JESUS, O SALVADOR GLORIOSO

Por: Rev. Paulo Sergio da Silva
3ª IPB de Barretos / SP
Culto Vespertino 02.10.11


TEXTO BÁSICO

ISAÍAS 52:13 a 53:12

INTRODUÇÃO / EXÓRDIO 

A Páscoa era uma das três grandes festas do povo judeu, em comemoração ao êxodo e da libertação dos israelitas do Egito (Êxodo 12). O povo de Deus reunia-se anualmente, em Jerusalém, para esta festa. Iniciava-se a Páscoa com uma refeição que consistia de um cordeiro, ou um cabrito assado, pães asmos (sem fermento) e ervas amargas. O cordeiro servia de recordação do sacrifício; o pão sem fermento, da pureza; e as ervas amargas, da servidão amarga do Egito. Cristo observou a Páscoa (Mateus 26:19) e Ele mesmo tornou-se o nosso Cordeiro Pascal, quando entregou-se na cruz para nos salvar (João 19:36; 1 Coríntios 5:7).

EXPLICAÇÃO
Essa é uma das mais queridas e importantes passagens do AT. Estes versículos apresentam o Servo de Deus sofrendo vicariamente pelos pecados dos homens. A interpretação judaica tradicional entende a passagem como uma referência ao Messias, como, é claro, fizeram os primeiros cristãos, que criam ser Jesus o referido Messias (Atos 8:35). A passagem se divide em cinco partes de três versículos cada: (1) 52:13-15; (2) 53:1-3; (3) 53:4-6; (4) 53:7-9; (5) 53:10-12. É importante ressaltar que o livro do Profeta Isaías foi escrito cerca de 700 anos antes do nascimento de Cristo.

ARGUMENTAÇÃO
É necessário refletir acerca da vida e da obra de Jesus, e que de nossa reflexão bíblica possamos extrair lições para a nossa vida. Lições práticas para o nosso dia a dia. No texto acima encontramos 4 lições preciosas que o Senhor Jesus deixou para nós, através do Seu exemplo máximo.

1 – VENCER O DESPREZO
Jesus foi desprezado pelos homens (vs.2-3)


Ele foi o mais rejeitado, desprezado e injustiçado. No texto Ele é chamado de “Homem de dores, e que sabe o que é padecer” (Is 53:3). Creio que esses adjetivos não se restringem à Cruz. Lembremos que quando Ele curava e libertava pessoas era chamado de endemoninhado. Quando evangelizava os perdidos (e se aproximava deles para isso) era chamado de amigo de beberrões e pecadores. Ele foi rejeitado por Seu próprio povo, veio para o que era Seu, mas os Seus não O receberam (Jo 1:11-12). Jesus soube lidar com esse sentimento avassalador que é a rejeição; nós precisamos aprender. Muito do nosso sofrimento, apatia e desânimo se dá por causa de marcar e feridas em nossas almas, causados e causadores do sentimento de rejeição. Muitos sofrem com isso desde a mais tenra idade. Há quem afirme que desde o ventre materno já é possível que o novo ser sinta-se rejeitado (a) por sua genitora. Em maior ou menor escala, todos nós já nos sentimos (e nos sentiremos um dia) rejeitados. Como lidar com essa realidade? O que mais vemos é a revolta como meio de reação, certamente o mais comum. O abandono das coisas e da Casa de Deus, o assumir novas posturas semelhantes ao mundo, a aproximação intrínseca do mundo e para o mundo, com sua cultura, costumes e valores.

Todos nós precisamos aprender a lidar e vencer a rejeição. O caminho bíblico para isso é o desenvolvimento consciente da fé no amor do Senhor para com o Seu povo, conforme nos é revelado nesse texto e em tantos outros (Jo 3:16). O exemplo de Jesus nos inspira a permanecer firmes na presença de Deus, não repetindo para com o Pai e para com nosso próximo, o que os homens fazem conosco com tanta freqüência, pelo simples fato de sermos crentes. Venceremos o desprezo através do amor e da confiança em Deus, que sempre nos acolhe e fortalece.

2 – UM COMPROMISSO REAL COM DEUS
Jesus foi resoluto em Seu propósito (vs.4-6)


O Mestre amado não titubeou em momento algum. Pelo contrário, havia nEle um desejo obstinado de cumprir o Seu propósito, meta e ideal. Ele veio ao mundo com essa missão e a cumpriu cabalmente. Suportou as maiores dores que alguém poderia passar, e não desistiu. Aquela Cruz era nossa, mas nenhum de nós a poderia carregar, somente Jesus era capacitado para tal tarefa, e Ele a cumpriu! Que exemplo magnífico! Filipenses 2:5-11 nos fala desse compromisso do Senhor no cumprimento de Seu propósito, e o preço que Ele pagou para isso. Como estamos distantes desse nível como Igreja...

Estamos vivendo a era do “des-compromisso”, ser crente no ocidente é tão fácil que milhares (senão milhões) de irmãos não sabem o que é padecer pelo Evangelho. Querem ir para o Céu quando chegar a hora, claro! Mas não desejam se comprometer com a Igreja de Cristo e com a obra que Deus designou para o Seu povo, que somos nós. Os votos que muitos fizeram no dia de seu Batismo e Profissão de Fé, parece que era só um ritual, algo “da boca pra fora”; bastou uma mínima, ínfima pressão para que tudo abandonassem e deixassem o bom Caminho. Outros tantos são especialistas em lustrar e esquenta os bancos de sua Igrejas. Apenas isso, aos domingos e olhe lá. Como é raro hoje em dia aqueles que querem servir a qualquer custo, que assumem compromissos e os cumprem a risca. “Hard days”, dias difíceis. Para muitos parece que o dízimo se tornou a mensalidade do clube, e o pastor o empregado assalariado. Se não está bom mudo de clube, ou paro de pagar a mensalidade. Se o empregado não se representar, é só trocar. Talvez por isso que a simples presença em trabalhos semanais é para muitos um fardo, ir à Casa de Deus deixou de ser prazeroso para muitos e se tornou algo cansativo. O mundo passa a ser mais atraente, a fé mera religiosidade, a comunhão algo ultrapassado. Nota-se claramente uma carência à Igreja moderna no cumprimento dos compromissos assumidos diante de Deus, ou o próprio ato de assumir tais compromissos. Essa constatação nos leva ao próximo ponto. Necessitamos...

3 – OBEDECER DE CORAÇÃO A DEUS
Jesus (Homem) foi obediente ao Pai celestial (vs.7-9)


O Senhor Jesus é o nosso exemplo máximo em Sua obediência constante e irrestrita ao Pai Celestial. Ele só cumpriu o Seu propósito porque resolveu em Seu coração obedecer ao Pai. Isso é notório em diversos momentos da saga de Cristo, mas existe um momento em que as duas naturezas de Cristo se manifestaram diante de tão grande desafio. No Getsêmani Jesus disse ao Pai:

“(...) Pai, todas as coisas Te são possíveis; afasta de Mim este cálice; não seja, porém, o que Eu quero, mas o que Tu queres.” Marcos 14:36.

Paulo também nos diz:
“E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.” Filipenses 2:8.

Necessitamos resgatar esse valor perdido em meio a tanta modernidade tecnológica, ideológica e cultural. Relativizaram praticamente tudo que está na Bíblia hoje em dia. São sinais do ensino liberal. Concordo plenamente com o Rev. Hernandes Dias Lopes que nos alerta acerta do liberalismo teológico:

“Os teólogos liberais não crêem na infalibilidade nem na suficiência das Escrituras. Aproximam-se dela não com fé, mas com suspeitas; não com humildade, mas com insolência; não com submissão, mas com rebeldia. Atribuem às Escrituras muitos erros. Afirmam que ela está cheia de falhas e que seus relatos históricos estão repletos de contradição. Afirmam que seus milagres não passam de mitos. Esses paladinos do engano e arautos da incredulidade retiram das Escrituras o que está nas Escrituras, atraindo sobre si mesmos a merecida punição de seu erro.” (A Suficiência das Escrituras).

Não há dúvida que esse tipo de interpretação tem invadido a mente dos crentes incautos. Se não crermos mais que a Bíblia é a Palavra de Deus, por que obedecê-La? Precisamos retornar à obediência às Escrituras como estilo de vida, como Cristo fez e nos ensinou com Seu próprio exemplo. Isso nos afastará de uma vida alinhada com os padrões do mundo e nos aproximará dos padrões divinos de comportamento (Romanos 12:1-2).

TRISTE EXEMPLO. Recentemente fui a um casamento de dois jovens que muito amo e respeito. Porém, voltei para casa um tanto preocupado e triste. Tudo ia bem, a mensagem foi muito edificante, o local estava muito bem decorado, a noiva e o noivo muito bem vestidos, assim como as testemunhas. A refeição servida estava excelente, enfim, tudo estava nota 10. Mas, duas coisas muito me incomodaram. A primeira é que grande parte da celebração teve MPB como música de fundo. Não ouviu-se nenhum cântico de louvor a Deus, afinal casamento de crente é culto (ou não é mais?). Num dado momento ouviu-se alguns acordes de uma banda norte americana muito conhecida por sua apologia a drogas e sexo livre. E para finalizar a “festa” nada como uma verdadeira festa, conforme manda o padrão do mundo: danceteria. Apagaram-se as luzes do salão, e começou um som ensurdecedor de discoteca (o chamado som “psico”) com luzes piscantes rochas, verdes, vermelhas, etc., uma verdadeira “balada”. Algo anormal: começou com oração pedindo a bênção de Jesus, e terminou com uma balada, sabe-se lá o que aqueles gringos estavam dizendo naquelas músicas. Quem sabe se era a Kesha que bebeu sangue no rock in rio, ou a Lady Gaga que diz amar um tal de Judas que é um demônio (cantoras de música eletrônica). Meu Deus, onde vamos parar? Esse é um problema vem ocorrendo em diversas cidades: festas de casamento de crentes que terminam com uma balada conforme manda o mundo. Pasmem, existem “pastores” que acham isso normal, apenas um traço da cultura brasileira.

Sempre teremos a oportunidade de desobedecer a Deus, mas aqueles que O servem de coração sabem o valor da obediência (2 Tm 3:12).

4 – TER A ESPERANÇA DA VIDA ETERNA
Jesus foi glorificado nos Céus (vs.10-12)


O texto sagrado mostra que o Senhor Jesus veio não como um derrotado, mas eternamente vencedor. Mesmo na Cruz, humilhado, sangrando, cuspido, chicoteado, envergonhado, sofrido, Ele é vencedor! A Palavra de Deus é clara em afirmar que “Ele verá o fruto do penoso trabalho de Sua alma e ficará satisfeito” (Isaías 53:11). Não há talvez, há certeza! Isso muda completamente o modo como se vê Jesus na Cruz.

Precisamos resgatar essa esperança também. Estamos em um mundo de trevas e insegurança, um mundo onde os valores morais e a justiça são obliterados sistematicamente. Um mundo onde não há mais esperança. Mas a nossa esperança não está no mundo, a esperança do crente reside no Cristo ressurreto e vencedor!

“Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.” Romanos 5:2.

E assim como Ele venceu, nós também venceremos o pecado, o mundo, e a própria morte, uma vez que estamos unidos a Ele. Nada pode nos separar do amor de Cristo!

“Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” Romanos 8:38-39.

Essa confiança muda totalmente a nossa perspectiva de vida. Nada nos poderá separar dEle! Temos sempre “bala na agulha”, recursos espirituais para enfrentar os desafios do cotidiano, pois Ele está conosco! E a Sua promessa é que estaremos juntos eternamente no Céu.

“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em Mim. Na casa de Meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, Eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando Eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para Mim mesmo, para que onde Eu estiver estejais vós também.” João 14:1-3.

Assim como Ele padeceu como vencedor, nós também devemos nos portar como filhos da luz vencedores, e não como derrotados e fracassados.

“Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquEle que nos amou.” Romanos 8:37.

CONCLUSÃO
O Senhor Jesus pagou um altíssimo preço por nossas almas. Ainda hoje Ele é rejeitado por aqueles que não O amam. Estaríamos nós também rejeitando a Cristo?

Ele veio e pagou o preço da nossa salvação. Como estamos em relação a nossos propósitos espirituais e eclesiásticos?

O Senhor Jesus obedeceu até a morte, e morte de Cruz! Ele não retrocedeu, nem titubeou ou desanimou. Que sejamos inspirados e animados por Ele mesmo em nossa busca de uma vida pautada pela obediência.

Finalmente, que a mesma esperança que marcou a trajetória do Senhor, mesmo em face da morte, esteja presente em nós. Que jamais desanimemos nem duvidemos da nossa herança eterna.

S.D.G.

Material de apoio: A Bíblia Anotada.

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