitos cônjuges, pais e filhos também, que traem seus queridos. No ambiente de trabalho, muitas vezes hostil, a mentira surge como uma arma cruel, viciante e avassaladora. A mentira tem por pai o diabo (Jo 8:44) e todos que se entregam a ela tornam-se seus prisioneiros. Mas o que Deus quer é que vivamos uma vida pautada pela verdade absoluta. Deus tanto ama a verdade que Ele próprio se auto denomina por esse título: “Eu Sou o Caminho, A VERDADE, e a Vida, e ninguém vem ao Pai senão por Mim” (Jo 14:6). A verdade cura, transforma, protege, liberta e santifica. Assim disse Jesus: “Santifica-os pela verdade. A Tua Palavra é a Verdade” (Jo 17:17).

2º dilema: AMOR x ÓDIO

Vemos claramente que a mãe verdadeira estava disposta a perder a guarda de seu filhinho, em prol da sua sobrevivência, enquanto que a falsa mãe não se importava nem um pouco com isso. O que fez com que uma mãe abrisse mão da convivência, criação, cuidado, etc., que toda mãe tanto ama praticar? O amor! O que gerou no coração de uma mulher o desejo de ver uma criança partida ao meio? De onde procede tamanha crueldade? O ódio dominava a sua mente, pensamentos, sentimentos, etc. A maldade tomara conta de sua alma, gerando inveja contra a mãe verdadeira, e uma angústia em saber que ela não teria seu filhinho nos braços, enquanto a outra teria. Além de matar seu próprio filho, ainda que acidentalmente, ela estava tão cega pelo ódio, que nem se preocupou em proporcionar um enterro decente a ele. Em busca de “ganhar” aquela causa, cheia de ódio estava disposta a matar um ser tão inocente e indefeso. Em total contraposição, por causa do amor, a mãe legítima estava disposta a perder a guarda do filho, para saber que ele viveria, cresceria, se tornaria um homem, e seria feliz.

Perder ou ganhar, esse é o cerne das maiores controvérsias da humanidade, seja na família, trabalho, Igreja, etc., e até entre nações. O ser humano não quer perder, nós não queremos e não gostamos nada de perder, e de fato, esse ímpeto interior é o que move a humanidade. Não estou dizendo que você deve se conformar com todas as perdas da vida, pois muitas delas são lições que nos ajudam a prosseguir e melhorar. Porém, há momentos em que precisamos saber perder, perder para ganhar. Perder algo que nos é de direito em razão de algo maior que nosso próprio direito. Isso é amor! A outra face da questão é a vontade de ganhar a qualquer custo, como no caso da falsa mãe que não importava mais a vida da criança, pois o que ele queria a todo custo, era “ganhar” aquela causa, ainda que fosse pela metade. Era como se dissesse: “Não estou nem aí, que se dane!”. “Nem meu, nem teu” ela disse (vs.26b), revelando que o que a controlava era um sentimento contrário à outra mulher. A criança estava agora em segundo plano. Fico a refletir quantas e quantas questões são levadas nesse pé, “nem meu, nem teu”, o que importa é ganhar a disputa, ganhar a discussão, ganhar a causa, levar vantagem. Mas os filhos de Deus são caracterizados pelo amor, amor que suplanta o ódio, nosso próprio ego, amor que nos leva a perder se for o caso, para ganhar, por uma causa maior.

3º dilema: SABEDORIA x INSENSATEZ

Numa situação tão difícil de se resolver, a estratégia que Salomão usou foi de tamanha sabedoria, pois através do que ele disse a verdade e a mentira vieram à tona. Creio que ele jamais permitiria que o bebezinho fosse cortado ao meio, o que ele fez foi usar desse estratagema para desmascarar a mentira e coroar a verdade. Mas há sabedoria também na atitude da mãe, ainda que relutante e sofredora, porém rápida em abrir mão de algo tão precioso para ela, seu filho, em função da própria vida dele.

Nós também precisamos ser sábios na nossa vida, dilemas e embates. Há muitos que “batem cabeça” por muito tempo, e parece demoram para aprender. Mas os sábios entendem o grande poder que há em suas decisões, que tudo que fizerem tem seu preço, mérito ou demérito, ainda que tenham seus direitos. Chega um ponto na vida em que cansamos de “pisar na bola”, cansamos de errar e sofrer, aprendemos que precisamos ser sábios e medir as consequências a curto, médio e longo prazo. Salomão havia pedido a Deus que lhe desse sabedoria e discernimento (1 Rs 3:3-15), e Deus Se agradou de seu pedido e lhe concedeu. Em Tiago 1:5 Deus nos conclama a pedir a Ele essa mesma sabedoria e discernimento, e a promessa de Deus é que Ele dará a sabedoria com simplicidade, liberalmente e sem censura (versão revisada). Aliás, esse é um dos temas centrais da Epístola de Tiago, veja: Tg 3:13-18. A sabedoria nos ensina que às vezes é melhor perder, perder para ganhar, perder em função de um bem maior.

CONCLUSÃO

Saibamos resolver nossos dilemas através dessas três premissas: verdade, amor e sabedoria. O amor gera sabedoria, abnegação e sinceridade; é sábio amar e ser sincero.

O que Deus tem falado ao seu coração hoje? Existe alguma coisa em sua vida na qual você tem se apoiado e batalhado e não está disposto a abrir mão? Não quer perder por nada desse mundo? Não seria isso duvidar da justiça de Deus? Só há um meio, um caminho para se superar essas dificuldades sendo um vencedor: tomar decisões sábias, sinceras e pautadas pelo amor que provém de Deus. Assim seremos abençoados. 

Deixe eu te contar uma história, a história de um Rei que possuía um povo ao qual Ele muito amava, porém era prisioneiro de outro rei. Esse Rei sabia que somente Ele poderia libertar o Seu povo, e que para isso Ele próprio precisaria “perder”, entregando-Se em sacrifício. Perder para ganhar, perder para vencer. E Ele então deixou o Seu Reino majestoso, rico, abundante, farto e glorioso e disfarçou-Se de súdito, para Se aproximar, tornar-se um igual ao Seu povo, e então pudesse finalmente resgatar o Seu povo, dando a Sua vida por eles. Se você ainda não entendeu, esse Rei é Jesus! Ele usou de sabedoria, abnegação, humildade e um inimaginável amor, para que pudesse nos salvar. Ele “perdeu” a Sua vida na Cruz, onde foi humilhado e ultrajado. Mas na verdade foi ali que Ele venceu, e assim pôde nos salvar e libertar, dando-nos a vida eterna. Foi assim que Cristo resolveu o maior de todos os nossos dilemas: vida x morte. Qual é a sua opção de vida?

Confie em Deus, em Sua justiça, amor e verdade. Não faça nada fora do padrão de Deus, lute para vencer, mas se for necessário perder por um bem maior, não tenha dúvida que isso é o que deve ser feito. De nada adiantará você levar meio bebê para casa. Deus pode te dar o bebê por inteiro!

Por: Pr. Paulo Sergio Visotcky da Silva
IPB de Americanópolis, culto vespertino 31/07/16.
SDG!!!

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