AS HERESIAS DO LIBERALISMO TEOLÓGICO


“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina.” 2 Timóteo 4.3a.
“Quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na Terra?” Lucas 18:8.


O liberalismo teológico trabalha seu pensamento através da relativização da autoridade bíblica, misturando doutrinas bíblicas com filosofias e ciências da religião. Para os liberais, a Bíblia não é autoridade final em se tratando de fé. O Rev. Augustus Nicodemus Lopes enumera algumas das principais heresias e desvios do liberalismo teológico, plenamente observáveis na igreja moderna.

“1. O sobrenatural não invade a história. Milagres não acontecem no tempo e no espaço, são explicações ou projeções das pessoas na tentativa de descrever suas experiências ou entender Deus.
2. A história se desenrola numa relação natural de causas e efeitos.
3. Milagres como o nascimento virginal de Cristo, os milagres que o próprio Cristo realizou, Sua ressurreição física dentre os mortos, os milagres do Antigo e Novo Testamentos nunca aconteceram na história. No máximo, na heilsgeschichte (história santa, ou história salvífica), diferente do mundo da história bruta, real, factível.
4. Temas como criação, Adão, queda, milagres, ressurreição, entre outros, pertencem à história salvífica e não à história real e bruta. Adão e Eva não foram pessoas reais.
5. Não interessa o que realmente aconteceu no túmulo de Jesus no primeiro dia da semana, mas, sim, a declaração dos discípulos de Jesus que diz que Jesus ressuscitou.
6. Os relatos bíblicos dos milagres são invenções piedosas do povo judeu e dos primeiros cristãos, mitos e lendas oriundos de uma época pré-científica, quando ainda não havia explicação racional e lógica para o sobrenatural.
7. A Escritura contém erros e contradições, lado a lado com as palavras que provêm de Deus. Nossa tarefa é tentar separar as duas coisas.
8. Interpretar a Bíblia historicamente significa reconhecer que ela contém contradições. Qualquer abordagem hermenêutica deixa de ser histórica se não aceitar essas contradições.
9. A Igreja Cristã se perdeu na interpretação da Bíblia através dos séculos e somente com o advento do Iluminismo, do racionalismo e das filosofias resultantes é que se começou a analisar criticamente a Bíblia e a teologia cristã, expurgando-as dos alegados mitos, fábulas, lendas, acréscimos, como, por exemplo, os mitos da criação e do dilúvio e de personagens inventados como Adão e Moisés, etc.
10. O sentimento religioso é algo universal, isto é, cada ser humano é capaz de experimentá-lo. É esse sentimento que dá validade às experiências religiosas e que torna o ecumenismo possível.” (“O Liberalismo Teológico Morreu?”).

O liberalismo teológico e suas ideologias estão presentes na vida prática de muitos cristãos, uma vez que a Bíblia deixou de ser, para muitos, a sua “única regra de fé e prática”. Secularismo, relativização dos valores morais, individualismo ideológico, incredulidade, insubmissão à autoridade das Escrituras, etc., são provas de que o liberalismo sutilmente se infiltrou nas igrejas, e ainda que não saibam ou neguem, muitos crentes hoje são seus adeptos. A questão que surge é: seria possível uma convivência pacífica entre a teologia bíblica e o liberalismo teológico? J. Gresham Machen afirma que:

“O esforço para soterrar as diferenças doutrinárias e unir a Igreja em um programa de culto cristão é insatisfatório. É insatisfatório porque, em sua forma contemporânea normal, é desonesto. Seja o que for pensado da doutrina cristã, dificilmente pode ser negado que a honestidade é uma das “questões mais importantes da lei”. A honestidade, porém, está sendo abandonada de forma indiscriminada pelo grupo liberal em muitas denominações, hoje. Para reconhecer este fato, ninguém precisa tomar lados com relação às questões doutrinárias ou históricas. Suponha que a devoção a um credo seja um sinal de estreiteza ou intolerância, suponha que a Igreja deva ser fundamentada na devoção ao ideal de Jesus, ou no desejo de colocar Seu Espírito em operação no mundo, e de forma alguma em uma confissão de fé, com relação à Sua obra redentora. Mesmo se tudo isso fosse verdadeiro, mesmo se uma Igreja doutrinária fosse algo indesejável, ainda assim seria verdadeiro que, na realidade, muitas (em espírito, de fato, todas) igrejas evangélicas são igrejas doutrinárias, e se um homem não aceita o seu credo, ele não tem direito a um lugar no seu ministério de ensino.” (“Cristianismo e Liberalismo”, p. 155).

A igreja hoje está multifacetada em sua visão de Corpo, heterogênea em sua visão doutrinária, seguindo o instinto humanista e liberal, onde não há verdades absolutas a serem obedecidas, mas cada um constrói a “sua” verdade. E isso é um grande engano, pois essa cosmovisão passa a ser a verdade absoluta. Não se trata de ter ou não ter uma doutrina absoluta, mas em qual será a doutrina absoluta que iremos seguir? A Igreja Cristã, através dos séculos tem lutado por preservar o kérygma bíblico (pregação, proclamação do Evangelho) como doutrina absoluta. Trata-se de uma luta ideológica de fé e prática. Leia, reflita, saia do superficial, busque a profundidade da Palavra de Deus.

Por: Rev. Paulo Sergio da Silva
IPB de Vila Gerti, S.C.Sul / SP
Pastoral Boletim 16/11/14.

SDG - A DEUS TODA GLÓRIA!!!

Comentários

  1. Um dia desses tava vendo um vídeo, no qual o Ed Rene e o filosófo Luis Felipe Pondé (Deísta) estavam dialogando sobre Deus, e parece que estava vendo uma reunião ecumênica, na qual se debate para ver,dentro de uma ótica humanista-racionalista, qual o melhor conceito de Deus.(E é claro que a Bíblia é um dos trocentos livros que ajudam nessa árdua missão de conceituar Deus). É isso que a teologia liberal leva, a uma relativização da Palavra escrita de Deus. Acho boa a apologética Cristã coadunada com a Palavra, pois do contrário da azo para uma penca de heresias e apostasias.
    Vale lembrar que quando o apóstolo (Pedro ou Paulo) fala para defender racionalmente a fé, ele não estava dizendo: " Sede pois apostata da fé e desvirtua essa mensagem que vos escrevo, como também da Sagrada Escritura (A.T), o qual até o momento creio ser a Palavra Escrita de Deus, mas quando chegar o século XXI, para tornar o evangelho mais light e tolerante,ide e pregai que ela não é a Palavra do Senhor, mas apenas um livro como qualquer outro," Apesar da ironia dessas palavras, é isso que na prática o liberalismo faz.
    Por fim, e amarrando o texto acima com o presente comentário, creio sem sombras de dúvidas que, como escrevera o filosófo S. Kierkegaard, é necessário um salto de fé (salto esse que não é baseado em apologia a ignorância ou fideismo, mas sim na racionalidade imanente da Palavra, a qual nos direcioba da Cidade dos homens para a Cidade de Deus)

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  2. Pois sem fé é impossível agradar a Deus.

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