SEJA CHEIO DO ESPÍRITO SANTO

Por Avelar Jr.

"Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados!" Atos 2:13.

Certa vez, vi um pastor proferir a seguinte “pérola” de interpretação das Escrituras: "Ordem e decência para você é o quê? Tradicionalismo? Acho que o dia de Pentecostes pra você deve ter sido uma verdadeira desordem e indecência, não é? Imagine um monte de crentes cambaleando como bêbados, falando em outras línguas, como você me explica isso?” Eu fiquei imaginando como alguém que se intitula pastor e tem a responsabilidade de cuidar bem do rebanho do Senhor, alimentando-o com a Palavra de Deus, poderia fazer uma interpretação tão distorcida do Ministério do Espírito Santo em nossas vidas para justificar desordens na Igreja.

A idéia que ele passou foi a de que estar cheio do Espírito Santo é como estar embriagado, cambaleando, descoordenado, caindo, dando a impressão para as pessoas de que não estamos muito conscientes do mundo à nossa volta ou de que estamos sem controle. Obviamente, ele aludiu à seguinte passagem de Atos dos Apóstolos, capítulo 2 de 1 a 13.


"2.1   Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar;  2.2   de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados.  2.3   E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles.  2.4   Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.  2.5   Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu.  2.6   Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua.  2.7   Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando?  2.8   E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?  2.9   Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia,  2.10   da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem,  2.11   tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus?  2.12   Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer?  2.13   Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados!"

Se você prestar atenção no primeiro capítulo de Atos, a promessa de Jesus era bastante clara: 

“Não saiam de Jerusalém, mas esperem pela promessa de Meu Pai, da qual lhes falei. Pois João batizou coma água, mas dentro de poucos dias vocês serão batizados com o Espírito Santo” e “receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da Terra.” (Atos 1:4-5,8). 

Ou seja, o Espírito Santo nos capacita a sermos testemunhas de Jesus Cristo num mundo que carece do Salvador e que precisa ouvir a respeito dEle. A interpretação de que estar cheio do Espírito é “parecer um ébrio” não se justifica. Jesus, ninguém mais cheio do Espírito Santo que Ele para que possamos tomá-Lo como exemplo, é prova disso (Lucas 4:18-21). Ele anunciava a Palavra de Deus com coragem. Ele não dava a impressão de não ter autocontrole e discernimento, a não ser para aquelas pessoas que não criam nEle, nem na mensagem dEle, que tinham inveja dEle e que consideravam Suas palavras loucura ou blasfêmias.

O que houve na ocasião da descida do Espírito Santo foi que os discípulos estavam anunciando o Eangelho com autoridade, poder e grande alegria. Eles certamente falaram da obra vitoriosa de Cristo. A ousadia e o entusiasmo dos Apóstolos levaram alguns zombadores, que não estavam nem aí para a mensagem, a pensar que eles haviam bebido. Mas isso para aqueles que estavam zombando do incidente, porque não compreendiam a alegria e o destemor dos irmãos em anunciar as boas novas, e não estavam dispostos a escutar o que se lhes anunciava. Os discípulos não estavam cambaleando, tentando parecer bêbados ou querendo ser reconhecidos como tais. E também não estavam lá fazendo desordens. O fato dos novos idiomas falados pelos discípulos foi um presente de Deus à Igreja que começava ali, para que a mensagem do Evangelho chegasse a gente de toda parte, que se encontrava em Jerusalém, naqueles dias, comemorando a festa de Pentecostes. Razão porque os irmãos demonstravam intrepidez, regozijo e obediência em testemunhar de Jesus, manifestando o fruto do Espírito (At 13:52; Gl 5:22-24).

Interessante vermos ainda este texto, que nos esclarece perfeitamente como é estar cheio do Espírito em comparação com pessoas que estão embriagadas: 

"Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus. Portanto, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor. Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito, falando entre si com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando de coração ao Senhor, dando graças constantemente a Deus Pai por todas as coisas, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo." (Efésios 5.15-20).

Isso não me parece o tipo de coisa que quando você faz os outros vão pensar que você está bêbado. O texto exorta para não ser insensato e para saber como viver como cristão, coisa que um ébrio, que vive em libertinagem, não pode fazer. O problema está quando você abandona a reverência e o temor de Deus e vive a fazer espetáculos “espontâneos” que escandalizam os irmãos e os visitantes, como se estes fossem legítimas manifestações do estar cheio do Espírito Santo. Se isso não bastou para mostrar-lhe como é estar cheio do Espírito Santo, que tal ver o exemplo de vida destas pessoas, que anunciavam o Evangelho corajosamente e glorificavam a Deus alegremente: Paulo, Pedro, João, Estevão, João Batista, Barnabé, Zacarias (pai de João Batista), Isabel, e tantos outros... E veja também a oração de Paulo em favor dos efésios:

"Por essa razão, ajoelho-me diante do Pai, do Qual recebe o nome toda a família nos Céus e na Terra. Oro para que, com as Suas gloriosas riquezas, Ele os fortaleça no íntimo do seu ser com poder, por meio do Seu Espírito, para que Cristo habite no coração de vocês mediante a fé; e oro para que, estando arraigados e alicerçados em amor, vocês possam, juntamente com todos os santos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus." Efésios 3:14-19.


Agora faça uma reflexão e responda para você mesmo: 

1. Sua Igreja é cheia do Espírito Santo dessa forma ou da forma desordenada que algumas Igrejas têm apregoado, onde alguns imitam animais, quebram objetos, rodam até cair no chão e desprezam quem não faz o mesmo?

2. O que você acha que a Bíblia realmente ensina sobre estar cheio do Espírito Santo, depois de ver estes textos e ler sobre o comportamento dos primeiros cristãos em Atos?

3. O que as pessoas que estão à sua volta têm manifestado como fruto, de acordo com o fruto do Espírito, descrito em Gálatas 5:16-26? 

Púlpito Cristão.

Queridos irmãos, nossa igreja comemora 153 anos de Brasil. Vivemos num ambiente controvertido, com um cristianismo pervertido, sensacionalista, marketeiro, populista, cheio de barganhas e escândalos, que constantemente deturpam o Evangelho Bíblico com aquilo que não é Evangelho. Vamos caminhar numa direção contrária a tudo isso, vamos orar e viver na plenitude do Espírito, mantendo a unidade do Corpo de Cristo e a pureza e a simplicidade, vamos pregar o Santo Evangelho que pregaram nossos pais. O mundo muda, mas Cristo não. Vamos resgatar a credibilidade da Igreja e dos crentes, como verdadeiros protestantes e agentes do Reino de Deus na Terra, sal e luz, vivendo no meio de uma geração perversa como luzeiros. Vamos viver em triunfo conduzidos por Deus como bom perfume de Cristo. Creio ser essa a melhor maneira de celebrarmos com gratidão o aniversário da IPB. Que Deus nos ajude, nos desperte, nos capacite e nos use para Sua glória. Amém


Colaboração Rev. David Cestavo - IPB Central de Lavras / MG.

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