ARRANCA-O DE TI

Por: Rev. Paulo Sergio da Silva 

“Portanto, se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida coxo, ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno. E, se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno.” Mateus 18:8-9 (Mt 5:29-30).

Assisti recentemente ao filme “127 Horas”. Fazia tempo que eu não via um filme interessante assim e cheio de significados Retirando duas ou três cenas meio pesadas, o resto do filme é muito bom. Não quero ser “estraga prazer”, por isso, se você é daqueles que não gostam de saber o final do filme antes de assistir, talvez seja melhor parar de ler essa reflexão, ir a uma locadora, alugar o filme e assisti-lo antes de ler (rsss). Mas se você é como eu, e não se importa em saber o final antes, então sem problemas.

O filme conta a história real de Aron Ralston um sujeito que gosta de praticar esportes radicais, como subir ou descer encostas de montanhas, ficar dependurado em precipícios, e coisas do gênero. O detalhe é que ele fazia isso tudo sozinho, como um “lobo solitário” ele saia para as suas perigosas aventuras. Dessa vez ele foi a um local do Grand Canyon em que nem guia turístico passava, e detalhe: não avisou ninguém de sua família ou amigos o que ia fazer. É aí que algo dá errado, ele escorrega, cai e fica com a mão presa entre a encosta do canyon e uma rocha. Ali ele passa as 127 horas que deram origem ao nome do filme. Ele estaria fadado à morte, caso não tomasse uma atitude drástica: cortar o braço fora. Isso mesmo! E o pior: ele havia esquecido um canivete suíço em casa e carregava um canivete chinês que estava sem corte. A cena é de arrepiar! A gente sabe que aquilo tudo é efeito especial, mas só de pensar que aconteceu de verdade impressiona muito. É surpreende a sua atitude, determinação, coragem, força e vontade de viver. Impressionante mesmo!

Enquanto via aquilo me veio à mente o texto citado acima, onde Jesus fala de algumas amputações benéficas, necessárias até em certos momentos da vida. Obviamente Jesus usou uma metáfora, já que não vemos um Pedro sem língua, por exemplo. Mestre se referia a atitudes espirituais que lembram a coragem, força, determinação e vontade de viver, apresentados no filme, guardadas as devidas proporções.

Gostaria de compartilhar algumas lições são passadas de um modo muito claro e real.

1 - O isolamento não é benéfico a ninguém. Se Aron tivesse comunicado à sua família onde ia, e bastava ele atender ao telefonema de sua mãe para isso, não teria perdido o braço. Existem muitos que se isolam de todos, inclusive da família. Não é difícil identificar os que se isolam, eles estão ali, mas não estão ali. Estão apenas de “corpo presente”, o coração está longe, bem longe. Isso sem falar nas famigeradas “panelinhas”, que são pequenos grupos (tribos) de irmãos que se isolam e não permitem que ninguém se aproxime deles. Só Deus sabe o que vai na mente e no coração dessas pessoas. A Bíblia nos ensina que somos o Corpo de Cristo, precisamos viver como tal (1 Co 12:25-27). Imagine se um grupo de jovens se reúne para uma despedida de um irmão que vai morar em outra cidade, e convidarem apenas os “amigos” mais chegados da Igreja, como ficam os demais? Infelizmente isso acontece... São atitudes de isolamento como essa que adoecem uma Igreja e neutralizam os efeitos da comunhão entre os membros do Corpo.

2 - A vida de aventuras têm um preço alto. Ao praticar esse esporte tão perigoso Aron colocou tudo em risco, sua própria vida. Teve sorte de sair vivo, mas ficou sem um braço, e um braço não tem preço. Muitos se aventuram nos descaminhos da vida, entram por labirintos escuros, praticam pecados às ocultas, agem na surdina, na calada da noite. Pensam que ninguém os vê, mas são observados o tempo todo. Quantos jovens perderam a vida porque se entregaram a uma vida de prazeres e pecados? Pare com essas coisas enquanto há tempo, ou essas coisas darão um fim a você. Foi Moody quem disse: “A Bíblia te afastará do pecado, ou o pecado te afastará da Bíblia.” (Ec 7:29; Mt 26:41).

3 - Cuidado onde você põe seu pé. O desastre todo aconteceu porque Aron confiou em uma rocha que não era sólida. Assim que ele pisou ela rolou e ele caiu. Aquela rocha foi o seu carrasco; ali no deserto ele teve que deixar a sua mão presa naquela rocha para poder sobreviver. Tudo porque ele confiou demais nela. Muitas vezes nos machucamos porque damos um passo errado. Alguns passos errados terão conseqüências irreparáveis, por isso todo cuidado é pouco. Certas situações só poderão ser remediadas, jamais será a mesma coisa, sempre ficará uma lembrança, como um braço que ficou para trás. Cristo perdoa-nos e nos salva, mas as conseqüências muitas vezes perdurarão. (Sl 119:105; Gl 6:7).

4 - Não menospreze o que Deus te deu. O canivete chinês tão desprezado por Aron, foi o que o salvou. No final ele pede a um enfermeiro que guarde para ele o canivete. Creio que até hoje ao pegar esse canivete Aron se lembra da sua  importância para a sua sobrevivência. Muitas vezes nós também podemos errar em desprezar o que Deus nos deu: a família que temos, roupas, calçados, emprego, igreja, condição social, corpo, etc. A verdade é que somos muito mal agradecidos, pois o Senhor nos fez à Sua imagem e semelhança, cuida de nós com tanto zelo, e nos ama como a menina (pupila) de seus olhos. Precisamos mudar isso, ver o que Ele nos deu, e agradecer sempre, pois tudo e todos têm seu valor para Deus. (Dt 32:10; Sl 17:8; Jr 31:3; Zc 2:8; Ex 4:2; Mc 6:38).

5 - A providência de Deus é notória. Depois de amputar o braço, Aron caminhou pelo canyon procurando uma saída e chegou a uma plataforma de uns 20 metros de altura. Ele ainda tinha corda na sua mochila, mas onde prender essa corda para descer? Então ele encontrou alguns ganchos que algum outro alpinista havia deixado ali naquela plataforma. A sua alegria foi tanta que ele chegou a beijar os ganchos antes de prender a corda. Com muito sacrifício desce e encontra uma poça d’água, que não era das mais limpas, mas renovou suas forças para caminhar. Ele encontra uma trilha e depois de um tempo vê ao longe uma família de holandeses que estava fazendo uma caminhada nessa mesma trilha. Aron então reúne todas as suas forças para gritar por socorro. Eles o vêem e correm em sua direção, lhe dão água e cuidam dele até a chegada de um helicóptero. Em tudo isso vê-se a providência de Deus. Existem tantas coisas que nos acontecem, e que infelizmente atribuímos muitas vezes ao acaso. Não existe acaso, tudo é dirigido e guiado por Deus. Ele pode nos provar e permitir que passemos pelo vale, podemos até perder algo e sofrer muito por isso. Mas se não fosse a ajuda dEle não teríamos chance alguma, jamais sobreviveríamos (Sl 124; Pv 16:4; Mt 6:34; Jo 11:40; Rm 8:28).

CONCLUSÃO

Será que teríamos coragem de cortar nosso braço para sobreviver? E ainda mais com um canivete cego? Essa dor valeu a pena no filme e na vida do personagem. No final ele aparece sem uma parte do braço, hospitalizado e recebendo todo cuidado da família. Então, olhando para o que restou de seu braço, ele diz para sua mãe: “E agora, o que vou fazer?” E ela lhe responde: “Você está vivo!”. Talvez seja o mesmo sentimento de quem precisa romper uma relação pecaminosa, deixar um vício, abandonar o orgulho, a avareza, etc. Dá uma certa sensação de perda: “Como vou fazer? Como vai ser minha vida?” E a lição é que mais importante do que vivenciar certas coisas que desagradam a Deus, é agradar a Deus e receber a vida eterna.

SOLI DEO GLORIA!!!

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