EM QUEM CONFIAR? CONFIA NO SENHOR!

Por: Rev. Paulo Sergio da Silva
IPB de Vila Gerti – S.C.Sul / SP
Culto Vespertino 09.09.12


Miquéias 7:1-7
“Eu, porém, olharei para o SENHOR; esperarei no Deus da minha salvação; o meu Deus me ouvirá.” Miquéias 7:7.


INTRODUÇÃO
O que fazer quando tudo se torna um caos? Quando parece que não há mais esperança? Quando o mal se sobrepõe ao bem? Como reagir diante da calamidade nacional? Estamos nos aproximando das eleições, e sabemos que estamos num tempo em que a corrupção está aflorando nas mais diversas esferas. Isso nos incomoda? O pecado está invadindo a Igreja, o mundanismo está se tornando cada vez mais comum, isso nos incomodar. Estamos lamentando esse triste fato, ou consideramos tudo normal? O profeta Miquéias viveu num tempo de crise semelhante ao que estamos vivendo atualmente.

EXPLICAÇÃO
Enquanto Oséias profetizou às dez tribos de Israel, o reino do Norte, e Isaías à oeste, em Jerusalém, Miquéias, um judeu de Moresete, uma vila a sudoeste  da Palestina, pregou ao povo simples de Judá. Seu nome significa “Quem é como Javé?” Ele ministrou durante os reinados de Jotão (750-732 a.C.), Acaz (736-716 a.C.) e Ezequias (716-687 a.C.) (1:1). Embora de um modo geral tenha sido um bom rei, Jotão não removeu de seu reino os altos onde os judeus praticavam a idolatria. Acaz foi um rei ímpio (2 Rs 16:2-4) que adotou uma política pró-Assíria e durante cujo reinado aconteceu o exílio das tribos do Norte. Ezequias, um dos melhores reis de Judá, era anti-assírio em sua política e resistiu vitoriosamente ao cerco de Jerusalém por Senaqueribe em 701 a.C. (2 Rs 18:13-19:36). Para os camponeses e moradores das vilas foram tempos de tormento freqüente por parte dos exércitos inimigos, de miséria por causa da exploração pelos ricos (2:1-13) e de opressão pelos governantes (3:1-4) e falsos profetas (3:5-8). Miquéias, assim como Amós, clamou por justiça social. Ele pregou a restauração da nação (4:6,7; 5:10-15), a graça misericordiosa de Deus (7:18,19).

A SITUAÇÃO DA NAÇÃO
Miquéias lamentou o pecado universal de Israel.
Vs. 1 – Uvas e figos podem significar a prosperidade, a alegria, a bênção de Deus na vida da nação. Mas aqui nota-se que se trata de “frutos espirituais”, devido à expressão “que a minha alma deseja”. A aridez espiritual da nação está em destaque. Espiritualmente falando somos comparáveis a um jardim regado (Is 58:11; Sl 1:3; Jr 17:8), ou a um vale árido e sem vida? (Sl 84:6).
Vs. 2 – Não havia mais homens e mulheres espirituais, que levam a vida regrada pela Palavra de Deus. O “piedoso”, segundo o Dicionário Michaelis, é aquele que tem amor e respeito às coisas religiosas, é o espiritual, que ama de fato a Deus e à Sua Palavra. Alguma semelhança com os nossos dias? Paulo diz e Timóteo que “todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (1 Tm 3:12).
Vs. 3 – Até as lideranças da nação haviam se corrompido e seguiam o caminho da iniqüidade. O príncipe que exigia condenação, não tinha misericórdia nem compaixão. O juiz que aceitava suborno, era corrupto, sem moral, sem ética. Os grandes dentre o povo, isto é, que tinham uma certa proeminência, falavam abertamente dos desejos malignos de suas almas, sem nenhuma discrição ou lamento.
Vs. 4 – Eram comparáveis ao espinheiro, porque feriam a todos que tocavam neles. Mas o profeta anuncia que o castigo deles estava próximo.
Vs. 5 – Até os amigos mais chegados não mereciam mais a confiança, por se haverem corrompido e se distanciado da verdade e da justiça de Deus. Como é triste vermos amigos nossos que se desviaram da verdade e hoje encontram-se caídos e prostrados no pecado.
Vs. 6 – Os problemas da nação estavam destruindo a união das famílias, até entre pais e filhos, e demais parentes havia inimizade.

Esse parece ser um retrato daquilo que vemos em nossos dias. Houve um abandono sistemático do verdadeiro culto a Javé, a nação encontrava-se distante de Deus, a corrupção aflorava solta (estamos às portas de uma eleição, devemos orar para que o Senhor tenha misericórdia do Brasil), os lares estavam sendo destruídos, muitos e muitos que professaram a sua fé no passado já haviam abandonando o caminho do Senhor. Quanta semelhança com o nosso tempo. O que fazer quando chega-se a tal ponto de calamidade espiritual nacional, onde (até) famílias crentes estão atravessando momentos tão críticos, segundo o curso da nação? O que nos faz diferentes daquilo que estamos presenciando no mundo atual?


ARGUMENTAÇÃO

A resposta está na boca de Miquéias (7:7). “EU PORÉM”, diz o profeta. Apesar de tudo que foi dito até aqui, apesar de tanta iniqüidade à nossa volta, apesar da própria nação de Judá haver se corrompido quase que por completo, apesar de muitos haverem abandonado a Lei de Deus, e O haverem desprezado em seus corações, o profeta corajosamente diz: “EU PORÉM”.

1 – OLHAREI PARA O SENHOR
É difícil não sermos atingidos por tudo isso porque nos vemos como numa verdadeira tempestade, numa tormenta sem fim. O crente vive numa constante guerra espiritual. E nessa batalha devemos aprender a olhar para o Senhor. Se não conseguirmos olhara para Ele e ficarmos contemplando a iniqüidade, certamente definharemos. Os atrativos do mundo tem a capacidade de desviar a nossa atenção, precisamos olhar mais para o Senhor. (A lenda do canto das sereias). Olhar o Senhor, para não sermos envenenados, hipnotizados, massificados, manipulados. NEle há libertação, nEle há vida nova, nEle há vida eterna. Olhar para Ele é viver por fé. Olhar para Deus nos leva a algo superior: amor. Não é olhar simplesmente por olhar, mas é olhar para Ele com amor, com ternura, com devoção. Por isso que a Bíblia nos diz para não amarmos ao mundo (1 João 2:15), é esse o significado de “olhar” para Deus. Não é sentido literal porque ninguém poderia olhara fisicamente para Ele, por causa dos pecados. Além do mais, Ele revela a Sua glória somente para aqueles que escolheu. Nesse sentido, a expressão “olharei” nos leva ao futuro, a um tempo que ainda não chegou, onde poderemos contemplar ao Senhor. 


“Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” Mateus 5:8.

Quando Pedro miraculosamente caminhou sobre as águas, bastou que por alguns momentos ele deixasse de olhara para o Senhor e olhasse para as grandes vagas, para que ele afundasse imediatamente. A repreensão de Jesus foi: “homem de pequena fé, porque duvidaste?” (Mt 14:31). Se olharmos atentamente para o Senhor Jesus jamais vacilaremos.

 
“Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.” Hb 12:2.

2 – ESPERAREI NO DEUS DA MINHA SALVAÇÃO
Nessa fé esperaremos pelas mudanças que o Senhor há de fazer. Ele é fiel e é “poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o Seu poder que opera em nós” (Ef 3:20).

2.1 - POR QUE ESPERAR
A – Esperamos em Deus porque cremos que Deus tem o Seu tempo próprio de agir, e que o tempo de Deus (kairós) é o tempo perfeito.
B – Esperamos em Deus porque cremos que Deus tem os métodos perfeitos.
C – Esperamos em Deus porque cremos que Deus não falha, Ele é Soberano.
D – Esperamos em Deus porque cremos que Deus está presente conosco sempre, Ele é Onipresente.
E – Esperamos em Deus porque cremos que Deus sabe tudo de que necessitamos antes mesmo que Lhe peçamos, Ele é Onisciente.
F – Esperamos em Deus porque cremos que ele nos ama incondicionalmente.
G – Esperamos em Deus porque Ele é providente (Jeová-Jireh) e sempre nos envia tudo de que precisamos e jamais permite que falte algo aos seus servos (Sl 23:1).
H – Esperamos em Deus porque Ele nos prometeu responder às orações de acordo com a Sua vontade, Seu plano, e no Seu tempo. E Ele é fiel para cumprir as Sua promessas.
I – Esperamos em Deus porque nós cremos na Bíblia, e a Bíblia é a Palavra de Deus.

2.2 - O QUE ESPERAR
Esperamos novos Céus e nova Terra. Esperamos a nossa redenção eterna. Esperamos o juízo divino. Esperamos a concretização das promessas de Deus, a resposta às nossas preces, o derramar e o enchimento do Espírito Santo, a edificação da Igreja. Esperamos a resposta de Deus às nossas orações.

2.3 - ESPERAMOS PORQUE PEDIMOS
“Pedi e dar-se-vos-á” disse Jesus. Quem não ora perde a esperança porque está confiando em si mesmo e não em Deus. Quem ora sempre espera porque espera em Deus.

2.4 - ESPERAMOS PORQUE DEUS É A NOSSA SALVAÇÃO
Só espera em Deus quem é salvo, lavado, remido, comprado, justificado pelo sangue de Cristo. Quem não passou pela cruz de Jesus, quem não olhou para Ele, quem ainda não se converteu a Ele não sabe o que é esperar nEle.

3 – O MEU DEUS ME OUVIRÁ
Essa era a perspectiva do profeta, esse deve ser a nossa perspectiva. A certeza de que Deus ouvirá a nossa oração é provinda da fé que Ele mesmo nos concedeu. O verbo “ouvir” é aqui usado para dizer que o nosso Deus atenderá e responderá ao clamor de Seu povo.

3.1 - O “MEU DEUS” - COMUNHÃO
Havia uma certeza no coração do profeta Miquéias: “o MEU Deus ouvirá as minhas orações”. Essa mesmo convicção deve estar em nossos corações. A expressão de Miquéias denota a comunhão que Ele nutria com o Senhor “o MEU DEUS me ouvirá”. Vivemos um tempo de muita especulação em torno do tema, são as igrejas do movimento da prosperidade que pregam a bênção de Deus e não o Deus das bênçãos. Mas vivemos também, do nosso lado, um tempo de esfriamento espiritual. Falta-nos essa convicção que o profeta Miquéias tinha.

Paulo também usou essa expressão.
“E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades.” Filipenses 4:19.

A Bíblia nos manda pedir a Deus, invocar o Senhor, clamar a Ele.

3.2 - DEUS EXIGE SANTIFICAÇÃO
Deus ouve tudo, Ele é onisciente. A expressão aqui usada significa que Ele vai nos responder. O nosso Deus não está surdo, diz o profeta Isaías (Is 59:1,2), mas existe algo que pode impedir a Sua resposta:
59.1   Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir.
59.2   Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.

Se desejamos receber resposta às nossas orações devemos antes de tudo nos consagrar.


CONCLUSÃO
Em dias de crise devemos recorrer ao Senhor. O profeta Miquéias viveu num tempo de muitas crises e dificuldades. Ele era um homem de Deus, e consciente daquilo que Deus poderia fazer, das mudanças que somente o Senhor poderia operar. Por isso Ele confiou em Deus. Que possamos também ser homens e mulheres de Deus, que à semelhança de Miquéias tem seus olhos voltados não para o mundo, mas para Deus. Esperemos no Senhor, Ele é fiel e cumprirá todas as Suas promessas. Estejamos certos de que Ele nos ouve e nos atenderá.

E você, confia em Deus? Tem seus olhos fitos nEle? Esperar o dia glorioso em que verá a Sua glória? Espera nEle o cumprimento de Suas promessas? Crê que Ele te ouve?

Deus abençoe a tua vida.

SOLI DEO GLORIA!!!

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