NOSSOS HERÓIS


Por: Ricardo Denham
 
Uma das tendências humanas é seguir líderes que muito estimamos. Estes líderes se tornam nossos heróis e tendem a servir de modelo para nossas vidas. No entanto, temos de perguntar a nós mesmos se nossos heróis são pessoas cujas vidas estão conformadas ao padrão da Palavra de Deus. Paulo exortou os crentes de Éfeso a serem “imitadores de Deus”.

Nossos heróis evidenciam que são imitadores de Deus? Eles se assemelham ao apóstolo Paulo, que reconhecendo a necessidade de fornecer um exemplo contemporâneo, advertiu seus discípulos: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo”? (1 Co 11:1).

Eles se mantêm incontaminados das coisas do mundo?

RELIGIÃO PURA

Ao considerar os últimos cinquenta anos, interessei-me em observar que aqueles que serviram como exemplo em meus anos de formação eram homens cuja doutrina eu conhecia muito pouco, além de saber que amavam meu Senhor e queriam servi-Lo. Eram homens que viviam a religião prática descrita por Tiago: “A religião pura e sem mácula, para com nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tg 1:27).

Desde o dia em que meu pai voltou para casa, depois de haver conhecido o Senhor na casa de um amigo, ele se tornou um modelo primário para mim. Estas palavras de Jesus se tornaram o seu lema: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o Seu Reino e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33).

Sem qualquer ajuda ou pressão externa (frequentávamos uma igreja liberal), a maneira de falar de meu pai mudou; ele abandonou o hábito de fumar, os filmes se tornaram coisa do passado, o álcool e a literatura profana do mundo não tiveram mais lugar em nosso lar.

FOGO CONSUMIDOR

Ele procurou uma Igreja que ensinava as Escrituras, as quais haviam se tornado a sua nova vida. Oito anos depois, meu pai recusou uma posição de segurança no governo, a fim de aceitar o pastorado de uma pequena Igreja.

Em 1949, embora tivesse saúde frágil, ele e mamãe serviram por um ano na China.

Tendo missões como fogo consumidor em seus corações, eles passaram um ano visitando a obra missionária na América do Sul. Dessa viagem, surgiu e cresceu sua visão por missões na Amazônia. Minha esposa e eu aceitamos o desafio de liderar um novo trabalho missionário nas florestas do Brasil.

Fui bastante influenciado pelas vidas de homens como Adoniram Judson, David Brainerd, William Carey, George Müller e John Paton; e desejava ser como eles. A sua religião prática de importarem-se com outras pessoas e de se guardarem incontaminados do mundo foi a mesma que eu vi e admirei em meu pai.

Desde que entendi e abracei as Doutrinas da Graça, descobri que os homens que eram meus heróis combinaram de maneira admirável a sã doutrina com a religião prática descrita por Tiago.

Todos eles haviam aprendido que a amizade com o mundo significa inimizade com Deus. As suas vidas distinguem-se como luzes em um mundo de trevas.

Percebi, então, que não era por acaso que o pregador favorito de meu pai era Charles Spurgeon. Eu ainda tenho um jogo de sermões de Spurgeon que ele me legou. 


EM ESCASSEZ

Devemos orar para que Deus levante uma hoste de profetas, em nossos dias, que combinem a sã doutrina com a religião prática.

Carecemos de homens como Eric Liddell, que se recusou a correr em um domingo nos Jogos Olímpicos de Paris. Outro exemplo é Fred Charrington, que era herdeiro de uma riquíssima cervejaria e se recusou a fazer parte dos negócios da família, e foi excluído do testamento de seu pai.

Embora esses homens estejam em escassez em nossos dias, precisamos agradecer a Deus por aqueles poucos que estão dispostos a permanecerem firmes contra a influência do mundo na vida da Igreja.

Não devemos nos esquecer das lições da história; sem separação do mundo, a doutrina logo se torna sem vida e fria. Sem separação do mundo, as pessoas logo estarão dançando ao redor dos bezerros de ouro de nossos dias, enquanto pensam estar adorando a Deus.

Editora Fiel.

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