A MEDIDA DA ESPIRITUALIDADE

Para muitos uma Igreja espiritual é aquela que é hiper ativa. Muito trabalho, vários ministérios e muito reboliço. Tenho visto Igrejas com um calendário tão cheio de atividades que os membros não têm tempo para si mesmos ou suas famílias. Todo feriado prolongado fazem retiros, acampamentos, excursões etc. Isso somente aumenta a angústia existencial e o vazio do homem. Nem sempre o trabalho excessivo é o parâmetro para avaliarmos a espiritualidade de uma Igreja. 

Para outros a espiritualidade está vinculada a um conjunto doutrinário, onde se lançam em cruzadas contra demônios tentando exorcizar tudo e todos. Este tipo de comportamento é doentio e adoecedor. Tais comunidades entendem que a ênfase em batalha espiritual é o que determina o nível de espiritualidade. Ai vemos as maiores atrocidades em nome do espiritual como por exemplo: endemoninhamento de crianças, objetos de uso pessoal serem destruídos por estarem consagrados aos demônios, mapeamento espiritual de uma cidade para delimitar territórios onde o mal não pode chegar ou entrar, unções esquizofrênicas e mirabolantes como ungir o telefone celular para que somente receba mensagens boas e positivas. Esses comportamentos são regidos por conceitos distorcidos do que seja espiritualidade. Em muitos lugares os demônios sofrem agruras porque os líderes os fazem engolir chumbo fervente, encostam espadas flamejantes em suas costas etc. Em algumas comunidades se permite que algum embusteiro diga que está cheio do Espírito Santo e passe a adivinhar o número da carteira de identidade, endereço e placa de carro de membro da Igreja e o povo acriticamente explode em berros achando que Deus esta nisto. Tais comportamentos dão ibope, mas não produzem libertação nem crescimento pessoal e espiritual. 

Outros acham que a espiritualidade pode ser contida dentro de regras litúrgicas ou teológicas. Nada é permitido fora dos padrões estabelecidos pela denominação. Como se tudo pudesse ser previsível. Isso acontece porque fica mais fácil o controle do sistema. Deus opera nos padrões e fora deles.
 

O padrão bíblico de para se medir a espiritualidade de uma Igreja ou comunidade está num comportamento inspirado pelo Espírito Santo. Esse padrão o apóstolo Paulo descreve como "o caminho sobremodo excelente" (1 Co 12:31ss). O nível de manifestação de amor no meio de uma comunidade diz o quanto está é espiritual ou não. Num mundo cuja marca é o isolamento e o individualismo exacerbado Paulo nos encoraja a termos e demonstrarmos entranháveis afetos de misericórdia. O amor deve ser a ligadura que nos prende e transforma nossos relacionamentos. A base para a manifestação dos dons do Espírito Santo é o amor. Onde os dons se manifestam sem o alicerce do amor, encontramos uma Igreja carnal, sempre criança, haja vista, a admoestação que Paulo faz aos coríntios por não poder falar-lhes como a espirituais e sim como a carnais, mesmo possuindo efusão de dons (1 Co 3:1). Podemos concluir que dons e suas manifestações não são padrão de espiritualidade de nenhuma congregação local. Os dons podem existir mesmo em um contexto de divisão, discórdia e confusão. 

Mais do que nunca precisamos embasar nossa espiritualidade naquilo que realmente pode impactar o mundo: o amor (pelo amor conhecido é o cristão). Isso não implica em um ecumenismo doutrinário com aqueles que distorcem a Sã Doutrina. Na Igreja Primitiva o que mais atraia as pessoas era o nível de relacionamento existente dentro dela. Apesar de existirem conflitos e desacordos a prevalência era o amor. A ordem havia sido invertida. Um escravo durante a semana era o pastor no domingo, e o senhor de escravos era o diácono no domingo. Isso era algo inconcebível para aquela sociedade. No entanto, foi com esse padrão de maturidade - AMOR - que a Igreja prevaleceu durante os anos posteriores.

Força Para Viver.

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