O BEZERRO MORTO NO RODEIO E O DEBATE SOBRE MAUS TRATOS

BEZERRO TEVE PESCOÇO QUEBRADO

O incidente reacendeu o debate sobre os maus tratos de animais. "Foi uma fatalidade", segundo o peão suspenso após sacrifício do bezerro. César Brosco disse ter ficado chateado. O bezerro foi retirado da arena carregado após a prova.

“Uma fatalidade do esporte”. Foi assim que o peão César Brosco classificou o fato de um bezerro ter ficado paralítico e ter sido sacrificado logo após uma prova de bulldog durante a Festa do Peão de Barretos, no interior de São Paulo, em 2011.

Brosco disse ao G1 que ficou bastante chateado com o ocorrido, mas considerou o episódio um acidente de trabalho. “O objetivo da prova é derrubar o animal. O que aconteceu foi uma fatalidade do esporte”, disse o competidor. Segundo ele, não existe uma técnica específica para que o animal seja levado ao chão.


O competidor foi punido pela Associação Nacional de Bulldog (ANB) por seis meses. Brosco disse, no entanto, que não concorda com a sanção. “Eu não concordo com essa punição. Ainda não recebi nada por escrito, apenas fui informado sobre ela”.

A decisão da ANB se baseou na análise de fotos e imagens da prova. O afastamento do competidor foi solicitado pelo Centro de Estudos do Comportamento Animal (Ecoa), ligado à organização do evento.

Segundo César Negrão, advogado de Brosco, ele não fez nada de errado. O movimento, disse, foi legítimo. “A manobra realizada pelo César foi legal. Tanto é que o juiz da prova validou e a prova foi dada como completa”, disse o advogado. “Não pretendo entrar no mérito sobre continuidade de eventos de rodeio, mas o que estão fazendo é se aproveitar da situação. Meu cliente não é bandido.”

De acordo com o relatório do Ecoa, a lesão da vértebra cervical do animal ocorreu por conta de uma manobra executada de forma irregular. "Ao animal iniciar o decúbito lateral direito (deitar do lado direito) a prova tem que ser interrompida. No caso, pelas fotos e imagens, o garrote deitou do lado direito (sentido anti-horário) e o atleta encurvou o pescoço no sentido contrário, ou seja, horário. Nessas condições há o risco de afetar o animal”, diz o documento.

César Brosco é um dos expoentes das provas de bulldog no Brasil, segundo Negrão. “Ele é um atleta experiente, não é qualquer um. Ele não fez uma manobra errada. Se ele tivesse, por exemplo, jogado areia na cara do bezerro, o juiz teria invalidado. O fato de terem dado a prova como completa mostra que ele não fez nada de errado. Foi uma fatalidade”, afirmou o advogado.

O advogado disse ainda que desconhece a existência da Associação Nacional de Bulldog e, por isso, irá verificar a legitimidade da punição. “Eu desconheço essa ANB, não achei legitimidade nem sequer a existência jurídica dela. Por isso, vou verificar essa punição, que até agora foi comunicada apenas ‘de boca’.”

Brosco afirmou que pretende continuar na modalidade. Mesmo com a punição, ele disse que não irá abandonar o esporte. Mas ele não poderá participar de outras provas em Barretos neste ano. “Não fui mais até a arena. Não tenho mais a credencial. Mas vou continuar, sim, no bulldog”, afirmou.


G1 e UOL.

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