A ATITUDE CORRETA PARA COM O PECADO

"Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele É fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-Lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós." 1 João 1:8-10.

Por que João escreveu esta carta?

•    Seus propósitos eram: expor os erros doutrinários dos falsos mestres que estavam disseminando essas falsas doutrinas, 1 Jo 2:26 (“Isto que vos acabo de escrever é acerca dos que vos procuram enganar.”) e confirmar os verdadeiros crentes na doutrina dos apóstolos e na certeza da salvação, 1 Jo 1:4 (“Estas coisas, pois, vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa.”).

•    De acordo com o gnosticismo, a salvação consiste em a alma fugir da prisão que é o corpo, e isto se consegue por meio de um conhecimento secreto e especial (a palavra grega para conhecimento é gnosis, de onde vem o termo gnosticismo).


1 João 1:8 "Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós."

•    João aborda as consequências da falta de reconhecimento da nossa própria pecaminosidade.  As expressões: “se dissermos que não temos pecado nenhum” (1 Jo 1:8) e “se dissermos que não temos cometido pecado” (1 Jo 1:10), provavelmente refletem a doutrina dos falsos mestres. Por considerarem o pecado como inofensivo ao estado espiritual do crente, chegavam mesmo a negar sua realidade.

•    As consequências da falta de reconhecimento da depravação e corrupção da natureza humana são estarrecedoras (assustadoras).

Primeira consequência: “a nós mesmos nos enganamos” (1 Jo 1:8b). Se os crentes da Ásia aceitassem a doutrina dos falsos mestres, não somente seriam enganados por eles, 1 Jo 2:26 (“Isto que vos acabo de escrever é acerca dos que vos procuram enganar.”) e 1 Jo 3:7 (“Filhinhos, não vos deixeis enganar por ninguém; aquele que pratica a justiça é justo, assim como Ele É justo.”), mas estariam se enganando, conduzindo a si mesmos ao erro. Uma das doutrinas características das seitas, antigas e modernas, é a negação da total pecaminosidade do homem, assim como a promessa de que podemos obter perfeição moral aqui neste mundo.

Segunda consequência: de abraçarmos um ensino que venha a negar que somos pecadores, portanto, “é que a verdade não está em nós” (1 Jo1:8b).

1 João 1:9a "Se confessarmos os nossos pecados."

•    João também expõe o que acontece se tomarmos a atitude contrária. A palavra “confessar”, no grego, significa literalmente “dizer a mesma coisa”. O contexto deixa claro que confessar nossos pecados significa concordar com o diagnóstico de Deus a nosso respeito,  que somos pecadores e que temos cometido pecados, e assim verbalizar / falar sobre essa concordância com tristeza e pesar.


Essa verdade tem implicações bem práticas e diárias em nossas vidas: quando o Espírito Santo vem falar à nossa consciência, apontando nossos pecados contra a Lei de Deus, a reação correta é concordarmos imediatamente com Ele, declarando sem reservas nossa culpa e maldade, colocando-nos nas mãos daquEle que É fiel e justo para nos perdoar. Foi essa a atitude tomada finalmente pelo Rei Davi, após um período agonizante, em que tentou abafar a voz divina falando à sua consciência pesada (Sl 32; 51:1-4,7).

Obs.: a doutrina católico-romana ensina a necessidade da confissão aos ouvidos do padre para a absolvição, mas a Bíblia nos deixa claro o ensinamento de que devemos confessar nossos pecados a Deus, pois somente Ele pode nos perdoar e remover nossa culpa.

1 João 1:9b "Ele É fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça."

•    O que Davi experimentou no Sl 32:5 (“Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e Tu perdoaste a iniqüidade do meu pecado.”), e que todos os verdadeiros crentes experimentam ao confessar seus pecados, é que Deus cumpre o que prometeu. A palavra “fiel” significa “confiável”. Fidelidade ou confiabilidade é um dos atributos de Deus e essa fidelidade consiste na maneira imutável pela qual Ele cumpre a Sua Palavra empenhada nos pactos e alianças feitos com o homem, quer pessoas, quer nações (Gn 6:18). Em outras palavras, a fidelidade de Deus consiste em sempre cumprir o que promete, e podemos contar com isso! (Hb 10:23; 2 Co 1:20). Aqui em 1 Jo 1:9, o Apóstolo João nos afirma que, sempre que nós humildemente confessarmos a Deus nossos pecados, podemos confiar nEle, pois Deus cumprirá Suas promessas de perdão feitas ao Seu povo, as quais foram seladas no Sangue de Jesus (1 Jo 1:7). Davi experimentou dessa fidelidade quando Lhe confessou seu crime (Sl 32:5). A fidelidade de Deus é o Seu atributo que mais nos encoraja a buscar Sua presença, mesmo quando nos encontrarmos culpados por nossas iniquidades, conforme a oração de Davi: “Atende, SENHOR, a minha oração, dá ouvidos às minhas súplicas. Responde-me, segundo a Tua fidelidade, segundo a Tua justiça.” (
Sl 143:1)

Assim, sabemos:

A certeza do perdão não é uma questão de sentirmos que fomos perdoados, mas de Deus ser fiel ao que prometeu. E Ele não pode falhar: “Se somos infiéis, Ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-Se a Si mesmo.” (
2 Tm 2:13).

João ainda acrescenta que “Deus É justo” para nos perdoar os pecados (1 Jo 1:9), lembrando as palavras de Jesus em Sua oração sacerdotal: “Pai justo, o mundo não Te conheceu; Eu, porém, Te conheci, e também estes compreenderam que Tu Me enviaste.” (
Jo 17:25). 

A morte sacrificial de Jesus é certamente o pano de fundo da afirmação de 1 João 1:9, que Deus É justo para perdoar os nossos pecados. Quando nós os confessarmos, Deus fará o que é justo: Ele nos perdoará e nos limpará de toda maldade, pois nossa culpa já foi paga por Jesus Cristo.

Resumindo 1 João 1:9

•    Primeiro: Deus É fiel e justo para nos perdoar os pecados. João já havia mencionado que “o Sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado” (1 Jo 1:7); agora usa o verbo “perdoar”. Embora a linguagem seja diferente, cremos que o efeito é o mesmo. Perdoar no grego tem vários significados parecidos: “despedir”, “mandar embora”, “cancelar”, “afrouxar”, “abandonar”, “deixar para trás”. Em relação ao pecado ou iniquidade, a idéia é que Deus manda nossos pecados para bem longe de nós: “Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniqüidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar.” (
Mq 7:19).

•    Segundo: Deus É fiel e justo para nos purificar de toda injustiça. Aqui João não quis dizer nada diferente do que já havia dito antes com a frase anterior. Perdoar pecados e purificar da injustiça significam a mesma coisa. Deve ser notado, somente, que essa ultima frase enfatiza um outro aspecto do perdão de Deus, ou seja, Ele remove as manchas e as consequências do pecado em nossa vida. Os verdadeiros crentes, quando se tornam imundos com o pecado, desejam ardentemente ser purificados, lavados e limpos por meio do perdão de Deus: “Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado.” (
Sl 51:2).

Tanto o AT quanto o NT, empregam a idéia de lavar em relação ao que o perdão de Deus acarreta na vida de seu povo:
 

Jr 33:8 "Purificá-los-ei de toda a sua iniqüidade com que pecaram contra Mim; e perdoarei todas as suas iniqüidades com que pecaram e transgrediram contra Mim."
1 Co 6:11 "Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus."
1 João 1:10 "Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-Lo mentiroso, e a Sua Palavra não está em nós."

•    João apresenta aqui as consequências de negarmos nosso pecado. Deus revelou nas Escrituras que o homem é um ser caído, moral e espiritualmente (Sl 14:1-2 ; 53:1-3 ; Gn 6:5). Ao negarmos essa verdade a nosso respeito, estamos negando o diagnóstico de Deus sobre nosso estado. Dessa forma, fazemos com que Ele pareça estar mentindo a nosso respeito. Mentir, mentira e mentiroso são palavras que ocorrem frequentemente nos escritos de João. Quem pensa que mentir é um pecado de menor importância, deveria estudar o que João diz a respeito. O diabo é o próprio "pai da mentira" (João 8:44). E pior do que ser um mentiroso é fazer Deus parecer um mentiroso, negando que somos pecadores, ou rejeitando o testemunho que Ele deu acerca de Seu Filho Jesus Cristo (1 Jo 5:10). Dessa forma, a Palavra de Deus não está em nós.
 

O que aprendemos?

•    João deu à Igreja Cristã um ensinamento pelo qual os crentes de todas as épocas podem avaliar o ensino de novos mestres. Qualquer líder religioso que venha a negar a pecaminosidade do homem, ou diminuir a seriedade do pecado e seus efeitos, é mentiroso, a verdade não está nele, e ele está fazendo Deus parecer um mentiroso.

•    Há muitos nas Igrejas hoje que não conhecem o Deus fiel e justo, que perdoa e purifica os pecados do verdadeiro penitente, do quebrantado e abatido, que treme diante de Sua Palavra.

•    Por fim, aprendemos que o perdão prometido por Deus mediante a confissão não é um encorajamento para continuarmos a pecar. A manifestação do perdão e da graça de Deus visa uma vida sem pecado, e quem abusa da confissão como válvula de escape para o pecado, com certeza nunca foi realmente perdoado por Deus e está se enganando.

Fonte: "Primeira Carta de João - Comentário", Rev. Augustus Nicodemos Lopes.
Colaboração: Ana Rosa da Silva Siqueira, 3ª IPB de Barretos / SP.

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