O BOM VELHINHO E O REDENTOR

Por:  Rev. Fernando de Almeida

Não gostaria que esse fosse mais um texto daqueles que reclama da presença do Papai Noel no Natal e, por tabela, deixa o verdadeiro aniversariante de lado. Por mais que concorde com isso, com o fato de que no Natal devemos lembrar do Redentor da raça humana, gostaria, entretanto, de entender o motivo pelo qual o “bom velhinho” é tão cativante.

Papai Noel é mais que uma lenda. Ele reflete o que há de mais real na espiritualidade contemporânea, pois nossos dias são marcados por uma espécie de hedonismo no qual a busca pela satisfação pessoal é o maior objetivo. O papel de Deus em uma sociedade assim é o de atender pedidos, e seus "seguidores" como quem esfrega a lâmpada mágica esperando que dela brote algum gênio pronto a atender seus desejos. Se pararmos para pensar, a tradição consumista construída em torno do Natal reflete exatamente esse tipo de pensamento; alguém que aparece do nada e supre seus desejos e atende seus sonhos. A realidade do Natal da Bíblia é outra; nela, Jesus é servido da adoração de todos aqueles por quem Ele morreu. É verdade que Deus supre Seus filhos, mas não em uma relação de consumo e sim em um relacionamento amoroso que envolve dependência por parte destes.

Há, portanto, um nível de comprometimento diferente no Natal de Cristo. Aquele que O busca, compromete toda a sua vida nesse propósito. É uma verdadeira abdicação de governo pessoal considerando que os valores de Deus, manifestados em Jesus, são mais competentes para dar um direcionamento do que convicções pessoais empíricas. Já o bom velhinho está circunscrito ao mês de dezembro e se ele se atrever a sair daí, será considerado, no mínimo, inadequado. O fato de alguém se dizer cristão, mas procurar um relacionamento com Deus apenas em uma data específica do ano, não faz dessa pessoa um cristão verdadeiro. Repito: esse é o tipo de natal do bom velhinho e não o verdadeiro Natal cristão.

O bom velhinho é preferido justamente porque ele é bom, segundos os padrões do mundo. Não que Jesus não seja, ao contrário, Ele é na verdade o sumo bem. O problema está na definição humana disso, pois, na maioria das vezes, o bem e o bom são completamente alijados da justiça. O professor bom é o que passa todos os alunos; o pai bom é o que faz todas as vontades do filho sem, contudo, exercer qualquer disciplina; o chefe bom é o que oferece muito e cobra pouco. Papai Noel está sempre sorrindo e sua presença significa apenas presentes; nenhuma cobrança nem reprimenda. Não é a toa que a Bíblia diz: “Dificilmente haverá alguém que morra por um justo; pelo homem bom talvez alguém tenha coragem de morrer.” (Rm 5:7). Há uma predileção pelo “bom” em detrimento do Justo.

O nível de comprometimento requerido por Jesus àqueles que com Ele querem se relacionar não O faz ser o mais simpático ao pecador. Aos olhos deste, o bom velhinho exerce um carisma muito maior mas, por outro lado, o presente que o ser humano realmente precisa não pode ser encontrado em seu trenó. “Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da Minha mão”, disse Jesus em João 10:28. 


Precisamos da vida eterna e, consequentemente, precisamos do Salvador.

O Natal, então, é época de refletirmos sobre nossa espiritualidade. Precisamos avaliar se não está justamente na fraqueza de nosso coração a razão pela qual o bom velhinho atrai tanto as pessoas em geral, e se ele tem exercido sobre nós tal influência. Necessitamos reconhecer que só há motivos reais de comemoração para aqueles que festejam o nascimento do Redentor, o único capaz de trazer o maior de todos os presentes que é a Vida Eterna. 


Devemos também instruir nossas crianças com respeito a essas verdades, elas são as mais afetadas com o "ho, ho, ho" do Papai Noel. 

“Esta é a vida eterna: que Te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a Quem enviaste.” (João 17:3).

Fonte IPB.

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