OS TRÊS ARREPENDIMENTOS EM JONAS

Por Rev. Ronaldo P. Mendes

“… lançado estou de diante dos Teus olhos; tornarei, por ventura, a ver o Teu santo templo?… Os ninivitas creram em Deus, e proclamaram um jejum, e vestiram-se de panos de saco, desde o maior até o menor… Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho; e Deus Se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não o fez.” Jonas 2:4; 3:5-10.

O objetivo do livro de Jonas é declarar a universalidade tanto do julgamento quanto da graça divina. Também retrata a verdade de que quando o povo de Deus deixa de ter interesse pelos perdidos, perde a visão do objetivo e programas divinos no mundo. O livro destaca a universalidade étnica do amor e misericórdia de Deus, e também a soberania universal de Deus sobre o homem e a criação. Em Jonas existem outros ensinos, mas quero destacar apenas três.

O ARREPENDIMENTO DE JONAS (V.2.4)

O pecado de Jonas – Jonas viveu no reinado de Jeroboão II(2Rs 14.23-28). Nesse período, o povo estava totalmente envolvido em seus prazeres e prosperidade material. Tinha perdido a sua visão como povo da Aliança de Deus. Era um povo frio e indiferente. Veja como foi difícil para Jonas, ainda mais por ser Nínive (capital da Assíria), uma cidade cujo o povo era cruel e sem misericórdia. Embora estivesse passando por crise política, Jonas não quis ir a ela (cf 1.1-3), não teve misericórdia deste povo. Outro fator que poderia ter sido calculado por Jonas foi a distância. Jerusalém era distante de Nínive cerca de 960km e gastava cerca de 3 meses de viagem na época. Assim Jonas desobedece a ordem de Deus.

A conseqüência do pecado de Jonas (1.4,17) – Em 1.17 nos é dito que Deus Deparou ou “preparou”(no hebraico) um peixe para engolir Jonas e levá-lo ao seu destino. Não teve como Jonas fugir de Deus. Ele chegou ao seu destino.

O difícil arrependimento de Jonas - Parece que Deus teve mais “dificuldades” em aperfeiçoar Jonas do que a Nínive. Só para tratar do seu arrependimento foram 3 capítulos (1,2 e 3). Jonas demonstrou egoísmo e fanatismo (4.8-11).

Podemos aplicar assim: (1) Não adianta sermos rebeldes na obra do Senhor- Ele realizará a Sua vontade –Nenhum propósito de Deus será frustrado (Jo 42.1) – (2) Não existem justificativas humanas para dizermos “não” ao chamado de Deus - (3) O arrependimento vindo de Deus é eficiente, mesmo que nossa natureza seja difícil, Deus nos quebranta. Aos nossos olhos Jonas era um “cara” chato e reclamão. Mas Deus teve paciência e misericórdia.

Vejamos o próximo ensino:

O ARREPENDIMENTO DE NÍNIVE (3.5-9)

Toda a cidade voltou-se para Deus (v.8) – “Cada um do seu mau caminho” e da “Violência das mãos” – Houve um verdadeiro arrependimento e isso ficou claro devido ao que a Assíria fez. Era impossível aos olhos do mundo ver um povo como este se converter. Mas Deus fez: “Ele põe termo à guerra até aos confins do mundo, quebra o arco e despedaça a lança; queima os carros no fogo.”(Sl 46.9).

Houve um arrependimento verdadeiro (3.5-6) – Esse povo se humilha diante de Deus (v.5) – Proclamaram jejum e vestiram panos de saco (vestimenta de lamentação). O desejo deste povo foi o desejo de Davi: “…, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões.” (Sl 51.1). Ainda diz Davi: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus.”(Sl 51.17). Deus não rejeitou o arrependimento de Nínive.

O pecado causou dor no povo (v.7,9) – O verdadeiro arrependimento espera unicamente na graça e misericórdia de Deus (v. 9) – É um reconhecimento da sua miséria diante a presença do SENHOR. Os olhos do povo ficaram abertos e enxergaram a sua condição diante de Deus, assim como fez Isaías: “… ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos!” (Is 6.5).

A conversão de alguém é acompanhada de um verdadeiro arrependimento, humilhação diante de Deus. Ninguém se converte ao Senhor e continua na prática do pecado. Tornamo-nos “novas criaturas” (2Co 5.17) e tudo se faz novo, como disse o Senhor Jesus é necessário nascer de novo (cf Jo 3.3). E continuar em santidade.
E por ultimo vemos:

O ARREPENDIMENTO DE DEUS (V.9-10)


Deus se arrepende? – O termo hebraico significa “mudar de idéia”. Observamos aqui em Jonas o uso da linguagem antropomórfica que é a linguagem humana atribuída a Deus para explicar Suas ações. Assim, vemos o aspecto condicional, não de Deus, mas do Seu julgamento. O julgamento do Senhor está condicionado às ações humanas. Deus não se arrepende: “Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa”(Nm 23.19).

Mudar de idéia, por quê? – O julgamento seria eminente se eles não se arrependessem. Deus decreta tanto os meios como os fins. Ele decretou a salvação, mas esta está ligada ao nosso arrependimento, o qual também vem de Deus. Vejamos: “Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração; então, se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração.” (Gn 6.5-6) - O Senhor, por causa dos pecados mudou seus planos, mas essa mudança já estava decretada por Ele. Nós não surpreendemos a Deus.

Vejamos algumas lições importantes: (1) Deus não muda e muito menos se arrepende de um erro- Ele não erra, pois é perfeito. O seu “arrependimento” ou “mudança de plano” estão em Seus propósitos eternos. (2) – Deus nos dá a chance de escolha para fazer o bem ou o mal: “Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência,”(Dt 30.19).

Falamos sobre: Os três arrependimentos em Jonas – Do profeta – Pelo seu egoísmo e rebeldia, Nínive – Por não conhecerem a Deus, mas o “arrependimento” de Deus foi por Ele ter sido fiel e misericordioso. Aprendamos com a vida de Jonas que nunca devemos nos rebelar contra Deus. Vejamos o Exemplo de Nínive e busquemos um verdadeiro arrependimento. E olhemos para Deus e conheçamos a sua soberania. Amem!

Solus Christus.

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