O LIBERALISMO TEOLÓGICO MORREU?


Por: Rev. Augustus Nicodemus Lopes

“Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo.” Colossenses 2:8.

Após a Reforma, durante os séculos 17 e 18, a Igreja protestante foi largamente influenciada por ideias originadas do Iluminismo. O racionalismo desejava submeter todas as coisas ao crivo da análise racional. Lentamente a razão humana começou a triunfar sobre a fé. O filósofo L. Feuerbach tentou transformar a teologia em antropologia, dizendo que tudo que se diz sobre Deus, na verdade, é dito sobre o homem. Ele influenciou grandemente K. Marx, S. Freud, R. Bultmann e F. Schleiermacher. Esse último desvinculou a fé cristã da história e da teologia, reduzindo a experiência religiosa ao sentimento de dependência de Deus. Somente depois ficaria evidente que era impossível construir uma teologia em cima de um terreno tão subjetivo, mas na época, e por mais de um século, Schleiermacher foi seguido por muitos e sua influência continua até hoje. Na mesma época, surgiu o método histórico-crítico de interpretação da Bíblia, que negava a inspiração divina de seus livros e tratava-a como meros registros humanos falíveis e contraditórios da fé de Israel e dos primeiros cristãos. A confiança na Bíblia foi tremendamente abalada. Esses desenvolvimentos dentro da Igreja, e o movimento que surgiu associado a eles, foi chamado de liberalismo. O liberalismo tinha uma perspectiva elevada do homem e acalentava a esperança de que o Reino de Deus poderia ser implantado nesse mundo mediante os novos conhecimentos científicos e tecnológicos trazidos pelo Iluminismo. Com isso, o Evangelho perdeu a sua exclusividade e força. A Igreja começou a secularizar-se, particularmente na Europa.

O liberalismo teológico, como movimento histórico, terminou. Porém, ele permanece vivo e ativo no seio de muitas igrejas, em seu pensamento, teologia, doutrinas, usos e costumes, cosmovisão, etc. Existe uma verdadeira luta entre o fundamentalismo e o liberalismo, onde a parte fiel deseja manter a doutrina e os costumes alicerçados na Palavra de Deus, ou seja, em Deus; enquanto que a outra parte, a rebelada, anseia por se libertar de tais costumes e padrões, que em sua visão já estão ultrapassados, buscando alicerçar sua crença e modo de vida na razão humana, na ciência, e nos costumes e transformações do mundo, ou seja, no homem.

Hoje, mais que nunca, precisamos entender as origens dessa teologia tão nociva à fé bíblica, mas que se camufla com muitos disfarces, no intuito ser agraciado em corações incautos e suscetíveis aos seus enganos. Precisamos nos precaver para não cairmos em seus enganos e armadilhas.

Notoriamente surgiram diversas heresias nesse percurso que já se estende por quase 400 anos, desde que o Cartesianismo (René Descartes, 1596-1650), e posteriormente o Iluminismo, adentraram a teologia na Europa, espalhando-se pelo mundo todo.


Vejamos a seguir algumas dessas HERESIAS LIBERAIS.

1.    O sobrenatural não invade a história. Milagres não acontecem no tempo e no espaço, são explicações ou projeções das pessoas na tentativa de descrever suas experiências ou entender Deus.

2.    A história se desenrola numa relação natural de causas e efeitos.

3.    Milagres como o nascimento virginal de Cristo, os milagres que o próprio Cristo realizou, Sua ressurreição física dentre os mortos, os milagres do Antigo e Novo Testamentos nunca aconteceram na história. No máximo, na heilsgeschichte (história santa, ou história salvífica), diferente do mundo da história bruta, real, factível.

4.    Temas como criação, Adão, queda, milagres, ressurreição, entre outros, pertencem à história salvífica e não à história real e bruta. Adão e Eva não foram pessoas reais.

5.    Não interessa o que realmente aconteceu no túmulo de Jesus no primeiro dia da semana, mas, sim, a declaração dos discípulos de Jesus que diz que Jesus ressuscitou.

6.    Os relatos bíblicos dos milagres são invenções piedosas do povo judeu e dos primeiros cristãos, mitos e lendas oriundos de uma época pré-científica, quando ainda não havia explicação racional e lógica para o sobrenatural.

7.    A Escritura contém erros e contradições, lado a lado com as palavras que provêm de Deus. Nossa tarefa é tentar separar as duas coisas.

8.    Interpretar a Bíblia historicamente significa reconhecer que ela contém contradições. Qualquer abordagem hermenêutica deixa de ser histórica se não aceitar essas contradições.

9.    A Igreja Cristã se perdeu na interpretação da Bíblia através dos séculos e somente com o advento do Iluminismo, do racionalismo e das filosofias resultantes é que se começou a analisar criticamente a Bíblia e a teologia cristã, expurgando-as dos alegados mitos, fábulas, lendas, acréscimos, como, por exemplo, os mitos da criação e do dilúvio e de personagens inventados como Adão e Moisés, etc.

10.    O sentimento religioso é algo universal, isto é, cada ser humano é capaz de experimentá-lo. É esse sentimento que dá validade às experiências religiosas e que torna o ecumenismo possível.
Portanto, fica claro que existe uma distinção entre o liberalismo teológico como movimento histórico – este, sim, já acabado – e o liberalismo teológico como conjunto de ideias, pressupostos e convicções sobre a Bíblia e a teologia. Este último está vivinho, sim... Essas ideias do liberalismo teológico continuam presentes e sendo defendidas em sala de aula por pastores, professores e teólogos. E continua fazendo estragos terríveis na vida daqueles se se deixam enredar com suas filosofias e vãs sutilizas”.

O liberalismo é alicerçado no questionamento e negação da veracidade e autoridade bíblica, sua influência traz consigo para as igrejas, famílias e pessoas individualmente que se deixam envolver por essa teia, todo o lodo do securalismo, mundanismo, materialismo, inversão de valores, críticas e questionamentos abusivos a princípios bíblicos outrora abraçados, porém agora sendo cada vez mais abandonados como: sexualidade, casamento e divórcio, adultério e fornicação (sexo pré-casamento), homossexualidade, formação familiar, etc. A substituição da ética pela estética.

Extraído e adaptado de “O Tempora! O Mores!


IPB Vila Gerti, S.C.Sul / SP
Pastoral Boletim 09/11/14.

SDG - A DEUS TODA GLÓRIA!!!

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