POR QUE A IGREJA PRECISA RETORNAR À REFORMA


Por: Rev. Hernandes Dias Lopes 

“Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras.” Apocalipse 2:4-5a.

A Reforma Protestante do Século XVI foi o maior movimento na igreja cristã depois do Pentecostes. Não foi uma inovação, mas uma volta ao Cristianismo puro e simples, uma retomada da doutrina apostólica, um retorno às Escrituras. A Igreja Cristã havia se desviado da verdade, e introduzido doutrinas e práticas estranhas às Escrituras: o culto às imagens, a mediação dos santos, a veneração a Maria, a salvação pelas obras, o confessionário, o purgatório, as relíquias, as indulgências e a infalibilidade papal, foram alguns dos desvios mais gritantes que encontraram guarida na Igreja. Urgia uma Reforma, e Deus preparou o momento e as pessoas certas para essa volta às Escrituras. No dia 31 de Outubro de 1517, o monge agostiniano Martinho Lutero, fixava nas portas da Igreja de Wittenberg suas noventa e cinco teses, deflagrando assim, esse decisivo movimento.

Hoje, ao olharmos o cenário religioso brasileiro constatamos que a igreja evangélica precisa voltar à Reforma. Desviamo-nos do caminho da ortodoxia. As verdades essenciais da fé evangélica estão ausentes de muitos púlpitos chamados protestantes. Novidades estranhas às Escrituras têm sido introduzidas nas Igrejas sob a conivência de uns e o silêncio de outros. A Igreja protestante do século 21 já não protesta mais. Somos chamados de “evangélicos”, mas o puro Evangelho está escasseando em muitas Igrejas. Temos influência política, mas falta-nos autoridade moral. Temos poder econômico, mas falta-nos poder espiritual. Temos um explosivo crescimento quantitativo, mas falta-nos o crescimento qualitativo. Precisamos voltar à Reforma. Alistaremos a seguir três razões para esta afirmação.

1. Porque o liberalismo teológico tem assaltado muitas Igrejas em nossa Pátria. O mesmo liberalismo que devastou as Igrejas na Europa, e na América do Norte chegou às terras brasileiras, e seu fermento maldito está presente em muitos seminários. Este veneno letal tem sido espalhado das cátedras para os púlpitos, e dos púlpitos para os crentes, e assim muitas igrejas já não creem mais na inerrância e suficiência das Escrituras. Em consequência desse colapso espiritual há algumas igrejas que defendem um concubinato espúrio entre cristianismo e evolucionismo, negando a realidade da criação, conforme registrada em Gênesis 1 e 2.

2. Porque o misticismo sincrético tem invadido muitos arraiais evangélicos. Temos visto a Igreja evangélica brasileira capitular-se ao misticismo pagão. O verdadeiro evangelho está ausente de muitos púlpitos. Prega-se sobre prosperidade, e não sobre salvação. Prega-se sobre curas e milagres, e não sobre arrependimento e novo nascimento. O lucro substituiu a mensagem da salvação em muitas Igrejas que se transformaram em empresas, o púlpito em balcão, o Evangelho num produto, e os crentes em consumidores. Além desse descalabro, muitas crendices têm substituído a Verdade em não poucas Igrejas. Esses crentes incautos têm se alimentado do farelo do sincretismo em vez de serem nutridos pelo Pão da Vida. Há crentes que olham para a Palavra de Deus como um livro mágico e consultam a Bíblia como se ela fosse um horóscopo. Há aqueles que colocam um copo d'água sobre o aparelho de televisão, enquanto o suposto homem de Deus ora, pensando que essa água "benzida" tem poder extraordinário. Essas práticas não são bíblicas e devem ser reprovadas. Urge certamente um retorno à Reforma.

3. Porque muitas Igrejas se acomodaram a uma ortodoxia morta. A Reforma restaurou não apenas a supremacia das Escrituras e a primazia da pregação, mas também enfatizou a necessidade de uma vida piedosa. Não podemos separar a teologia da vida, a doutrina da prática, a ortodoxia da piedade. Não basta conhecer a Verdade, precisamos ser transformados por essa Verdade. Na Igreja Reformada encontramos teologia pura e vida santa. Porém, em muitos contextos essa ortodoxia está alienada da ortopraxia, a aridez teológica tem alcançado muitos púlpitos. Necessitamos retornar à Reforma, de um legítimo reavivamento espiritual, que traga vida espiritual verdadeira, que se manifeste através da santidade, do compromisso, da empolgação, da disposição para a obra, da alegria, do interesse em conhecer as Sagradas Escrituras, e de ter uma vida plena de oração, comunhão, evangelismo, e das missões. Este é o verdadeiro crescimento que a Igreja precisa buscar.

Extraído e adaptado de Guia-me.
IPB de Vila Gerti, S.C.Sul / SP
Pastoral Boletim 26/10/14.

SDG - A DEUS TODA GLÓRIA!!!

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