A AÇÃO TRANSFORMADORA DA GRAÇA DE DEUS


EZEQUIEL 36:22-32

“Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o Meu Espírito e farei que andeis nos Meus estatutos, guardeis os Meus juízos e os observeis.” Ezequiel 36:25-27


INTRODUÇÃO

A situação de Israel no Oriente Médio é muito preocupante em virtude de tantos conflitos. Muitos acreditam que Ez 36:27 já se cumpriu, pois “Em novembro de 1947 as Nações Unidas recomendaram a partição da Palestina em um Estado judeu, um Estado árabe e uma administração direta das Nações Unidas sob Jerusalém. A partição foi aceita pelos líderes sionistas, mas rejeitada pelos líderes árabes, o que conduziu à Guerra Civil de 1947-1948. Israel declarou sua independência em 14 de maio de 1948 e Estados árabes vizinhos atacaram o país no dia seguinte. Desde então, Israel travou uma série de guerras com os Estados árabes vizinhos e, como consequência, Israel atualmente controla territórios além daqueles delineados no Armistício israelo-árabe de 1949. Algumas das fronteiras internacionais do país continuam em disputa, mas Israel assinou tratados de paz com o Egito e com a Jordânia e apesar de esforços para resolver o conflito com os palestinos, até agora só se encontrou sucesso limitado.” (“A História de Israel”, Wikipedia).

A expressão “mola mestra” é muito usada na mecânica, mas talvez nem todos saibam o que é. Se refere a um dispositivo (mola) que aciona vários mecanismos. No contexto teológico podemos dizer que a graça de Deus é a mola mestra, pois todo o agir de Deus provém de Sua graça. E Ele usa de Sua graça conforme a sua vontade soberana. Porém é necessário frisar que as ações que veremos a seguir têm como força propulsora o zelo do Senhor para com o Seu Santo Nome, o que não deixa de ser graça, uma vez que Ele concedeu ao Seu povo viver sob as bênçãos de Seu nome que é santo e cheio de glória (Ez 36:22-23,32).

EXPLICAÇÃO

Após uma série de eventos, nos quais, conforme nos relata o Antigo Testamento, o povo de Israel persistiu em desonrar o nome do Senhor. Ele, em sua infinita justiça e sabedoria enviou o rei Nabucodonozor, que capturou Jerusalém no ano 597 a.C. Ezequiel era um dos prisioneiros que foram deportados naquela ocasião. Ezequiel era viúvo, a sua esposa veio a falecer um pouco antes de Jerusalém ser destruída pelos babilônios em 586 a.C. (Ez 24:15-18). Ele viveu cerca de cinquenta anos. Antes de ser profeta Ezequiel era um sacerdote (Ez 1:3) quando veio a ele a Palavra do Senhor. Mas a sua capacitação profética foi reconhecida pelos líderes dos exilados (Ez 8:1; 20:1). (BEG).

Ezequiel encarregou-se de sempre relembrar aos exilados sobre os pecados que haviam trazido sobre eles o juízo divino, assegurando-os, entretanto, da bênção futura que Deus traria ao povo, de acordo com Sua aliança. Ezequiel também fala acerca da restauração futura de Israel, que ocorreria somente com a vinda do Messias, o Filho de Deus. (ABA). A mensagem de Ezequiel também se aplica aos nossos dias.

ARGUMENTAÇÃO

No texto lido é muito clara e notória a iniciativa de Deus, exclusivamente por Sua graça, em realizar uma obra na vida de Seu povo. Essa manifestação da graça de Deus e o Seu zelo para com o Seu Nome, é o ponto central de Sua grandiosa obra. Destacaremos quão grande é a semelhança entre a ação da graça de Deus naquele contexto e também no nosso contexto.

1 – PURIFICAÇÃO DOS PECADOS (vs.25)

A primeira ação da graça de Deus, revelada no texto lido, é a purificação dos pecados, ou seja, CONVERSÃO. O povo de Deus havia sido levado cativo, prisioneiro pelos babilônios porque se desviaram do reto caminho do Senhor, e se meteram num caminho de idolatria, pecados e impurezas. Por isso eles necessitavam ser salvos, necessitavam de purificação.

É necessário entendermos que o pecado em si é um tipo de idolatria, e ele nos torna impuros e sujos, espiritualmente falando. Deus fez uma promessa, uma promessa de purificação. Deus prometeu lavar o Seu povo com água pura. O verbo usado aqui é “aspergir” que significa: borrifar, salpicar com pequenas gotas (Michaelis). Portanto o que Deus diz aqui não é no sentido literal da palavra, mas em um sentido figurativo Ele fala da limpeza, a lavagem espiritual que é realizada na vida de Seu povo. Compare Ezequiel 36:25 com Tito 3:4-7.

“Quando, porém, Se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o Seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo Sua misericórdia, Ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que Ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos Seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna.” Tito 3:4-7.

A água é um dos símbolos do Espírito Santo e da Palavra de Deus que nos são apresentados na Bíblia, então fica bem explicado o nosso sistema de batismo, onde a água é aspergida sobre o irmão (ã) que está sendo batizado (a). Essa água não pode salvar e nem purifica ninguém do pecado, imundícia e idolatria. Essa água é um símbolo do lavar regenerador que Deus já operou no coração daquele que se arrepende e se entrega a Deus. Por isso que os sacramentos são sinais visíveis de graças invisíveis.

Essa manifestação da graça de Deus se dá através de uma atitude muito nítida em deixar, abandonar o pecado, e buscar a face de Deus. São os chamados sinais de arrependimento: mudança de vida, freqüência aos trabalhos da Igreja, desejo de ser batizado, desejo de tomar a Santa Ceia, fidelidade nos dízimos e ofertas, alegria, submissão às autoridades, amor, respeito. Não é mera religiosidade é conversão, é purificação. Não é mero formalismo, é vida, é expressão de amor, e fé, é o brilho nos olhos, a palavra viva, que edifica, o discernimento, o amor ao próximo, e o temor a Deus.

Se não houver tais sinais, nota-se então que não houve um agir purificador da graça de Deus. Ainda que haja religiosidade, mas a religiosidade não prova nada. O que prova algo é a vida no altar, como oferta de sacrifício agradável a Deus, que é o culto racional. Por isso que para nós, o culto é muito mais do que um momento de festa, alegria e confraternização. O culto é momento de reflexão, quebrantamento e transformação.

2 – TRANSFORMAÇÃO INTERIOR DO CORAÇÃO (vs.26)

A segunda manifestação da graça de Deus, no texto lido, é a transformação, mudança interior do coração, que pode ser vista aqui também como SANTIFICAÇÃO. Deus promete dar a seu povo um novo coração. No texto fica claro que esse coração também não deve ser entendido literalmente, mas figuradamente.

Coração novo = espírito novo


A palavra coração aqui não se refere ao músculo pulsante que está no peito de cada um de nós. A palavra tem uma conotação notoriamente espiritual. O coração aqui é a sede das emoções e das vontades humanas, o espírito. Quando a Bíblia fala, em textos como esse ou como em Provérbios 22:26, é ao espírito que Deus se refere.


“Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos Meus caminhos.” Provérbios 22:6.

Por isso que no texto o Senhor diz que daria um espírito novo. Qual é o significado? Uma nova mentalidade, um novo pensamento, uma nova vida.


“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” 2 Coríntios 5:17.

Essa transformação do coração é o que chamamos de santificação. Um processo que começa com a conversão, e continua com a santificação, em uma progressão de transformação de glória em glória.


“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na Sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” 2 Coríntios 3:18.

Coração de pedra X coração de carne


É nesse processo que o Senhor tira de nós o endurecimento do pecado. O coração de pedra é incapaz de responder a Deus com amor e obediência. Deus daria a Israel um coração de carne, isto é, sensível e obediente à voz de Deus. (BEG).

Infelizmente em nosso contexto ainda há muitos daqueles que reagem como se tivessem um coração de pedra. Constatamos que o endurecimento do pecado é uma realidade muito presente em nossos dias.

Não precisamos de emocionalismo, necessitamos sim de quebrantamento.
Não necessitamos de uma nova mensagem, necessitamos retornar à antiga.

3 – SELO DA PROMESSA, O ESPÍRITO SANTO (vs.27)

Essa promessa de Deus efetuou-se no Pentecoste, quando o Espírito Santo foi derramado sobre a Igreja (Atos 2). Até então Deus habitava no meio do Seu povo, e quando Ele queria ungia e capacitava alguns. Mas agora, na Igreja, o Espírito Santo veio habitar no espírito do povo de Deus. É o Espírito Santo que vem habitar em nós, que nos capacita a entender, crer e obedecer a Palavra de Deus.

Fomos selados com o Espírito Santo! A Bíblia nos revela que há uma convivência do crente com o Espírito Santo que nele habita.

“Em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o Evangelho da vossa salvação, tendo nEle também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa” Efésios 1:13.

A Bíblia nos exorta a não entristecermos o Espírito.

“E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.” Efésios 4:30.

Na Teologia Reformada do Espírito Santo (Pneumatologia) aprendemos que a vontade de Deus é que sejamos cheios de Seu Espírito.

“E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com Salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.” Efésios 5:15-21.

CONCLUSÃO

Esse é o plano de Deus para nós, essa é a estratégia de Deus. Qual é a nossa resposta? Que possamos responder positivamente ao agir de Deus. Que Ele nos faça sensíveis ao Seu quere, à Sua vontade. E se houver qualquer impedimento, que estejamos fazendo a nossa parte, para que Ele possa nos abençoar. Em tudo isso, porém, devemos honrar e glorificar o nosso Deus, pois Ele é quem tem o poder e a iniciativa, não o homem. A Ele seja toda honra e toda a glória, amém!

Por: Rev Paulo Sergio da Silva
IPB de Vila Gerti, S.C.Sul / SP
Culto de Louvor 17/08/14.

SDG – A DEUS TODA GLÓRIA!!!

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