OS PERIGOS DA ERUDIÇÃO

Valorizo muito o estudo bíblico, o conhecimento teológico, amo estudar história e aprecio muito a tradição cristã. Mas tanto a erudição quanto a tradição devem ficar debaixo da autoridade bíblica. Como diziam os reformadores: "Sola Scriptura", ou seja, a Bíblia Sagrada é nossa regra de fé, a autoridade máxima em assuntos espirituais.

É comum a erudição acadêmica enveredar pela filosofia e se distanciar do texto bíblico (perigo 1). Para constatar isso basta olharmos para o liberalismo teológico, que embora seja uma teologia que não gera conversões, continua atraindo pessoas que se deslumbram com o academicismo, a erudição e a argumentação rebuscada.

Outro dia conversei com um liberal (ex-pentecostal) que me dizia que é impossível ler a Bíblia sem os óculos da tradição. E afirmava isso para defender "academicamente" (e não biblicamente) as posições doutrinárias da sua atual igreja. Lembro que comentei sobre crescimento espiritual e ele disse que esse não é um tema importante em sua tradição teológica. O curioso é que ele afirma crer no Sola Scriptura.

Além do risco da erudição se distanciar do texto bíblico, vejo outros perigos comuns: roubar a simplicidade do evangelho (perigo 2) e impedir as pessoas de experimentarem o mover de Deus (perigo 3).

Nos tempos de Jesus muitos eruditos (os fariseus) haviam se distanciado da simplicidade bíblica. Não conseguiam perceber o agir de Deus pois estavam intelectualizados demais. Eles comparavam a erudição deles com a linguagem simples de Jesus (parábolas) e rejeitaram o Mestre! Foram duramente repreendidos por Jesus:

 
"Este povo honra-Me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de Mim. E
em vão Me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens." Mt 15:8-9.

Hoje quando vejo cristãos intelectualizados desprezando pregadores simples ou com pouca bagagem teológica logo me lembro dos fariseus desprezando Jesus, e posteriormente seus Discípulos.

Além disso, vemos cristãos intelectualizados desprezando pregadores que não usam sermão expositivo ou que não citam grego e hebraico no púlpito. Será que eles esquecem que o maior modelo de pregador que temos (Jesus) não pregava assim?
 

Não estou desprezando a erudição. Amo ler e estudar. Mas vejo muitos cristãos que depois de se intelectualizarem se tornaram críticos azedos e não conseguem mais experimentar o mover de Deus. Só sabem criticar. E por se recusarem a receber alimento espiritual, muitos começam a secar.

Esse risco existe e é bem danoso. Olhe para a história da Igreja: os eruditos católicos desprezaram Lutero e a Reforma. Os eruditos anglicanos desprezaram Wesley, general Booth e o avivamento da época. Os eruditos metodistas e reformados deprezaram o avivamento pentecostal. E por aí vai...

Na época de Jesus houve eruditos (Nicodemus, Apolo, Paulo...) que se abriram para o Mestre, e colocaram seu saber humano em segundo plano. Paulo disse: 


"Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à Lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça que há na Lei, irrepreensível. Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo" Fp 3:4-8.

Isso serve para nós, cristãos ávidos por conhecimento, refletirmos seriamente no cristianismo que desejamos ter: acadêmico-frio ou bíblico-fervoroso?

Não podemos perder de vista a simplicidade do Evangelho.

"Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e Este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus. Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória; sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória; mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que O amam. Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus." 1 Co 2:1-10.

Colaboração: Rev. David Cestavo - IPB Central de Lavras / MG.

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